Uma voz no silêncio do sonhos...
.
Nem imaginas a minha expectativa
Quando pressinto teus passos
A descer as escadas em meio ao jardim
Carregada de ouro e pedras preciosas
Me envolverás em teus sândalos
Me vestirás com tuas sedas
Farás cantar harpas e flautas para mim
E no olhar trarás os enigmas e dores
Que rondam o teu espírito
Tuas dúvidas serão minhas
Teus sofrimentos já os terei
Minha boca se acenderá por ti
Teus lábios soprarão doçuras
Meus braços serão teus
Os teus se abrirão para mim...
E é este o momento há muito desejado
Aquele que eu gostaria de eternizar
Para que, quando retomares teu caminho,
Tenhas em teu coração
Gravada no centro de ti
A minha marca de amor
Pois é tudo o que importa
De nada mais preciso
Para em ti ser feliz
.
... ao amanhecer me deixei acordar.
.
(Inspirado em I Reis, 10 e dedicado à Vocação arteDeus)
.
quinta-feira, junho 16, 2005
terça-feira, junho 14, 2005
CENAS DO DESAMPARO
Foram quarenta, sessenta minutos, não sei.
O tempo parou naquele declive coberto por grama.
Pequenos arranjos de flores salpicavam o verde aqui e acolá.
O silêncio só não era completo porque cortado pelo som ritmado das pás.
A batida do surdo alternada pelo repique da caixa, ao cair da terra na vala funda, indica que tanto ficou para trás. Os sonhos e esperanças, se é que existiram... As responsabilidades, obrigações, tarefas, deixadas inconclusas... Toda luta, agora sem uma causa ou motivo...
À cadência das pás, junta-se agora o choro de uma criança.
Começa com um leve soluço, pianíssimo, buscando fundo o sentimento desconhecido que a faz atônita.
Os olhos fixos no movimento das pás, acompanham seu trajeto e pousam naquele vão aberto, talvez à espera de um último adeus. Que não vem.
Um sabiá canta ao longe e recebe de volta a resposta de sua companheira.
Uma brisa leve traz aos sentidos o cheiro do humus, pois as pás continuam seu trabalho.
De pianíssimo, o choro passa a forte. Parece ter encontrado a própria dor. Desespero, desamparo, raiva contida.
Um fino raio de sol rompe a espessa camada de nuvens e alcança a cena, iluminando-a.
Outros pássaros, agora não mais sabiás, fazem contraponto aos soluços magoados da criança.
Fortíssimo é o lamento, como também são o desespero, o desamparo, a raiva, agora assumida.
Estou só? É o que pergunta aquele choro descontrolado.
As mesmas mãos que tocaram as pás agora suavemente depositam as flores sobre os últimos acordes da sinfonia, abafando-os.
O choro vai se acalmando.
As nuvens engolem o delicado raio de sol, ouve-se ao longe mais um sabiá e, depois, o silêncio.
O olhar da criança ainda espera o último adeus. Que não vem.
Seus olhos estão secos. Agora entendem e murmuram: estou só!
.
(Dedicado ao Bruno)
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O tempo parou naquele declive coberto por grama.
Pequenos arranjos de flores salpicavam o verde aqui e acolá.
O silêncio só não era completo porque cortado pelo som ritmado das pás.
A batida do surdo alternada pelo repique da caixa, ao cair da terra na vala funda, indica que tanto ficou para trás. Os sonhos e esperanças, se é que existiram... As responsabilidades, obrigações, tarefas, deixadas inconclusas... Toda luta, agora sem uma causa ou motivo...
À cadência das pás, junta-se agora o choro de uma criança.
Começa com um leve soluço, pianíssimo, buscando fundo o sentimento desconhecido que a faz atônita.
Os olhos fixos no movimento das pás, acompanham seu trajeto e pousam naquele vão aberto, talvez à espera de um último adeus. Que não vem.
Um sabiá canta ao longe e recebe de volta a resposta de sua companheira.
Uma brisa leve traz aos sentidos o cheiro do humus, pois as pás continuam seu trabalho.
De pianíssimo, o choro passa a forte. Parece ter encontrado a própria dor. Desespero, desamparo, raiva contida.
Um fino raio de sol rompe a espessa camada de nuvens e alcança a cena, iluminando-a.
Outros pássaros, agora não mais sabiás, fazem contraponto aos soluços magoados da criança.
Fortíssimo é o lamento, como também são o desespero, o desamparo, a raiva, agora assumida.
Estou só? É o que pergunta aquele choro descontrolado.
As mesmas mãos que tocaram as pás agora suavemente depositam as flores sobre os últimos acordes da sinfonia, abafando-os.
O choro vai se acalmando.
As nuvens engolem o delicado raio de sol, ouve-se ao longe mais um sabiá e, depois, o silêncio.
O olhar da criança ainda espera o último adeus. Que não vem.
Seus olhos estão secos. Agora entendem e murmuram: estou só!
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(Dedicado ao Bruno)
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sábado, junho 11, 2005
ENTRE ASPAS
Hoje quero compartilhar com os amigos um poema de Emily Dickinson.
.
Na Minha Flor eu me Escondo
.
Na minha flor eu me escondo
para que, se me levas em teu peito,
sem querer também me vestes
e só os anjos sabem o resto!
.
Na minha flor eu me escondo
para que, teu vaso abandonando,
sem querer sintas por mim
quase uma solidão.
.
Extraído de "Os melhores poemas de AMOR da sabedoria religiosa de todos os tempos".
Seleção, apresentação e tradução de José Jorge de Carvalho.
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Na Minha Flor eu me Escondo
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Na minha flor eu me escondo
para que, se me levas em teu peito,
sem querer também me vestes
e só os anjos sabem o resto!
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Na minha flor eu me escondo
para que, teu vaso abandonando,
sem querer sintas por mim
quase uma solidão.
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Extraído de "Os melhores poemas de AMOR da sabedoria religiosa de todos os tempos".
Seleção, apresentação e tradução de José Jorge de Carvalho.
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quarta-feira, junho 08, 2005
QUEM AMA...
decifra gesto
digita poesia
.
... gesta
.
____________________
É tempo dos enamorados.
É tempo de descobrir o amor.
_____________________
Dedicado a todos os que estão participando da SEMANA,
mandando recadinhos, poemas, declarações de AMOR...
.
digita poesia
.
... gesta
.
____________________
É tempo dos enamorados.
É tempo de descobrir o amor.
_____________________
Dedicado a todos os que estão participando da SEMANA,
mandando recadinhos, poemas, declarações de AMOR...
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terça-feira, junho 07, 2005
SELF SERVICE
para os que a timidez cala
ofereço uma banquinha
com my self em promoção
é só escolher a quadrinha
juntar flores e enviá-la
ajeitada num cartão
.
(se)
o desejo é clandestino
procuro uma nação
que dê asilo ou destino
ao meu sofrido coração
.
(se)
vive meu olhar no exílio
escondido e degredado
peço entrega em domicílio
de um fogoso namorado
.
(se)
não precisa ter visto
nem passaporte assinado
é porque eu não resisto
a um peregrino apaixonado.
.
(se)
o que os olhos vêem
o coração consente
em delivery apresente
um suave eu te amo
e já me deixará contente
.
(se)
você já fez de tudo
flores, cartões, serenatas
para chamar a atenção
de um insensível coração
e não há nada que ajude
(de minha parte fiz o que pude)
tenta a derradeira jogada
lança-lhe uma rápida olhada
tasca-lhe um bom beijo fast food
.
Estamos em plena SEMANA DO AMOR.
Navegando até o lobabh.zip.net, você poderá se revelar.
Mas que seja rápido, pois o amor tem pressa.
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ofereço uma banquinha
com my self em promoção
é só escolher a quadrinha
juntar flores e enviá-la
ajeitada num cartão
.
(se)
o desejo é clandestino
procuro uma nação
que dê asilo ou destino
ao meu sofrido coração
.
(se)
vive meu olhar no exílio
escondido e degredado
peço entrega em domicílio
de um fogoso namorado
.
(se)
não precisa ter visto
nem passaporte assinado
é porque eu não resisto
a um peregrino apaixonado.
.
(se)
o que os olhos vêem
o coração consente
em delivery apresente
um suave eu te amo
e já me deixará contente
.
(se)
você já fez de tudo
flores, cartões, serenatas
para chamar a atenção
de um insensível coração
e não há nada que ajude
(de minha parte fiz o que pude)
tenta a derradeira jogada
lança-lhe uma rápida olhada
tasca-lhe um bom beijo fast food
.
Estamos em plena SEMANA DO AMOR.
Navegando até o lobabh.zip.net, você poderá se revelar.
Mas que seja rápido, pois o amor tem pressa.
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sábado, junho 04, 2005
TRINDADE
Eu sou
És tu
.
Somos
Espaço indizível
Intervalo em sopro
Concha tramada
Nós
.
(Dedicado ao meu vèinho e ao intransitivo que ousamos conjugar)
_______________________
_______________________
.
O amor é frágil tesouro.
Precisa de cuidados, de agrados,
De doces palavras e gestos.
Quem ama tem o dever de contar.
Quem é amado precisa saber.
Vale verso, vale prosa.
Só não vale vacilar.
.
Assim sendo, declaramos, Loba e eu, aberta a semana dos enamorados.
Destinada a todos os que já encontraram o amor e também aos que ainda o procuram.
.
No lobabh.zip.net, as instruções para mais um fazer coletivo.
Não deixe para revelar amanhã o amor que hoje clama.
Participe.
________________________
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És tu
.
Somos
Espaço indizível
Intervalo em sopro
Concha tramada
Nós
.
(Dedicado ao meu vèinho e ao intransitivo que ousamos conjugar)
_______________________
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O amor é frágil tesouro.
Precisa de cuidados, de agrados,
De doces palavras e gestos.
Quem ama tem o dever de contar.
Quem é amado precisa saber.
Vale verso, vale prosa.
Só não vale vacilar.
.
Assim sendo, declaramos, Loba e eu, aberta a semana dos enamorados.
Destinada a todos os que já encontraram o amor e também aos que ainda o procuram.
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No lobabh.zip.net, as instruções para mais um fazer coletivo.
Não deixe para revelar amanhã o amor que hoje clama.
Participe.
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quarta-feira, junho 01, 2005
ODE A UM ARMÁRIO
Surpresa assim de repente
Nem sei de onde ele veio
Chegou-me como um presente
Há de se julgar pelo estilo
Que tenha vindo do passado
Forte, imponente, garboso
Exibindo graça ao brilhar
À espera, no meio da sala
Parece que está a chamar
.
Com respeito me aproximo
Qual criança curiosa
Suavemente o toco,
Acarinho, deslizo a mão
Respiro o perfume do cedro
Sinto a pujança do tempo
Renovo ancestrais compromissos
.
Conto e reconto as gavetas
O que posso ali guardar
Vai logo se definindo
Na mais baixa devo encerrar
A ausência de meu pai
A infância tão ferida
A adolescência perdida
Tranco-a p’ra não mais olhar
.
Logo acima arquivo os fracassos
Sempre os devo rever
Pois servem de referência
Indicam os meus novos passos
Evitam que eu ande a esmo
Levando avante o sofrer
.
Agora a gaveta dos sonhos
Embaralhados, alegres
Fazem grande alvoroço
Vivem inesgotável festejo
Da arrumação desisto
Fecho-a com dificuldade
Permito que fiquem para fora
Pontas do que mais almejo
Pontes p’ra felicidade
.
São quatro as pequeninas
Que vêm logo a seguir
Em cada uma encaixar
Decepções, injustiças,
Desafetos e o receio
De a alguém mais ferir
.
A última tão alta está
E sendo um pouco emperrada
Impede olhares de esguelha
Lá vou acomodar meus segredos
As fantasias mais loucas
As paixões sangüíneas, vermelhas
As dúvidas que não são poucas
Os amores inconfessos
Os pecados, remorsos e medos
As máscaras dissimuladas
.
Quase pronto o meu armário
Mas falta-lhe um quê de beleza
Algo de majestade e firmeza
Que o transforme em relicário
Encontro um belo xaxim de hera
Em ramagem esparramada
Na cobertura a ajeito
Avalio a doce quimera
Ainda assim pobre de luz
Pouso a mão em meu peito
Tateio a medalha encontrada
Descubro o que me faz desolada
Não há um afeto inteiro
Falta à estante, calor
Trago a imagem de Jesus
Concluo a lida aliviada
Ele com coração à mostra
Instala-se feito um posseiro
Em terno arremate de amor
.
(junho - mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus)
.
Nem sei de onde ele veio
Chegou-me como um presente
Há de se julgar pelo estilo
Que tenha vindo do passado
Forte, imponente, garboso
Exibindo graça ao brilhar
À espera, no meio da sala
Parece que está a chamar
.
Com respeito me aproximo
Qual criança curiosa
Suavemente o toco,
Acarinho, deslizo a mão
Respiro o perfume do cedro
Sinto a pujança do tempo
Renovo ancestrais compromissos
.
Conto e reconto as gavetas
O que posso ali guardar
Vai logo se definindo
Na mais baixa devo encerrar
A ausência de meu pai
A infância tão ferida
A adolescência perdida
Tranco-a p’ra não mais olhar
.
Logo acima arquivo os fracassos
Sempre os devo rever
Pois servem de referência
Indicam os meus novos passos
Evitam que eu ande a esmo
Levando avante o sofrer
.
Agora a gaveta dos sonhos
Embaralhados, alegres
Fazem grande alvoroço
Vivem inesgotável festejo
Da arrumação desisto
Fecho-a com dificuldade
Permito que fiquem para fora
Pontas do que mais almejo
Pontes p’ra felicidade
.
São quatro as pequeninas
Que vêm logo a seguir
Em cada uma encaixar
Decepções, injustiças,
Desafetos e o receio
De a alguém mais ferir
.
A última tão alta está
E sendo um pouco emperrada
Impede olhares de esguelha
Lá vou acomodar meus segredos
As fantasias mais loucas
As paixões sangüíneas, vermelhas
As dúvidas que não são poucas
Os amores inconfessos
Os pecados, remorsos e medos
As máscaras dissimuladas
.
Quase pronto o meu armário
Mas falta-lhe um quê de beleza
Algo de majestade e firmeza
Que o transforme em relicário
Encontro um belo xaxim de hera
Em ramagem esparramada
Na cobertura a ajeito
Avalio a doce quimera
Ainda assim pobre de luz
Pouso a mão em meu peito
Tateio a medalha encontrada
Descubro o que me faz desolada
Não há um afeto inteiro
Falta à estante, calor
Trago a imagem de Jesus
Concluo a lida aliviada
Ele com coração à mostra
Instala-se feito um posseiro
Em terno arremate de amor
.
(junho - mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus)
.
segunda-feira, maio 30, 2005
ACHADO NO BAÚ
SERPENTEIA SERPENTINA
ATINA COM QUE EU QUERO CONTAR
.
SOLTO O PASSO
VIRA A GINGA
VEM NO EMBALO DO BLOCO A DANÇAR
NÃO SE ABALE
SÓ SE EMBOLE
FINCA O CORPO
.
TEM O CORSO
TEM CORDÃO
TEM O ENTRUDO
ENTRA EM TEMPO NO BLOCO A CANTAR
.
E DESSE CANTO
EXPIA O ENCONTRO
QUE FAZ O ENCANTO
DE SE TROMBAR
.
(De 1981 - dedicado a Caetano Veloso)
ATINA COM QUE EU QUERO CONTAR
.
SOLTO O PASSO
VIRA A GINGA
VEM NO EMBALO DO BLOCO A DANÇAR
NÃO SE ABALE
SÓ SE EMBOLE
FINCA O CORPO
.
TEM O CORSO
TEM CORDÃO
TEM O ENTRUDO
ENTRA EM TEMPO NO BLOCO A CANTAR
.
E DESSE CANTO
EXPIA O ENCONTRO
QUE FAZ O ENCANTO
DE SE TROMBAR
.
(De 1981 - dedicado a Caetano Veloso)
sexta-feira, maio 27, 2005
EM PACTO COM A SOMBRA
sei que aí estás
sinto em mim o teu perfume
se és tu a me emprestar as asas
sou eu a te fazer volátil
.
somos vadias miragens
em vôos de figura e fundo
apenas suave aroma
incenso do que resta em nós
contínuo mote de agonia e gozo
.
(Inspirado por um verso da Loba: “Não consigo entender como posso gostar tanto de mim até mesmo quando sou volátil como perfume de sombra” e dedicado a C.G. Jung)
.
sinto em mim o teu perfume
se és tu a me emprestar as asas
sou eu a te fazer volátil
.
somos vadias miragens
em vôos de figura e fundo
apenas suave aroma
incenso do que resta em nós
contínuo mote de agonia e gozo
.
(Inspirado por um verso da Loba: “Não consigo entender como posso gostar tanto de mim até mesmo quando sou volátil como perfume de sombra” e dedicado a C.G. Jung)
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quarta-feira, maio 25, 2005
"DESÍGNIO"
Tudo era só contentamento, cuidado e espera
A alma brilhando tal alumínio depois de areado
Já não pregava os olhos há várias luas e sóis
.
Ora no degelo se espraiando
Água viva escaldante beijo
Ora em fogueira se alastrando
Fogo vivo refrescante abraço
Crescente luz a pratear anseios
Tempo a pino sombreando dor
.
Já não pregava os olhos...
“E eram os sonhos a mantê-la acordada”.
.
(Dedicado a Darcy Ribeiro)
.
A alma brilhando tal alumínio depois de areado
Já não pregava os olhos há várias luas e sóis
.
Ora no degelo se espraiando
Água viva escaldante beijo
Ora em fogueira se alastrando
Fogo vivo refrescante abraço
Crescente luz a pratear anseios
Tempo a pino sombreando dor
.
Já não pregava os olhos...
“E eram os sonhos a mantê-la acordada”.
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(Dedicado a Darcy Ribeiro)
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segunda-feira, maio 23, 2005
ELOS PERDIDOS
Uma conversa pelo telefone aparentemente sem rumo, ingênua, daquelas que só acontecem entre amigos que se admiram e se respeitam. Partilha de contentamentos e sonhos, parecendo coisa de adolescentes não fôssemos as duas, Loba e eu, mulheres maduras. Uma idéia, a de sair pela vida procurando elos perdidos. Para a concretização dela, um passo. O evento, como qualquer evento, precisaria de tema, lema, logotipo, folder, panfletagem. Uma verdadeira campanha de marketing. E lá fomos nós.
No início lembrava-me alegremente das pessoas queridas, afastadas por contingências da própria vida e de como seria bom reencontrá-las. Porém, enquanto me envolvia com as providências para o evento, meu coração começou a pregar-me uma peça, assoprando-me um nome ao ouvido. Fingi-me surda por um tempo, mas vocês sabem o quanto o coração é persistente e o quanto é impossível o controle sobre ele. Rendi-me a pensar sobre uma relação rompida no desentendimento. Afundei-me na auto-análise. Imagens doridas, razões, motivos, desmotivos. Meus próprios erros, as expectativas que joguei sobre ela, as inevitáveis decepções, as ofensas mútuas e chorei. Surpreendentemente, pela primeira vez em muitos anos, vieram também lembranças tão boas. Nossos passeios pelos shoppings, nossas trocas de segredos, projetos que realizamos juntas e das leituras que ela fazia de minhas poesias. Suas interpretações dotavam meus escritos de uma beleza que eles não têm. Estava nela a poesia. E quem tem poesia no olhar tem o amor nos poros e na alma. Sabe amar e nos ensina a conjugar este verbo. Sei que neste momento uma reaproximação é impossível. Mesmo assim sinto-me aliviada. Algo se reconciliou dentro de mim. Recuperei um elo perdido em meio ao sofrimento e à dor. Hoje posso tranqüilamente responder ao meu coração. Sim, eu a amo e volto a chamá-la de irmã. Querida irmã. De quem só quero guardar, daqui para frente, os ensinamentos, o carinho, os momentos de partilha e completude.
____________________________
.
O tema ELOS PERDIDOS está rendendo. Catarse, polêmica, reflexão.
Acredito que em cada elo deixado pelo caminho está um pedaço de mim. Um tantinho de meu afeto. E que só sou inteira... se está inteiro o meu afeto.
Então vamos em busca de elos, elas, eles... nós.
.
As instruções para o fazer coletivo estão no lobabh.zip.net e as participações podem ser enviadas também para: adeliatheresacampos@hotmail.com
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No início lembrava-me alegremente das pessoas queridas, afastadas por contingências da própria vida e de como seria bom reencontrá-las. Porém, enquanto me envolvia com as providências para o evento, meu coração começou a pregar-me uma peça, assoprando-me um nome ao ouvido. Fingi-me surda por um tempo, mas vocês sabem o quanto o coração é persistente e o quanto é impossível o controle sobre ele. Rendi-me a pensar sobre uma relação rompida no desentendimento. Afundei-me na auto-análise. Imagens doridas, razões, motivos, desmotivos. Meus próprios erros, as expectativas que joguei sobre ela, as inevitáveis decepções, as ofensas mútuas e chorei. Surpreendentemente, pela primeira vez em muitos anos, vieram também lembranças tão boas. Nossos passeios pelos shoppings, nossas trocas de segredos, projetos que realizamos juntas e das leituras que ela fazia de minhas poesias. Suas interpretações dotavam meus escritos de uma beleza que eles não têm. Estava nela a poesia. E quem tem poesia no olhar tem o amor nos poros e na alma. Sabe amar e nos ensina a conjugar este verbo. Sei que neste momento uma reaproximação é impossível. Mesmo assim sinto-me aliviada. Algo se reconciliou dentro de mim. Recuperei um elo perdido em meio ao sofrimento e à dor. Hoje posso tranqüilamente responder ao meu coração. Sim, eu a amo e volto a chamá-la de irmã. Querida irmã. De quem só quero guardar, daqui para frente, os ensinamentos, o carinho, os momentos de partilha e completude.
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O tema ELOS PERDIDOS está rendendo. Catarse, polêmica, reflexão.
Acredito que em cada elo deixado pelo caminho está um pedaço de mim. Um tantinho de meu afeto. E que só sou inteira... se está inteiro o meu afeto.
Então vamos em busca de elos, elas, eles... nós.
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As instruções para o fazer coletivo estão no lobabh.zip.net e as participações podem ser enviadas também para: adeliatheresacampos@hotmail.com
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sexta-feira, maio 20, 2005
A MAIS PURA VERDADE
Eram duas sementes. Com uma engasgou-se o menino. Outra na terra se quedou. Pisada, enquanto chegava a água e os inevitáveis tapas nas costas que faziam arder o menino. Quando o sufoco passou cada um voltou a seus afazeres e todos na cidade se esqueceram do fato. Até que o menino começou a mudar. Crescia a olhos vistos. Sua pele, antes puro veludo, foi se tornando rugosa e esbranquiçada. Entremeadas aos cachos de seus cabelos brotavam aqui e ali folhas imparipenadas. O povo daquela cidade, mesmo acostumado a tantos assombros, olhava de esguelha o menino. E ele crescendo. Em casa já não cabia. O coreto da praça o recebeu e sua mãe toda manhã deixava ali água fresca, o pão de cada dia e voltava a tratar do roçado. E ele crescendo. Assim já era demais. Os cachos todos sumiram. Sua cabeça era só folhas. E eis que, na primavera, surgem flores. Alaranjadas. Já não mais cabendo no coreto, plantou-se na praça o menino. O perfume que se esparramava para além dos limites do povoado atraía curiosos. Chegavam em caravanas, montados no lombo de jegues ou mesmo a pé. Na hora do ângelus mulheres rezavam o terço enquanto os homens faziam apostas no balcão do boteco. A quantas chegaria o menino se já media 15m. Tanto alarido chamou a atenção das autoridades. Montou-se uma comissão com os mais ilustres sábios do país. Chegaram em carros vistosos, trazendo aparelhos estranhos e passaram a estudar o fenômeno. Interrogaram os pais, vizinhos, retiraram lascas do menino-árvore. Examinaram, discutiram e foram embora. Sumiram sem dar explicação. Soube-se depois, que entrevistados por jornais e TV foram lacônicos ao responder. Nada a declarar. O menino-árvore é uma fraude para atrair incautos. Aos poucos o povoado foi voltando à normalidade. Acostumava-se. O menino, a essas alturas da história, com 25m oferecia uma fresca sombra para a hora em que o sol se estatela. Num dia, destes em que até o mormaço é silêncio e amolece, algumas crianças, aproveitando-se da sonolenta desatenção dos adultos, faziam arte com as flores caídas no chão. Bem picadinhas, misturadas à água, tinham ali um suquinho, um pouco ácido, embora gostoso, brincadeira comum entre crianças. E lá mandam o tal suco para dentro. E assim foi descoberta a propriedade emética do menino-árvore. Mas efeito oculto estranho. Primeiro as crianças se queixavam de dor de barriga e nó no estômago. Choravam. As mães acudiam aflitas, apoiando-lhes os espasmos. Pois não é que nada de nojento acontecia? O que punham para fora eram palavras transformadas em poesia. A surpresa logo se transformou em alegria. As crianças, agora livres de maiores indisposições, saíram a poetar pela vila e pelos campos. Eram só versos de amor sendo despejados por todos os cantos. O agreste agradecido de tanta belezura foi se transformando em verde. As colheitas se multiplicando. Até as brigas em ponta de faca, comuns depois das bebedeiras, cessaram. Tudo era só contentamento, cuidados com o menino-árvore e espera. A cada ano, uma nova primavera.
Da outra semente, nada se sabe. Alguns rumores davam conta de que ela, atravessando a Terra, tivesse saído por um furinho do outro lado e se perdido na estratosfera.
.
Tenho aqui mais uma história. Mas essa nem vou me dar ao trabalho de contar, pois é pura balela. É sobre um astronauta excêntrico que afirma ter identificado um buraco branco muito luminoso, durante sua última viagem interplanetária. Grande descoberta científica, pois se sabe da existência de buracos negros. De brancos nunca se ouviu falar. Ele chegou até a escrever um artigo relatando como verdade que durante a primavera, do buraco branco, saíam revoadas de anjos carregados de sementes, em direção à Terra. Ainda bem que a NASA, depois de alguns testes psicológicos, internou o astronauta num hospício. De onde nunca mais saiu.
.
(Inspirado pelo Zumbi e dedicado ao Linaldo)
-----------------------------------------------
.
Aviso Importante
Na vida vamos permitindo que afetos nos escapem. Não importam os motivos do afastamento. Importa a falta que tais elos nos fazem. Se você quer se reaproximar de um amigo ou amiga, não perca a oportunidade. O blog da Loba está promovendo a semana do ELO PERDIDO. Vá até lá e participe.
.
Da outra semente, nada se sabe. Alguns rumores davam conta de que ela, atravessando a Terra, tivesse saído por um furinho do outro lado e se perdido na estratosfera.
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Tenho aqui mais uma história. Mas essa nem vou me dar ao trabalho de contar, pois é pura balela. É sobre um astronauta excêntrico que afirma ter identificado um buraco branco muito luminoso, durante sua última viagem interplanetária. Grande descoberta científica, pois se sabe da existência de buracos negros. De brancos nunca se ouviu falar. Ele chegou até a escrever um artigo relatando como verdade que durante a primavera, do buraco branco, saíam revoadas de anjos carregados de sementes, em direção à Terra. Ainda bem que a NASA, depois de alguns testes psicológicos, internou o astronauta num hospício. De onde nunca mais saiu.
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(Inspirado pelo Zumbi e dedicado ao Linaldo)
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Aviso Importante
Na vida vamos permitindo que afetos nos escapem. Não importam os motivos do afastamento. Importa a falta que tais elos nos fazem. Se você quer se reaproximar de um amigo ou amiga, não perca a oportunidade. O blog da Loba está promovendo a semana do ELO PERDIDO. Vá até lá e participe.
.
quarta-feira, maio 18, 2005
FEBRICITANTE
Se sou só ou se só sou, não importa.
Se é cara a cara nova de plástico em substituição ao rústico, nem sei.
Se o cara arranca da gente a grana depois de encostar o berro, quem liga?
Se o jornal mostra em letras garrafais o tanto que a garrafa mata, fazer o quê?
Se o mal vence o bem em quase todas as batalhas, continuo rezando.
Se a carne é fraca, o coração pedinte, o telefone toca...
Ai! Quando é que vão inventar a cura pra gripe?
.
(Dedicado ao Dr. Marcos, para ver se ele me tira de estado tão lastimável)
Se é cara a cara nova de plástico em substituição ao rústico, nem sei.
Se o cara arranca da gente a grana depois de encostar o berro, quem liga?
Se o jornal mostra em letras garrafais o tanto que a garrafa mata, fazer o quê?
Se o mal vence o bem em quase todas as batalhas, continuo rezando.
Se a carne é fraca, o coração pedinte, o telefone toca...
Ai! Quando é que vão inventar a cura pra gripe?
.
(Dedicado ao Dr. Marcos, para ver se ele me tira de estado tão lastimável)
sexta-feira, maio 13, 2005
COM LOUVOR
Volto aos bancos escolares
Em busca do conhecimento.
De mestra a aprendiz
Ponho à prova meus leitores.
Vago em ciência com eles
E juntos em folguedos vamos
Para o mundo do afeto.
Lugar em que nada se julga,
Em que todos são aprovados.
Bastam os ouvidos sensíveis,
A poesia no olhar,
A voz valente a empurrar,
Um coração feito sonho,
Sonho realizado abraço,
Abraço, resultado:
Vida.
.
(Dedicado à Maria, ventre do Amor)
.
Em busca do conhecimento.
De mestra a aprendiz
Ponho à prova meus leitores.
Vago em ciência com eles
E juntos em folguedos vamos
Para o mundo do afeto.
Lugar em que nada se julga,
Em que todos são aprovados.
Bastam os ouvidos sensíveis,
A poesia no olhar,
A voz valente a empurrar,
Um coração feito sonho,
Sonho realizado abraço,
Abraço, resultado:
Vida.
.
(Dedicado à Maria, ventre do Amor)
.
terça-feira, maio 10, 2005
HOJE É DIA DE PROVA
questão de geometria
sendo longos os teus braços
tais linhas retas sem rumo
traça-me nas tuas paralelas
cruza-me entre as tuas diagonais
encontra a intersecção
.
a figura resultante
dará ao espaço vazio
nova configuração?
.
questão de acústica
estando inquieto o coração
deve-se procurar por sinais
na propagação do toque
de um telefone antes mudo?
.
se a resposta for sim
demonstra como reverberar
o alô em tom maior
.
questão de astronomia
considerando a órbita dos planetas
seus satélites, luas vagantes
pelo espaço sideral
.
serão os corpos celestes
formas perdidas do amor?
.
questão interdisciplinar
assinala a alternativa correta:
se eu
de outono me fizer primavera
serás para mim tradução
de um sol, sinfonia, um degas
em amor mais que perfeito?
......................................( ) sim
.
Recomendações:
Lê com muito carinho, responde a tudo com capricho, não ultrapasse o tempo, nem abandone questão em branco.
Deixa embaixo da carteira o desespero desligado. Lembra-te que em caso de nota baixa, resta ainda uma chance. Construiremos a ocasião para recuperação.
Boa sorte!
.
(Dedicado a um professor querido)
.
sendo longos os teus braços
tais linhas retas sem rumo
traça-me nas tuas paralelas
cruza-me entre as tuas diagonais
encontra a intersecção
.
a figura resultante
dará ao espaço vazio
nova configuração?
.
questão de acústica
estando inquieto o coração
deve-se procurar por sinais
na propagação do toque
de um telefone antes mudo?
.
se a resposta for sim
demonstra como reverberar
o alô em tom maior
.
questão de astronomia
considerando a órbita dos planetas
seus satélites, luas vagantes
pelo espaço sideral
.
serão os corpos celestes
formas perdidas do amor?
.
questão interdisciplinar
assinala a alternativa correta:
se eu
de outono me fizer primavera
serás para mim tradução
de um sol, sinfonia, um degas
em amor mais que perfeito?
......................................( ) sim
.
Recomendações:
Lê com muito carinho, responde a tudo com capricho, não ultrapasse o tempo, nem abandone questão em branco.
Deixa embaixo da carteira o desespero desligado. Lembra-te que em caso de nota baixa, resta ainda uma chance. Construiremos a ocasião para recuperação.
Boa sorte!
.
(Dedicado a um professor querido)
.
sábado, maio 07, 2005
ENTRE ASPAS
Neste domingo das mães, deixo um poema de Leonardo Boff, extraído de seu livro:
O Senhor é meu Pastor.
_________
.
Deus, eu te encontrei novamente!
Até as lágrimas, em puro estremecimento!
Tu és o fascinante presente
Embora sempre tremendo.
Sim, Tu és meu nesse momento.
.
Viver só para Ti, de Ti e Contigo!
Como antigamente, dia a dia.
Contigo sonhava e me perdia.
Saía de mim para ser um Contigo!
.
Enfim cheguei ao lar materno,
Repleto de toda sorte!
O que der e vier é eterno
É amor de Mãe, na vida e na morte.
_________
.
Dedicado a você, mãe... beijos, carinho.
.
Dedicado a você, mãe... beijos, carinho.
.
segunda-feira, maio 02, 2005
RECORRENTE
de nada conheço tudo
de quase tudo, um pouco
sei da história do mundo,
da vida dos povos,
da sociologia,
psicologia,
e da ecologia,
sei de tanta coisa distante
sem significado imediato pra mim.
mas...
não sei de você
o que quer, o que pensa
se pensa que quer
o que quero em pensar.
Dedico aos sábios pensadores citados no post anterior, pedindo a eles que me respondam...
e agora?
.
de quase tudo, um pouco
sei da história do mundo,
da vida dos povos,
da sociologia,
psicologia,
e da ecologia,
sei de tanta coisa distante
sem significado imediato pra mim.
mas...
não sei de você
o que quer, o que pensa
se pensa que quer
o que quero em pensar.
Dedico aos sábios pensadores citados no post anterior, pedindo a eles que me respondam...
e agora?
.
sábado, abril 30, 2005
EX - LIBRIS
É uma corrente ou melhor, uma enquete que está circulando pelos blogs. Sem entrar muito na intimidade dos blogueiros, acaba por revelar as fontes de inspiração dos mesmos.
Tenho acompanhado os depoimentos de companheiros e me deliciado ao encontrar afinidades, reencontrar livros que andavam perdidos na minha memória, além de receber ótimas indicações de leitura.
Agradeço à Loba, ao Nel Meirelles e à Borboleta Azul, por terem me colocado nesta interessante roda de leitura.
À entrevista, então.
Não podendo sair do Fahrenheid 451, que livro quererias ser?
Logo que fui convidada a participar desta enquete lembrei-me de três livros. Descartei um deles e não consegui escolher só um entre os dois restantes. Ora quero ser Manuscritos de Felipa de Adélia Prado, ora o Cântico dos cânticos.
Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por algum personagem de ficção?
Muitas vezes. As princesas dos contos de fadas, identifiquei-me com todas. Depois passei a ser a Emília de Monteiro Lobato. O que mais gostava era de me imaginar, tal qual Emília, uma “dadeira de idéias”. Acho que até hoje gosto. Mais tarde, já adulta, tinha por hábito ler antes de dormir. Impressionante é que nos sonhos dava continuidade à história que estava lendo. Na verdade, nunca acertei o desenrolar do enredo, pois meu mundo onírico, a partir do livro, criava outras histórias. Hoje dei de me identificar ou me apaixonar por autores e não mais por personagens.
Qual foi o último livro que compraste?
Sou compradora compulsiva. Então relaciono os do meu último pacote:
O Ser Fragmentado – da cisão à integração de Anselm Grün.
São José, a personificação do Pai de Leonardo Boff.
Poesia liberdade de Murilo Mendes.
Aqui tem coisa de Patativa do Assaré.
Altares Paulistas - Resgate de um Barroco, publicação do Museu de Arte Sacra de SP.
Qual o último livro que leste?
O Ser Fragmentado – da cisão à integração de Anselm Grün, convite ao mergulho em nossas próprias profundezas.
Que livros estás a ler?
Leio tantos ao mesmo tempo que até fico um pouco envergonhada ao responder, mas sinceridade...
São José, a personificação do Pai - a reflexão de Leonardo Boff , baseada em vasta bibliografia sobre São José, atualiza o significado deste santo para os dias atuais.
Poesia Liberdade traz o prazer na insubordinação elegante e lírica de Murilo Mendes.
Funções da Linguagem de Samira Chalhub, para perceber, um pouco, as possibilidades tantas do uso do código poético.
Mulheres de palavra – Adélia Prado, Hannah Arendt, Cecília Meirelles, Simone Weil, Teresa de Ávila, coletânea de reflexões sobre a obra destas mulheres, organizada por Maria Clara Bingemer e Eliana Yunes
Murilo, Cecília e Drummond – 100 anos com Deus na poesia brasileira, transcrição de um seminário realizado pelos departamentos de Letras e de Teologia da PUC-Rio sobre a espiritualidade presente na obra dos três poetas, organizada por Eliana Yunes e Maria Clara Bingemer.
Corpo – Território do Sagrado de Evaristo Eduardo de Miranda, análise do simbolismo do corpo a partir da perspectiva judaico-cristã.
Dois de cabeceira há vários meses:
O Senhor é meu Pastor de Leonardo Boff.
Os melhores poemas de Amor da sabedoria religiosa de todos os tempos – seleção, apresentação e tradução de José Jorge de Carvalho.
Que cinco (5) livros levarias para uma ilha deserta?
Com tamanha limitação:
Poesia Reunida – Adélia Prado (Siciliano)
Escritos de Santa Teresa de Ávila (Edições Carmelitanas e Edições Loyola)
A Bíblia Sagrada, fonte de inspiração diária.
O imprescindível Huaiss.
E já que não posso levar nenhum CD, Chico Buarque do Brasil organizado por Rinaldo de Fernandes.
Bem escondidinho, o meu caderno, um estojo com lápis, borracha e apontador.
A quem vais passar este testemunho e por quê?
Bia - letracriada.weblogger.terra.com.br
Júlio Castro - oinventario.blogspot.com
Kathy - atravesdemim.zip.net
Porque gostaria de saber de onde os três tiram inspiração para tão instigantes escritas.
Tenho acompanhado os depoimentos de companheiros e me deliciado ao encontrar afinidades, reencontrar livros que andavam perdidos na minha memória, além de receber ótimas indicações de leitura.
Agradeço à Loba, ao Nel Meirelles e à Borboleta Azul, por terem me colocado nesta interessante roda de leitura.
À entrevista, então.
Não podendo sair do Fahrenheid 451, que livro quererias ser?
Logo que fui convidada a participar desta enquete lembrei-me de três livros. Descartei um deles e não consegui escolher só um entre os dois restantes. Ora quero ser Manuscritos de Felipa de Adélia Prado, ora o Cântico dos cânticos.
Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por algum personagem de ficção?
Muitas vezes. As princesas dos contos de fadas, identifiquei-me com todas. Depois passei a ser a Emília de Monteiro Lobato. O que mais gostava era de me imaginar, tal qual Emília, uma “dadeira de idéias”. Acho que até hoje gosto. Mais tarde, já adulta, tinha por hábito ler antes de dormir. Impressionante é que nos sonhos dava continuidade à história que estava lendo. Na verdade, nunca acertei o desenrolar do enredo, pois meu mundo onírico, a partir do livro, criava outras histórias. Hoje dei de me identificar ou me apaixonar por autores e não mais por personagens.
Qual foi o último livro que compraste?
Sou compradora compulsiva. Então relaciono os do meu último pacote:
O Ser Fragmentado – da cisão à integração de Anselm Grün.
São José, a personificação do Pai de Leonardo Boff.
Poesia liberdade de Murilo Mendes.
Aqui tem coisa de Patativa do Assaré.
Altares Paulistas - Resgate de um Barroco, publicação do Museu de Arte Sacra de SP.
Qual o último livro que leste?
O Ser Fragmentado – da cisão à integração de Anselm Grün, convite ao mergulho em nossas próprias profundezas.
Que livros estás a ler?
Leio tantos ao mesmo tempo que até fico um pouco envergonhada ao responder, mas sinceridade...
São José, a personificação do Pai - a reflexão de Leonardo Boff , baseada em vasta bibliografia sobre São José, atualiza o significado deste santo para os dias atuais.
Poesia Liberdade traz o prazer na insubordinação elegante e lírica de Murilo Mendes.
Funções da Linguagem de Samira Chalhub, para perceber, um pouco, as possibilidades tantas do uso do código poético.
Mulheres de palavra – Adélia Prado, Hannah Arendt, Cecília Meirelles, Simone Weil, Teresa de Ávila, coletânea de reflexões sobre a obra destas mulheres, organizada por Maria Clara Bingemer e Eliana Yunes
Murilo, Cecília e Drummond – 100 anos com Deus na poesia brasileira, transcrição de um seminário realizado pelos departamentos de Letras e de Teologia da PUC-Rio sobre a espiritualidade presente na obra dos três poetas, organizada por Eliana Yunes e Maria Clara Bingemer.
Corpo – Território do Sagrado de Evaristo Eduardo de Miranda, análise do simbolismo do corpo a partir da perspectiva judaico-cristã.
Dois de cabeceira há vários meses:
O Senhor é meu Pastor de Leonardo Boff.
Os melhores poemas de Amor da sabedoria religiosa de todos os tempos – seleção, apresentação e tradução de José Jorge de Carvalho.
Que cinco (5) livros levarias para uma ilha deserta?
Com tamanha limitação:
Poesia Reunida – Adélia Prado (Siciliano)
Escritos de Santa Teresa de Ávila (Edições Carmelitanas e Edições Loyola)
A Bíblia Sagrada, fonte de inspiração diária.
O imprescindível Huaiss.
E já que não posso levar nenhum CD, Chico Buarque do Brasil organizado por Rinaldo de Fernandes.
Bem escondidinho, o meu caderno, um estojo com lápis, borracha e apontador.
A quem vais passar este testemunho e por quê?
Bia - letracriada.weblogger.terra.com.br
Júlio Castro - oinventario.blogspot.com
Kathy - atravesdemim.zip.net
Porque gostaria de saber de onde os três tiram inspiração para tão instigantes escritas.
Bia, Júlio e Kathy, meus queridos, é só copiar as perguntinhas que aí estão, respondê-las e matar a nossa curiosidade.
Beijos, carinho.
sábado, abril 23, 2005
Y UNIRÉ LAS PUNTAS DE UN MISMO LAZO
Enquanto puxas a fita
Meu coração se queda
A esperar por sinais
Cada gesto teu passo leve
Laço solto na busca
Curiosa e atenta procura
A caixa aberta...
Ainda resta
A seda em tuas mãos
Levantas em suspense a cabeça
Tentando adivinhar
Pouco a pouco, surpresa
Ilumina-se o mistério
Sinto-me até esquecida
Vendo-te fitar o passado
Expressão enternecida
Refletindo-se em dourados
Reflexos de uma paixão
Então buscas meu olhar
E soa com tal zelo o beijo
Que ofereces ao presente...
É como se beijasses a vida
Revelada em coração
Apanhas de volta a fita
Em teus olhos um brilho, um riso
Em meu lapso um riso, alívio...
Unem-se para além do abraço
Dois pulsares, uma alma...
Pontas de um mesmo laço.
______________________
Inspirado em Yo vengo ofrecer mi corazón de Fito Paez, de quem venho roubando as pontas de um mesmo laço.
Dedicado à Mercedes Sosa.
.
Meu coração se queda
A esperar por sinais
Cada gesto teu passo leve
Laço solto na busca
Curiosa e atenta procura
A caixa aberta...
Ainda resta
A seda em tuas mãos
Levantas em suspense a cabeça
Tentando adivinhar
Pouco a pouco, surpresa
Ilumina-se o mistério
Sinto-me até esquecida
Vendo-te fitar o passado
Expressão enternecida
Refletindo-se em dourados
Reflexos de uma paixão
Então buscas meu olhar
E soa com tal zelo o beijo
Que ofereces ao presente...
É como se beijasses a vida
Revelada em coração
Apanhas de volta a fita
Em teus olhos um brilho, um riso
Em meu lapso um riso, alívio...
Unem-se para além do abraço
Dois pulsares, uma alma...
Pontas de um mesmo laço.
______________________
Inspirado em Yo vengo ofrecer mi corazón de Fito Paez, de quem venho roubando as pontas de um mesmo laço.
Dedicado à Mercedes Sosa.
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quarta-feira, abril 20, 2005
IMPERATIVO
Abre-te às feridas d’alma,
Dá-me tua aspiração...
Revelar-te-ei liberdade.
Abre-te à fantasia,
Dá-me teus desejos...
Desvendar-te-ei festejos.
No improvável, no delírio,
No limite ou nitidez,
Na sede...
Recosta-te à fonte.
No pecado ou santidade,
No anseio ou na aridez,
No cansaço...
Recompõe-te tenda.
Abre-te às fendas d’alma.
Devolve-me a liberdade... (só então)
Desvelar-me-ei amor.
.
(Inspirado por Teresa de Ávila e dedicado a um amigo querido)
.
Dá-me tua aspiração...
Revelar-te-ei liberdade.
Abre-te à fantasia,
Dá-me teus desejos...
Desvendar-te-ei festejos.
No improvável, no delírio,
No limite ou nitidez,
Na sede...
Recosta-te à fonte.
No pecado ou santidade,
No anseio ou na aridez,
No cansaço...
Recompõe-te tenda.
Abre-te às fendas d’alma.
Devolve-me a liberdade... (só então)
Desvelar-me-ei amor.
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(Inspirado por Teresa de Ávila e dedicado a um amigo querido)
.
domingo, abril 17, 2005
A PEREGRINA
A caminhada se faz sentir na dormência das pernas e o irrealizável, na demência da alma. E será sempre assim nos arrastados dias de areias quentes. A claridade é tal que lhe chega a turvar a vista. As trilhas se abrem para em seguida se desfazerem ao sabor dos ventos, alterando-se a cada instante. A aridez mostra que a liberdade do caminho não basta, se não se tem para onde ir. Sente-se prisioneira de seu próprio labirinto. Quisera de volta o aconchego da tenda onde o frio e a escuridão da noite não a alcançam. De onde, mesmo sem ver as estrelas, pode divisar o horizonte.
Descobre-se seguindo os mesmos rastros deixados por dias e dias de caminhada. Frestas se abrem repentinamente, obrigando-a a estancar. Olha ao redor. A paisagem monótona repete-se à direita, à esquerda, à frente, atrás. Ao alcance da vista, nada que tenha vida. Sons, somente, os do vento insuportável, que sem piedade fere a pele já tão curtida pelo sol. Senta-se.
O pensamento vaga por tempos ingênuos, quando o coração era contente. Olha para o próprio peito, não o vê. Onde o terá esquecido? Indaga pelos amores, se é que existiram. Mas, se não eram reais, por que se foi desfazendo em cada um deles?
É tarde e da secura em que se encontra, nem lágrimas consegue tirar. Põe-se em pé. Talvez encontre algo para beber. Ao longe, a fosforescência, já tão conhecida, da miragem, insistentemente, produzida pelo desejo. Mesmo na desesperança, segue.
O fim da tarde encontra-a trôpega, sedenta, confusa. Parece ver, logo ali uma construção de pedras. Arrasta-se. Está muito perto. Mais um esforço e os sentidos se perdem.
Dá-me de beber, ouve, ainda entorpecida. Surpreende-se, pois não é sua voz a pedir. Contra o sol tem dificuldade em focalizar o contorno a sua frente. Ouve o seu, já quase esquecido, nome sussurrado por aquela voz tão terna que insiste: dá-me de beber. De um salto, levanta-se, apruma-se. Tenta dizer que há tempos vaga, sem sucesso, por aqueles sítios em busca de água, quando ele lhe aponta uma fonte. Majestosa, feita de pedras, ornada pelo musgo que o tempo ali fez brotar, esparramando água em abundância. Surpresa, não consegue se aproximar. É preciso que ele a leve pela mão. Enquanto caminham seus olhares se cruzam rapidamente. Quanto mel! Incapaz de suportar as promessas ali escondidas, fixa-se à fonte. Vasculha os seus pertences e encontrando uma caneca oferece-a ao homem que a recusa dizendo: minha sede é a tua sede. Vem. Sacia-a! É quase uma senha. Farta-se, esparrama-se, encharca-se, lava-se. Reencontra a alegria. As vestes limpas readquirem as cores originais. No marrom da saia, sobressai o branco do avental. Sente-se linda. Acomoda-se ao sol, para que seus longos cabelos sequem e voltem a brilhar. Só então, cria coragem e olha de frente aquele homem. Esforça-se por retribuir toda a aceitação refletida naquele sorriso. A um gesto dele, deita a cabeça em seu colo deleitando-se em ouvir o próprio nome sendo repetido, junto às doces certezas do verdadeiro afeto. Embalada pela suave voz do desconhecido, adormece e sonha. Uma deslumbrante carruagem de fogo chega, vinda dos céus. Embarcam. Aninham-se, e lá se vão. “Duas pontas de um mesmo laço”, finalmente juntas.
Descobre-se seguindo os mesmos rastros deixados por dias e dias de caminhada. Frestas se abrem repentinamente, obrigando-a a estancar. Olha ao redor. A paisagem monótona repete-se à direita, à esquerda, à frente, atrás. Ao alcance da vista, nada que tenha vida. Sons, somente, os do vento insuportável, que sem piedade fere a pele já tão curtida pelo sol. Senta-se.
O pensamento vaga por tempos ingênuos, quando o coração era contente. Olha para o próprio peito, não o vê. Onde o terá esquecido? Indaga pelos amores, se é que existiram. Mas, se não eram reais, por que se foi desfazendo em cada um deles?
É tarde e da secura em que se encontra, nem lágrimas consegue tirar. Põe-se em pé. Talvez encontre algo para beber. Ao longe, a fosforescência, já tão conhecida, da miragem, insistentemente, produzida pelo desejo. Mesmo na desesperança, segue.
O fim da tarde encontra-a trôpega, sedenta, confusa. Parece ver, logo ali uma construção de pedras. Arrasta-se. Está muito perto. Mais um esforço e os sentidos se perdem.
Dá-me de beber, ouve, ainda entorpecida. Surpreende-se, pois não é sua voz a pedir. Contra o sol tem dificuldade em focalizar o contorno a sua frente. Ouve o seu, já quase esquecido, nome sussurrado por aquela voz tão terna que insiste: dá-me de beber. De um salto, levanta-se, apruma-se. Tenta dizer que há tempos vaga, sem sucesso, por aqueles sítios em busca de água, quando ele lhe aponta uma fonte. Majestosa, feita de pedras, ornada pelo musgo que o tempo ali fez brotar, esparramando água em abundância. Surpresa, não consegue se aproximar. É preciso que ele a leve pela mão. Enquanto caminham seus olhares se cruzam rapidamente. Quanto mel! Incapaz de suportar as promessas ali escondidas, fixa-se à fonte. Vasculha os seus pertences e encontrando uma caneca oferece-a ao homem que a recusa dizendo: minha sede é a tua sede. Vem. Sacia-a! É quase uma senha. Farta-se, esparrama-se, encharca-se, lava-se. Reencontra a alegria. As vestes limpas readquirem as cores originais. No marrom da saia, sobressai o branco do avental. Sente-se linda. Acomoda-se ao sol, para que seus longos cabelos sequem e voltem a brilhar. Só então, cria coragem e olha de frente aquele homem. Esforça-se por retribuir toda a aceitação refletida naquele sorriso. A um gesto dele, deita a cabeça em seu colo deleitando-se em ouvir o próprio nome sendo repetido, junto às doces certezas do verdadeiro afeto. Embalada pela suave voz do desconhecido, adormece e sonha. Uma deslumbrante carruagem de fogo chega, vinda dos céus. Embarcam. Aninham-se, e lá se vão. “Duas pontas de um mesmo laço”, finalmente juntas.
(Dedicado à Maria do Egito)
.
terça-feira, abril 12, 2005
INÉRCIA
Entre duros ângulos
Cruzo os dedos.
Tento vôo de andorinha.
Nem se move a parede,
Nem a sombra que nela pousa.
Entro em giro desertor.
Cruzo ombros.
Lanço um olhar de soslaio.
Nem se move a minha alma,
Nem a ave que nela aterra.
Esvazio a minha mente,
Cruzo em prece as mãos,
Pousando-as sobre o peito.
Nem se move este silêncio,
Nem a chaga que ao coração assombra...
(Continuo dedicando a Anselm Grün)
.
Cruzo os dedos.
Tento vôo de andorinha.
Nem se move a parede,
Nem a sombra que nela pousa.
Entro em giro desertor.
Cruzo ombros.
Lanço um olhar de soslaio.
Nem se move a minha alma,
Nem a ave que nela aterra.
Esvazio a minha mente,
Cruzo em prece as mãos,
Pousando-as sobre o peito.
Nem se move este silêncio,
Nem a chaga que ao coração assombra...
(Continuo dedicando a Anselm Grün)
.
terça-feira, abril 05, 2005
SEM EIRA NEM BEIRA
revirei minha bolsa
olhei dentro de armários
vasculhei dicionários
estantes, memórias, instantes
andarilha da alma
me embrenhei por escuros
abecedários vazios
desisti de meu verso invertido
vocabulário perdido
sem eira nem beira
encontrei-me despida
catadora do olhar
em reversa palavra
emprenhei-me da luz
serena a esperar
no prazo o ato
parto de mim
finalmente a dor
há de se cumprir poesia
(Dedicado a Anselm Grün)
>
olhei dentro de armários
vasculhei dicionários
estantes, memórias, instantes
andarilha da alma
me embrenhei por escuros
abecedários vazios
desisti de meu verso invertido
vocabulário perdido
sem eira nem beira
encontrei-me despida
catadora do olhar
em reversa palavra
emprenhei-me da luz
serena a esperar
no prazo o ato
parto de mim
finalmente a dor
há de se cumprir poesia
(Dedicado a Anselm Grün)
>
sábado, abril 02, 2005
TOQUE NA DESPEDIDA
Vôo que não saiu do solo
Mãos que não se tocaram
Meus olhos intactos
Que nunca viram os teus
Fixam a janela vazia
Só tua suave luz
Revela a graça
Da confiante entrega
À Divina Misericórdia
Voa nos cânticos
Das mãos que agora se entrelaçam
Leva junto o meu olhar
Serenado pelos sinais
Que a nós ofereceste
_________________________________
Mãos que não se tocaram
Meus olhos intactos
Que nunca viram os teus
Fixam a janela vazia
Só tua suave luz
Revela a graça
Da confiante entrega
À Divina Misericórdia
Voa nos cânticos
Das mãos que agora se entrelaçam
Leva junto o meu olhar
Serenado pelos sinais
Que a nós ofereceste
_________________________________
Naquele exato instante
Via-te entre brancos e azuis
Abraçava-te
E já eras recebido
Pela misericórdia do Pai
Sem saber, despedia-me
Em meus braços, as nuvens, lembrança
Em teu sorriso, a esperança, coragem
Chegaste
Prossigo...
______________________________
(Dedicado a João Paulo II)
>
.
quarta-feira, março 30, 2005
SEM SENTIDO
,
Lê-me nas tuas entrelinhas
É lá que minh' alma se engata
Quando o coração descarrilha.
(Dedicado a Rollo May)
,
Lê-me nas tuas entrelinhas
É lá que minh' alma se engata
Quando o coração descarrilha.
(Dedicado a Rollo May)
,
domingo, março 27, 2005
POR AMOR
Por amor me transformei no vento
A levar seu eco
A soprar seu canto
Por amor me abri estrela
A iluminar seu rastro
E apagar seu medo
Me tornei criança
Que brinca, que foge
Que corre, que abraça
Por amor eu me fiz mistério
Por amor eu me vi deserto
Olho no olho
Passo a passo
Verbo no verbo
Conquistei caminhos
Por amor me reparti em doze
Me religuei cordeiro
Me transmutei suave
Me transpassei de dores
Entreguei minha voz
Meu corpo, alma e coração
Por amor, por você
Adormeci no inferno
Enfrentei batalhas
Ao terceiro dia
Explodi sublime
Me encontrei sereno
A me recomeçar.
(Dedicado aos amigos que por aqui passam, parceiros na celebração do Amor)
Feliz Páscoa!
.
A levar seu eco
A soprar seu canto
Por amor me abri estrela
A iluminar seu rastro
E apagar seu medo
Me tornei criança
Que brinca, que foge
Que corre, que abraça
Por amor eu me fiz mistério
Por amor eu me vi deserto
Olho no olho
Passo a passo
Verbo no verbo
Conquistei caminhos
Por amor me reparti em doze
Me religuei cordeiro
Me transmutei suave
Me transpassei de dores
Entreguei minha voz
Meu corpo, alma e coração
Por amor, por você
Adormeci no inferno
Enfrentei batalhas
Ao terceiro dia
Explodi sublime
Me encontrei sereno
A me recomeçar.
(Dedicado aos amigos que por aqui passam, parceiros na celebração do Amor)
Feliz Páscoa!
.
terça-feira, março 22, 2005
ROGATIVAS
I
Vem...
Prende-me
Nas doces vagas de teu olhar atônito
Embala-me
Na brisa nobre de tua voz poética
Carrega-me
Com firmeza em tuas pegadas vastas.
Vem...
Transforma-te em oásis
Nas secas dunas de meu coração.
II
Vem...
Traze tuas mãos aladas
Leva-me da ilusão rasteira
Para um concreto vôo.
Rapta-me em arroubo e ar.
Faze-me
Volteio em sonhos
Sobrevoando mares.
Cumpre-te
Escancarado anseio
Planando por desertos.
Seremos
Sede e alento,
Hálito em aspiração,
Dúvida na certeza,
Involuta revoada.
Aves livres na presença
Da tormenta serenada.
Vem!
(Dedicado a Santa Catarina de Siena)
___________________________
Continuo com saudades... Beijos, carinho.
.
Vem...
Prende-me
Nas doces vagas de teu olhar atônito
Embala-me
Na brisa nobre de tua voz poética
Carrega-me
Com firmeza em tuas pegadas vastas.
Vem...
Transforma-te em oásis
Nas secas dunas de meu coração.
II
Vem...
Traze tuas mãos aladas
Leva-me da ilusão rasteira
Para um concreto vôo.
Rapta-me em arroubo e ar.
Faze-me
Volteio em sonhos
Sobrevoando mares.
Cumpre-te
Escancarado anseio
Planando por desertos.
Seremos
Sede e alento,
Hálito em aspiração,
Dúvida na certeza,
Involuta revoada.
Aves livres na presença
Da tormenta serenada.
Vem!
(Dedicado a Santa Catarina de Siena)
___________________________
Continuo com saudades... Beijos, carinho.
.
sábado, março 19, 2005
NOVAS ÁGUAS
o que pede a elas
meu coração delirante
um rio de trocas
porto de passagem
uma paixão tropical
miragem do mar
silêncio amoroso
amarrado nas amarras
do atol enxurrada
só uma vez
revés de aluvião anseio
o que pede a elas
meu coração insensato
que, ora se encharca, ora se encolhe
em afogada calmaria
meu espanto, meu pranto
meu confronto e meu conforto
minha desolação
uma vez só uma vez
no mistério das ondas
se destino sede escolha
quem me dera
ser-te apenas navegante.
(São José, pelo menos hoje, no nosso dia, responde-me...)
(Algum tempo depois, já ouço tua voz. Obrigada.)
_______________________________
Preciso dizer aos amigos que por dificuldades técnicas não tenho retribuído às visitas.
Em breve estarei matando minha enorme saudade. Agradeço a todos pela paciência e...
Beijos, carinho.
,
meu coração delirante
um rio de trocas
porto de passagem
uma paixão tropical
miragem do mar
silêncio amoroso
amarrado nas amarras
do atol enxurrada
só uma vez
revés de aluvião anseio
o que pede a elas
meu coração insensato
que, ora se encharca, ora se encolhe
em afogada calmaria
meu espanto, meu pranto
meu confronto e meu conforto
minha desolação
uma vez só uma vez
no mistério das ondas
se destino sede escolha
quem me dera
ser-te apenas navegante.
(São José, pelo menos hoje, no nosso dia, responde-me...)
(Algum tempo depois, já ouço tua voz. Obrigada.)
_______________________________
Preciso dizer aos amigos que por dificuldades técnicas não tenho retribuído às visitas.
Em breve estarei matando minha enorme saudade. Agradeço a todos pela paciência e...
Beijos, carinho.
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quarta-feira, março 16, 2005
ÁGUAS DE MARÇO
dizem que fecham o verão
(mas)
sequer sabemos os rumos dos colchões
que a enxurrada carrega.
tampas de fogões,
brinquedos boiando nos becos,
um pé de sapato pobre descalço
(o que terá sido de seu par)
são águas banhadas na acidez
que o progresso expele,
trazendo para as calçadas
a incapacidade humana de se humanizar.
águas de março,
procura de vida,
mortificando o que resta
até o outono chegar.
para o povo penitente
que já não mais se agüenta
sendo alagação e enxurro,
águas de março,
que tragam o diferente
ânimo lavando canseira,
aquela semente regada
na corredeira da esperança...
a mudança de estação.
(Enviado a São José)
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(mas)
sequer sabemos os rumos dos colchões
que a enxurrada carrega.
tampas de fogões,
brinquedos boiando nos becos,
um pé de sapato pobre descalço
(o que terá sido de seu par)
são águas banhadas na acidez
que o progresso expele,
trazendo para as calçadas
a incapacidade humana de se humanizar.
águas de março,
procura de vida,
mortificando o que resta
até o outono chegar.
para o povo penitente
que já não mais se agüenta
sendo alagação e enxurro,
águas de março,
que tragam o diferente
ânimo lavando canseira,
aquela semente regada
na corredeira da esperança...
a mudança de estação.
(Enviado a São José)
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quarta-feira, março 09, 2005
O OLHAR POÉTICO
Alguns pensamentos desconexos...
Se procuro o que é bom e belo tendo-os de antemão definidos, restrinjo a minha busca a um simples olhar no espelho.
Vejo-me, narcísica, a me contemplar e a realimentar minha cegueira.
Moldura apagada, deixada à sombra, é tudo o que está ao meu redor.
É o olhar da ignorância, da incompreensão, do desdém. Nega a existência da vida. Aparta e divide. É capaz de destruir e aniquilar.
Mas toda aventura humana que se traduziu no bem e no belo, partiu do olhar poético de alguém sobre o mundo, sobre o outro, sobre as coisas.
O olhar alfabetizado na sintaxe da poesia concentra-se, também, fora de si mesmo. Observa, apreende. Contempla. Permite-se a abertura dos sentidos, decifrando e aceitando o sentido inerente a tudo.
Sem sentimentalismo, o que torna uma coisa bonita ou feia é o meu olhar sobre ela.
Se é de aceitação, o cosmo, a mim, se revela. Sai das trevas.
Se é de interesse, o outro, a mim, se desvela. É compreendido. Ilumina-se. Ao se iluminar acaba por iluminar-me.
O olhar poético, o da emoção e do sentimento, leva-me ao encontro do outro, trazendo-o para mim. Na aproximação, a descoberta da beleza e da bondade, atributos de todos os seres humanos.
A visão poética é assim, humanizante.
A única capaz de ler "os vestígios de esperança que tornam a vida mais humana".
A única capaz de fazer da vida uma possibilidade concreta, verdadeiramente boa, verdadeiramente bela.
.
... e como é bom delirar.
.
(Dedicado a todos os blog-amigos, parceiros pelos caminhos dos delírios poéticos.)
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Se procuro o que é bom e belo tendo-os de antemão definidos, restrinjo a minha busca a um simples olhar no espelho.
Vejo-me, narcísica, a me contemplar e a realimentar minha cegueira.
Moldura apagada, deixada à sombra, é tudo o que está ao meu redor.
É o olhar da ignorância, da incompreensão, do desdém. Nega a existência da vida. Aparta e divide. É capaz de destruir e aniquilar.
Mas toda aventura humana que se traduziu no bem e no belo, partiu do olhar poético de alguém sobre o mundo, sobre o outro, sobre as coisas.
O olhar alfabetizado na sintaxe da poesia concentra-se, também, fora de si mesmo. Observa, apreende. Contempla. Permite-se a abertura dos sentidos, decifrando e aceitando o sentido inerente a tudo.
Sem sentimentalismo, o que torna uma coisa bonita ou feia é o meu olhar sobre ela.
Se é de aceitação, o cosmo, a mim, se revela. Sai das trevas.
Se é de interesse, o outro, a mim, se desvela. É compreendido. Ilumina-se. Ao se iluminar acaba por iluminar-me.
O olhar poético, o da emoção e do sentimento, leva-me ao encontro do outro, trazendo-o para mim. Na aproximação, a descoberta da beleza e da bondade, atributos de todos os seres humanos.
A visão poética é assim, humanizante.
A única capaz de ler "os vestígios de esperança que tornam a vida mais humana".
A única capaz de fazer da vida uma possibilidade concreta, verdadeiramente boa, verdadeiramente bela.
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... e como é bom delirar.
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(Dedicado a todos os blog-amigos, parceiros pelos caminhos dos delírios poéticos.)
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terça-feira, março 08, 2005
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
O que dizer para a mulher espancada pelo marido bêbado, desempregado crônico.
O que dizer para ela que, ainda por cima, ouve da vizinha de barraco – se apanhou foi porque mereceu.
O que vou dizer para a mulher-menina que mal alcança a janela do carro, quando ela dança na boquinha da garrafa, em troca de um trocado. O que dizer, quando é recompensada por algum safado.
O que posso falar para a mulher, mãe a espera do filho na porta da FEBEM, quando recebe de volta um cadáver, sem uma justificativa ao menos.
Que respostas dou à mulher arrastando os próprios filhos por uma cidade que os chuta como se fossem trastes.
Como encarar a mulher que deu tudo o que tinha para salvar a vida do filho jurado de morte tão cedo.
E aquela que mesmo trabalhando dobrado recebe a metade.
O que responder para a mulher-gerente-de-rh que diz para outra – você é bonita demais, inteligente demais, não tem o perfil.
Como me dirigir à mulher-pura que olha para outra mulher com olhar de desdém.
Como conversar com a mãe, orgulhosa do filho, que com apenas 13 anos já é um pegador de menininhas. E com as mães das menininhas.
E com a que instiga o filho - se apanhar na rua tem que bater.
O que comemorar com mulheres-damas-de-ferro, as que contrariam o destino, parindo a guerra.
Estou sem ter o que dizer.
De repente a memória me traz a figura sorridente da Ir. Dorothy... aquela que mesmo abençoando seus assassinos não conseguiu estancar o disparo da intolerância.
Quisera fazer festa. Mas frente à tanta insanidade... só consigo gritar.
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O que dizer para ela que, ainda por cima, ouve da vizinha de barraco – se apanhou foi porque mereceu.
O que vou dizer para a mulher-menina que mal alcança a janela do carro, quando ela dança na boquinha da garrafa, em troca de um trocado. O que dizer, quando é recompensada por algum safado.
O que posso falar para a mulher, mãe a espera do filho na porta da FEBEM, quando recebe de volta um cadáver, sem uma justificativa ao menos.
Que respostas dou à mulher arrastando os próprios filhos por uma cidade que os chuta como se fossem trastes.
Como encarar a mulher que deu tudo o que tinha para salvar a vida do filho jurado de morte tão cedo.
E aquela que mesmo trabalhando dobrado recebe a metade.
O que responder para a mulher-gerente-de-rh que diz para outra – você é bonita demais, inteligente demais, não tem o perfil.
Como me dirigir à mulher-pura que olha para outra mulher com olhar de desdém.
Como conversar com a mãe, orgulhosa do filho, que com apenas 13 anos já é um pegador de menininhas. E com as mães das menininhas.
E com a que instiga o filho - se apanhar na rua tem que bater.
O que comemorar com mulheres-damas-de-ferro, as que contrariam o destino, parindo a guerra.
Estou sem ter o que dizer.
De repente a memória me traz a figura sorridente da Ir. Dorothy... aquela que mesmo abençoando seus assassinos não conseguiu estancar o disparo da intolerância.
Quisera fazer festa. Mas frente à tanta insanidade... só consigo gritar.
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domingo, março 06, 2005
ENTRE ASPAS
Amar... apesar de tudo!
Amar... apesar do medo, da ansiedade, da angústia, da incerteza.
Amar... apesar do passado, do futuro... apesar do presente.
Amar... apesar dos impasses, das dificuldades, dos problemas.
Amar... apesar das impossibilidades.
Amar... apesar do mal, da destruição, da ameaça, do coração de pedra.
Amar... apesar da separação, da indefinição.
Amar... apesar da sombra.
Amar... apesar do outro.
Amar... apesar de mim.
Amar... apesar de Deus.
Amar...
Hoje, mais que nunca, amar.
Amar... a porta que dá acesso ao jardim.
A poesia acima foi extraída do livro “Amar... apesar de tudo” de Jean-Yves Leloup, filósofo, padre ortodoxo (hesicasta), teólogo, autor de numerosas obras de espiritualidade, conferencista. Primeiro livro dele que li. Ou fui por ele relida. Este olhar, o libertador, o da independência, me acompanha desde então. Nada mais me prende se apreendo as dimensões do amar. Procuro ir em frente, apesar dos pesares. E no titubeio, volto-me para este olhar e me deixo olhar também.
Dedicado às mulheres.
Dedicado aos homens.
Dedicado às jovens, aos jovens, às crianças.
Dedicado a todos, enfim, seja qual for o credo, a raça, a classe social, a profissão.
Pois chegará o tempo em que não haverá mais necessidade de um dia para a mulher.
Todos os 365, serão do Amor.
Apesar de...
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Amar... apesar do medo, da ansiedade, da angústia, da incerteza.
Amar... apesar do passado, do futuro... apesar do presente.
Amar... apesar dos impasses, das dificuldades, dos problemas.
Amar... apesar das impossibilidades.
Amar... apesar do mal, da destruição, da ameaça, do coração de pedra.
Amar... apesar da separação, da indefinição.
Amar... apesar da sombra.
Amar... apesar do outro.
Amar... apesar de mim.
Amar... apesar de Deus.
Amar...
Hoje, mais que nunca, amar.
Amar... a porta que dá acesso ao jardim.
A poesia acima foi extraída do livro “Amar... apesar de tudo” de Jean-Yves Leloup, filósofo, padre ortodoxo (hesicasta), teólogo, autor de numerosas obras de espiritualidade, conferencista. Primeiro livro dele que li. Ou fui por ele relida. Este olhar, o libertador, o da independência, me acompanha desde então. Nada mais me prende se apreendo as dimensões do amar. Procuro ir em frente, apesar dos pesares. E no titubeio, volto-me para este olhar e me deixo olhar também.
Dedicado às mulheres.
Dedicado aos homens.
Dedicado às jovens, aos jovens, às crianças.
Dedicado a todos, enfim, seja qual for o credo, a raça, a classe social, a profissão.
Pois chegará o tempo em que não haverá mais necessidade de um dia para a mulher.
Todos os 365, serão do Amor.
Apesar de...
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sexta-feira, março 04, 2005
SOU CAIPIRA PIRA-PORA-NOSSA
Eu não consigo andar bem
Vivo o maior rebuliço
Chego a imaginar também
Que me puseram feitiço
Sempre muito magoada
Sempre muito saudosa
Não levo a vida ditosa
De mulher apaixonada
Mas há algo que existe
A coisa até que é jeitosa
Meu coração não resiste
Pois é graça preciosa
No doce toque da viola
Tudo muda de repente
É ela quem me consola
De triste, passo a contente
Ao pontear com o Almir
Me arrasta Renato Teixeira
Ensaio um novo sorrir
Sinto-me até mais faceira
Arrisco meu sonho de amor
Com cheiro de mato apeiro
Rendo-me ao vivo calor
Ardendo não só co’a viola
Se em brasa me olha o violeiro
(Dedicado a Patativa do Assaré)
Vivo o maior rebuliço
Chego a imaginar também
Que me puseram feitiço
Sempre muito magoada
Sempre muito saudosa
Não levo a vida ditosa
De mulher apaixonada
Mas há algo que existe
A coisa até que é jeitosa
Meu coração não resiste
Pois é graça preciosa
No doce toque da viola
Tudo muda de repente
É ela quem me consola
De triste, passo a contente
Ao pontear com o Almir
Me arrasta Renato Teixeira
Ensaio um novo sorrir
Sinto-me até mais faceira
Arrisco meu sonho de amor
Com cheiro de mato apeiro
Rendo-me ao vivo calor
Ardendo não só co’a viola
Se em brasa me olha o violeiro
(Dedicado a Patativa do Assaré)
quarta-feira, março 02, 2005
O ECO - A SEDE - O AMOR
dá-me de beber. .tenho sede.. olha o fundo do teu poço escuro.. amedronta-me este desejo que não tem fim.. estarei junto a ti.. o deserto ressecou meu coração.. a água foi derramada em todos os corações.. espero por aquele que me saciará
todas as sedes.. eu sou a água viva.. mas eras tu a me pedir o que beber..
a esperança não decepciona.. nem sequer tens uma caneca.. beberei junto a ti..
e me arrancarás do deserto?. sim, mata a minha sede.. é da minha secura a tua sede!. vem, dá-me de beber, pois é desta sede que falo.. agora pressinto..
vem, somos. . .... o amor!. o amor, vem.
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(Referência: Leituras do Terceiro Domingo da Quaresma)
segunda-feira, fevereiro 28, 2005
FIM DE SEMANA
os manuscritos do mar morto
antigo antro de tortura despe-se da maldição e se faz magia
a tempestade cai inunda a alma e estanca o tempo
no palco para o tesouro trazido de qumran
o passado se faz presente
apresenta-se em fragmentos de como tudo começou
pequenas tiras de couro, jarros, moedas, lamparinas,
iluminando o imaginário trazendo a ancestralidade
estão à minha frente os indícios
os salmos cantados lá são os mesmos que canto aqui
a sede que matava essênios é a mesma que agora abate
embora cisternas mostrem a busca de purificação
o pão, o vinho nas mesas altares da comunidade
cenas repetidas vozes
a fé se rende à razão.
ecos da esperança
tanto que o povo esperou chegou-me na parábola
do poço fundo do desejo, cinco sentidos dirpersos
em vida que não se sacia
aquela mulher pecadora, samaritana impura
viu de perto a água viva do amor
desperta para um sexto sentido
irriga o seco deserto
pequenas gotas, torrentes
inundam a razão com esperança
o eco - dá-me de beber - foi a senha
e ela nunca mais teve sede.
(Dedicado a João, o reverberador)
antigo antro de tortura despe-se da maldição e se faz magia
a tempestade cai inunda a alma e estanca o tempo
no palco para o tesouro trazido de qumran
o passado se faz presente
apresenta-se em fragmentos de como tudo começou
pequenas tiras de couro, jarros, moedas, lamparinas,
iluminando o imaginário trazendo a ancestralidade
estão à minha frente os indícios
os salmos cantados lá são os mesmos que canto aqui
a sede que matava essênios é a mesma que agora abate
embora cisternas mostrem a busca de purificação
o pão, o vinho nas mesas altares da comunidade
cenas repetidas vozes
a fé se rende à razão.
ecos da esperança
tanto que o povo esperou chegou-me na parábola
do poço fundo do desejo, cinco sentidos dirpersos
em vida que não se sacia
aquela mulher pecadora, samaritana impura
viu de perto a água viva do amor
desperta para um sexto sentido
irriga o seco deserto
pequenas gotas, torrentes
inundam a razão com esperança
o eco - dá-me de beber - foi a senha
e ela nunca mais teve sede.
(Dedicado a João, o reverberador)
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
CANTA COMIGO O MEU REFRÃO
Afivelo as malas da covardia e montada nas asas dos ventos
vou de encontro à barreira do nada.
...................................................................voa-vida-visa-o-vento
...................................................................vinte-vezes-vent-o-ar
Os compromissos se perdem.
Os desafetos se ralam
e as aparências das coisas desaparecem
nas transparências do medo.
É assim, mansamente que a caçada começa.
Despojada do absoluto, sem lembranças,
sem a prepotência antiga
vou saindo do passado.
Não é a placidez o que busco.
Nem a esperança de uma ação lúcida,
nem tão-pouco o sentido do universo
(o que na verdade é tão pouco).
Agora só ouço a dança na praça, não nego
o começo do sangue, não vejo a cabeça que se foi.
Afivelo as malas da fantasia, acomodo as miçangas no cinto
e nem sinto a presença da posse.
...................................................................voa-vida-visa-o-vento
...................................................................vinte-vezes-vent-o-ar
Loba, seu presente...
É só resolver com quem e sair cantando.
No sábado ensolarado... Feliz aniversário!
vou de encontro à barreira do nada.
...................................................................voa-vida-visa-o-vento
...................................................................vinte-vezes-vent-o-ar
Os compromissos se perdem.
Os desafetos se ralam
e as aparências das coisas desaparecem
nas transparências do medo.
É assim, mansamente que a caçada começa.
Despojada do absoluto, sem lembranças,
sem a prepotência antiga
vou saindo do passado.
Não é a placidez o que busco.
Nem a esperança de uma ação lúcida,
nem tão-pouco o sentido do universo
(o que na verdade é tão pouco).
Agora só ouço a dança na praça, não nego
o começo do sangue, não vejo a cabeça que se foi.
Afivelo as malas da fantasia, acomodo as miçangas no cinto
e nem sinto a presença da posse.
...................................................................voa-vida-visa-o-vento
...................................................................vinte-vezes-vent-o-ar
***
Loba, seu presente...
É só resolver com quem e sair cantando.
No sábado ensolarado... Feliz aniversário!
quarta-feira, fevereiro 23, 2005
O ALPENDRE
Muito pano pra manga
Um bule de café boca de pito
Cadeiras de vime ou palha
Tem até som de viola
Sofrida sina cabocla
Desafinando em terças
Trazendo cheiro de mato
O tempo parou neste alpendre
Almas em simples prazer
Afogadas no reencontro
A reacender a fogueira
Grilos fazendo coro
O pio da coruja confirma
Conversa jogada fora
Sentido calando dentro.
Quanto mais mato a saudade
Mais a danada aumenta.
(Dedicado a Almir Sater)
.
Um bule de café boca de pito
Cadeiras de vime ou palha
Tem até som de viola
Sofrida sina cabocla
Desafinando em terças
Trazendo cheiro de mato
O tempo parou neste alpendre
Almas em simples prazer
Afogadas no reencontro
A reacender a fogueira
Grilos fazendo coro
O pio da coruja confirma
Conversa jogada fora
Sentido calando dentro.
Quanto mais mato a saudade
Mais a danada aumenta.
(Dedicado a Almir Sater)
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sábado, fevereiro 19, 2005
UM QUASE TUDO QUASE NADA
.
"extar"
é quase um desalento
é quase todo o tormento
é quase meu sofrimento
é quase uma solidão
é quase recusa e entrega
é quase o esquecimento
:
quisera fora
quase eternamente
.
(Dedicado a Rosileny Alves dos Santos)
.
quarta-feira, fevereiro 16, 2005
Auto-Definindo-Alto
De Adélia ou felipa quero os resmungos,
As queixas imaginárias ou reais
Seu embate enlevo com sagrados véus
As madeixas da sabedoria plena
Um carlos poeta de imperativo incêndio
Que me sussurre assim como a ela
Um desdobrável peito feito ladeira acima
As queixas imaginárias ou reais
Seu embate enlevo com sagrados véus
As madeixas da sabedoria plena
Um carlos poeta de imperativo incêndio
Que me sussurre assim como a ela
Um desdobrável peito feito ladeira acima
De ti, Adélia, invejo e confesso
Mais do que a poética, roubo-te
Mais do que a poética, roubo-te
A maturidade, a aceitação mineira
Do fortuito, do inevitável e da busca
No profano o que divino resta
Serena palavra ao encontro de ti mesma
De verdade tanta incontestável manto
Quero como tu, entardecer-me fé
Do fortuito, do inevitável e da busca
No profano o que divino resta
Serena palavra ao encontro de ti mesma
De verdade tanta incontestável manto
Quero como tu, entardecer-me fé
De Teresa o que posso dizer
Furto-lhe a cadência e a elegância
Em feroz contenda, defesa firme da fé
Um joão santo poeta que em glosa seja
Arrebatado por meu verbo, verso amar
O fino e ferino humor, a sensualidade
Anseio de Deus feito fogo ardente
.
De ti, Teresa, invejo e confesso,
Mais do que a visão profética, roubo-te
O desejo da morte, se está longe o amado
A coragem santa expondo o próprio ventre
Alegria na agonia da entrega
Em labaredas ao abraço de Jesus
Espero ao anoitecer-me fé
Queimar-me na verdade como tu fizeste
Mais do que a visão profética, roubo-te
O desejo da morte, se está longe o amado
A coragem santa expondo o próprio ventre
Alegria na agonia da entrega
Em labaredas ao abraço de Jesus
Espero ao anoitecer-me fé
Queimar-me na verdade como tu fizeste
.
Nos Campos quanto há mais para se voejar
Roubo-lhes o arejado em rente
A ruptura, o descontínuo espaço
Desconstrução real
Falácia verdadeira
Verso em espiral
Rima derradeira
Traços no papel.
Roubo-lhes o arejado em rente
A ruptura, o descontínuo espaço
Desconstrução real
Falácia verdadeira
Verso em espiral
Rima derradeira
Traços no papel.
mão escrevente mente crendo a teia
sorvido laço em suave e complacente ardor
e o que mais aspirar posso do viver na expressão
(Dedicado ao Pai que um dia há de explicar os motivos do meu sempre querer se é para nunca alcançar)
O DESFECHO
Um estrondo, um grito:
- Ai, meu Deus!
Os três, como que petrificados, olham-se perplexos:
- Marinalva! O que você está fazendo aqui?
Do chão, ainda sobre a mesinha espatifada...
- Ai, desculpa... é que esqueci... desculpa...os olhos arregalados...
Voltando do estado catatônico, ele arranca a manta que fora cuidadosa e displicentemente ajeitada sobre o sofá e a enrola na cintura.
Ela se abaixa e ajuda Marinalva a se levantar:
- Desculpa... é que esqueci...
- Esqueceu o quê, mulher?
- Esqueci... ai, dona Adélia, deixa eu arrumar... me desculpa...
- Não vai arrumar nada! Vai para casa, Marinalva... Ai, não, meu cristal!
Estilhaçado, em mil pedaços, o cristal. Põe-se a chorar descontroladamente. Abaixa-se tentando recolher o que restara.
- Desculpa... é que... é que...
Interrompendo a gagueira choraminguenta de Marinalva ele a encaminha para fora da sala.
- É melhor você ir agora.
- É que tenho que...
- Vai Marinalva... amanhã, amanhã...
Volta-se para Adélia, ajoelhada sobre o brilho do tapete.
Pega-a pela mão, acomoda-a no sofá, afofa as almofadas, dirige-se para a eletrola e deixa que Cole Porter inunde a sala pela voz de Kiri.
Adélia, enquanto ele se aproxima, ainda convulsa, não pode deixar de pensar que já devia ter trocado aquela manta. Não sabe por que, de repente, aqueles sóis e luas começaram a incomodar... e as estrelinhas, tão desbotadas, coitadas, a própria alma...
Da cozinha, um som estridente. Marinalva, estabanada, deve ter tropeçado em alguma coisa antes de ir embora batendo a porta com novo estrondo. Mesmo assim, como gosta daquela que tanto a tem ajudado. Uma vida. Até os netinhos ela os tem estragado com mimos.
Em definitivo, a sós.
Nem notara que a mão sangrava e que ele, já sentado ao seu lado, delicadamente tentava arrancar-lhe o caquinho.
Um beijo sobre o corte, corta o choro.
Sente o calor daquela mão que continua a prender a sua. A outra, alisa-lhe os cabelos.
Alguns soluços meio às palavras.
- Lembra-se de quando ela escondeu, no forno o boletim da...
- E quase põe fogo na casa... ?
- E o dia em que a bandeja foi inteira para o colo de dona... ?
- Como você ficou histérica quando ela quebrou a imagem de Nossa Senhora das Candeias... !
Rindo, nem conseguem completar as lembranças.
- E agora, onde é que vou arrumar as suas rosas das sextas?
Adélia se espanta com a própria voz perguntando e leva a mão à boca na tentativa de conter o que pensa.
Olham-se. Percebem-se. Revivem-se.
Quando o riso de ambos se acalma, Jonathan começa a sussurrar.
Ela reconhece de imediato a primeira poesia que fez para ele. Aquela que falava do poder do olhar, do entrelaçar das mãos, da carícia nos cabelos. Delírios da juventude.
- Você ainda sabe de cor?
- Como poderia esquecer do aviso... de que estaríamos irremediavelmente atados... sorri...
Olham-se com afeto.
Em silêncio, acompanham Cole Porter.
Há quanto tempo! Por onde será que eu andei? pensa Jonathan. Entrega-se ao calor contido do corpo de sua mulher.
Adélia, com a cabeça sobre aquele ombro espadaúdo e bronzeado que bem conhece, pensa que amanhã deve sair para escolher a nova manta. Agora uma com estampa mais geométrica, talvez, e aproveitar para comprar outro vaso, quem sabe um chinês... suspira, sente o cheiro que exala do corpo de seu homem.
- Ah, quanto tempo!
Passa-lhe pela cabeça que precisa providenciar outra imagem da Senhora das Candeias.
E nada mais. Os pensamentos se apagam.
Nossa amiga Loba vem promovendo, semanalmente, verdadeiras oficinas de redação. Em uma delas desafiava-nos a terminar um conto. Resumo aqui o início da história. Uma mulher sofrida, insatisfeita com o tédio da vida de casada dirige-se ao marido dizendo querer o divórcio. Ele, sem responder, começa a tirar a roupa, na tentativa de seduzi-la. A partir deste ponto, desenvolvi o texto acima que foi publicado no lobabh.zip.net, no dia 04/02/2005, junto com as criações de todos os blogueiros que participaram da brincadeira. O meu post anterior ao de hoje, Aviso, é fruto da mesma oficina.
(Loba, hoje dedico a você.)
- Ai, meu Deus!
Os três, como que petrificados, olham-se perplexos:
- Marinalva! O que você está fazendo aqui?
Do chão, ainda sobre a mesinha espatifada...
- Ai, desculpa... é que esqueci... desculpa...os olhos arregalados...
Voltando do estado catatônico, ele arranca a manta que fora cuidadosa e displicentemente ajeitada sobre o sofá e a enrola na cintura.
Ela se abaixa e ajuda Marinalva a se levantar:
- Desculpa... é que esqueci...
- Esqueceu o quê, mulher?
- Esqueci... ai, dona Adélia, deixa eu arrumar... me desculpa...
- Não vai arrumar nada! Vai para casa, Marinalva... Ai, não, meu cristal!
Estilhaçado, em mil pedaços, o cristal. Põe-se a chorar descontroladamente. Abaixa-se tentando recolher o que restara.
- Desculpa... é que... é que...
Interrompendo a gagueira choraminguenta de Marinalva ele a encaminha para fora da sala.
- É melhor você ir agora.
- É que tenho que...
- Vai Marinalva... amanhã, amanhã...
Volta-se para Adélia, ajoelhada sobre o brilho do tapete.
Pega-a pela mão, acomoda-a no sofá, afofa as almofadas, dirige-se para a eletrola e deixa que Cole Porter inunde a sala pela voz de Kiri.
Adélia, enquanto ele se aproxima, ainda convulsa, não pode deixar de pensar que já devia ter trocado aquela manta. Não sabe por que, de repente, aqueles sóis e luas começaram a incomodar... e as estrelinhas, tão desbotadas, coitadas, a própria alma...
Da cozinha, um som estridente. Marinalva, estabanada, deve ter tropeçado em alguma coisa antes de ir embora batendo a porta com novo estrondo. Mesmo assim, como gosta daquela que tanto a tem ajudado. Uma vida. Até os netinhos ela os tem estragado com mimos.
Em definitivo, a sós.
Nem notara que a mão sangrava e que ele, já sentado ao seu lado, delicadamente tentava arrancar-lhe o caquinho.
Um beijo sobre o corte, corta o choro.
Sente o calor daquela mão que continua a prender a sua. A outra, alisa-lhe os cabelos.
Alguns soluços meio às palavras.
- Lembra-se de quando ela escondeu, no forno o boletim da...
- E quase põe fogo na casa... ?
- E o dia em que a bandeja foi inteira para o colo de dona... ?
- Como você ficou histérica quando ela quebrou a imagem de Nossa Senhora das Candeias... !
Rindo, nem conseguem completar as lembranças.
- E agora, onde é que vou arrumar as suas rosas das sextas?
Adélia se espanta com a própria voz perguntando e leva a mão à boca na tentativa de conter o que pensa.
Olham-se. Percebem-se. Revivem-se.
Quando o riso de ambos se acalma, Jonathan começa a sussurrar.
Ela reconhece de imediato a primeira poesia que fez para ele. Aquela que falava do poder do olhar, do entrelaçar das mãos, da carícia nos cabelos. Delírios da juventude.
- Você ainda sabe de cor?
- Como poderia esquecer do aviso... de que estaríamos irremediavelmente atados... sorri...
Olham-se com afeto.
Em silêncio, acompanham Cole Porter.
Há quanto tempo! Por onde será que eu andei? pensa Jonathan. Entrega-se ao calor contido do corpo de sua mulher.
Adélia, com a cabeça sobre aquele ombro espadaúdo e bronzeado que bem conhece, pensa que amanhã deve sair para escolher a nova manta. Agora uma com estampa mais geométrica, talvez, e aproveitar para comprar outro vaso, quem sabe um chinês... suspira, sente o cheiro que exala do corpo de seu homem.
- Ah, quanto tempo!
Passa-lhe pela cabeça que precisa providenciar outra imagem da Senhora das Candeias.
E nada mais. Os pensamentos se apagam.
* * *
Nossa amiga Loba vem promovendo, semanalmente, verdadeiras oficinas de redação. Em uma delas desafiava-nos a terminar um conto. Resumo aqui o início da história. Uma mulher sofrida, insatisfeita com o tédio da vida de casada dirige-se ao marido dizendo querer o divórcio. Ele, sem responder, começa a tirar a roupa, na tentativa de seduzi-la. A partir deste ponto, desenvolvi o texto acima que foi publicado no lobabh.zip.net, no dia 04/02/2005, junto com as criações de todos os blogueiros que participaram da brincadeira. O meu post anterior ao de hoje, Aviso, é fruto da mesma oficina.
(Loba, hoje dedico a você.)
domingo, fevereiro 13, 2005
AVISO
Se me queres a ti cativa
Olha-me fundo nos olhos.
Desvendarás meus segredos,
Devolver-te-ei o olhar,
Revelarás teus anseios,
E verás meu sentir
Capturado nos olhos teus.
A seguir, toca levemente meus cabelos.
Desembaraça o nó das idéias desalinhadas,
Encontra a ponta dos pensamentos malbaratados.
Puxa-a para ti e terás a posse de minha razão.
Por fim, entrelaça a tua mão na minha mão,
Desperta o meu pulsar.
Sentirás a cadência de um coração acorrentado.
Mas, antes que se fechem as algemas,
Devo avisar-te dos perigos que corres.
Ter-me-ás inteira a ti ligada,
Serás carcereiro do meu ser,
E eu detenta de teu bem-querer.
E nesta hora, doce carcereiro,
Numa ironia das que a vida, às vezes, oferece,
(Felicidade suprema!)
Estarás irremediàvelmente atado a mim,
Prisioneiro que és, de todo aquele que aprisionas.
(Inspirado por Jonathan)
Olha-me fundo nos olhos.
Desvendarás meus segredos,
Devolver-te-ei o olhar,
Revelarás teus anseios,
E verás meu sentir
Capturado nos olhos teus.
A seguir, toca levemente meus cabelos.
Desembaraça o nó das idéias desalinhadas,
Encontra a ponta dos pensamentos malbaratados.
Puxa-a para ti e terás a posse de minha razão.
Por fim, entrelaça a tua mão na minha mão,
Desperta o meu pulsar.
Sentirás a cadência de um coração acorrentado.
Mas, antes que se fechem as algemas,
Devo avisar-te dos perigos que corres.
Ter-me-ás inteira a ti ligada,
Serás carcereiro do meu ser,
E eu detenta de teu bem-querer.
E nesta hora, doce carcereiro,
Numa ironia das que a vida, às vezes, oferece,
(Felicidade suprema!)
Estarás irremediàvelmente atado a mim,
Prisioneiro que és, de todo aquele que aprisionas.
(Inspirado por Jonathan)
terça-feira, fevereiro 08, 2005
FELIZES
OS
QUE
PROMOVEM
A
PAZ
Mandamentos da paz solidária
Saber colocar-se no lugar do outro.
Não responder à violência com violência.
Promover o diálogo.
Interessar-se pela comunidade.
Descobrir e valorizar o que há de positivo nas pessoas.
Fazer parcerias, juntar forças.
Cuidar das causas dos problemas.
Conhecer e usar os recursos legais.
Não ficar em silêncio diante da injustiça.
Cultivar a espiritualidade da esperança e da reconciliação.
OS
QUE
PROMOVEM
A
PAZ
Mandamentos da paz solidária
Saber colocar-se no lugar do outro.
Não responder à violência com violência.
Promover o diálogo.
Interessar-se pela comunidade.
Descobrir e valorizar o que há de positivo nas pessoas.
Fazer parcerias, juntar forças.
Cuidar das causas dos problemas.
Conhecer e usar os recursos legais.
Não ficar em silêncio diante da injustiça.
Cultivar a espiritualidade da esperança e da reconciliação.
Oração Ecumênica
Ó Senhor, Deus da vida,
que cuidas de toda criação, dá-nos a paz!
Que a nossa segurança não venha das armas, mas do respeito.
Que nossa força não seja a violência, mas o amor.
Que nossa riqueza não seja o dinheiro, mas a partilha.
Que nosso caminho não seja a ambição, mas a justiça.
Que nossa vitória não seja a vingança, mas o perdão.
Desarmados e confiantes, queremos defender
a dignidade de toda criação, partilhando,
hoje e sempre, o pão da solidariedade e da paz.
Por Jesus Cristo teu Filho divino, nosso irmão,
que, feito vítima da nossa violência,
ainda do alto da cruz, deu a todos o teu perdão.
Amém!
“Um mandamento novo eu vos dou: amai-vos uns aos outros.
Como eu vos amei, vós também amai-vos uns aos outros.
Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos:
Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos:
no amor que tiverdes uns para com os outros”
(Jo 13,34-35).
Campanha da Fraternidade-2005 Ecumênica
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC
(Jo 13,34-35).
Campanha da Fraternidade-2005 Ecumênica
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC
(Fonte: Manual de orientação para a Campanha da Fraternidade/2005 - Editora Salesiana)
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
BRINCANDO DE RODA
Esperando por você
me vesti com meu sonho mais bonito
me pintei com as cores da lembrança e
perfumei meu corpo com o aroma da saudade.
Esperando por você
voei a vida, fiz planos loucos
fui Marília, Josefina, Madalena
fiz asa delta, pedalei a bicicleta
peguei gripe e catapora
saltei pelos muros da agonia e
fiz de conta que as contas não se ajustam.
Esperando por você
transformei a poesia em absurdo
o carinho em desencontro
a verdade em rigidez.
Esperando por você
fiz do amor um passatempo
e me vi amando ainda...
tendo tudo a esperar.
(Dedicado a Jean-Yves Leloup)
terça-feira, fevereiro 01, 2005
FILHA PERGUNTANDO À MÃE
Oh, Senhora das Candeias!
o que tanto iluminas
que ainda não consigo ver?
Oh, Senhora das Candeias!
por que tanto me incendeias
se nem sei o que quero querer?
Dedicado àqueles que do leve ardor do suspiro
queimam-se, agora, em gemido...
sábado, janeiro 29, 2005
CENAS PARA UM ACENO
Estaciona a carrocinha. Acomoda as sacolas. Acaricia o cachorro.
Cabisbaixo, caminha até à estante. Algumas caixinhas cuidadosamente ali acomodadas guardam um derradeiro sinal. Procura. Enfileiradas, coloridas, etiquetadas. Seus olhos brilham quando encontram o próprio nome. Zé de Jesus. Ainda tímido se reconhece. Uma toalha limpa e, em alguns instantes, o cansaço será escoado pelo ralo do chuveiro.
A insanidade abandonada, no abandono da cadeira de barbeiro, os cabelos aparados, a face escanhoada, dar-lhe-ão um corpo livre dos pecados alheios. O suficiente para sentir-se digno de sentar-se à mesa.
Comida quente, sólida, gostosa. O estômago reage contente. Há quanto tempo...
Ao cerrar os olhos é invadido por um canto e quase relembra a infância. Confuso, deixa que as imagens se percam novamente, pois há muito de nada servem.
Numa rápida cochilada permite-se alguns poucos e indefinidos sonhos.
Recupera as forças.
Junta os trastes, assobia para o cachorro, é abraçado calorosamente, despede-se. Mais uma vez agradece pelo retalho de identidade. Encara a trilha deixando para trás a saboneteira que o distingue pelo nome. Ela ficará à espera sem nada perguntar, sem nada pedir. Zé de Jesus, rosto erguido, volta ao anonimato.
Debruçados sobre a grade da varanda, acompanhamos a cena. Somos tomados pela brisa refrescante à qual se junta a melodia do coro à capela. O homem está quase a se perder na estrada, mas nossos olhos ainda o alcançam. Lépido, papeando com o cachorro, volta-se para o adeus. Contra o lusco-fusco do poente, rápida visão nos emudece. Ao redor de nosso Zé, desenhado em brilhos, um majestoso ostensório. Jesus acena, sorri seu sorriso desdentado e segue se dissipando, confundindo-se com o caminho.
Os últimos acordes da música em ralenti acompanham as cortinas que se fecham.
Cabisbaixo, caminha até à estante. Algumas caixinhas cuidadosamente ali acomodadas guardam um derradeiro sinal. Procura. Enfileiradas, coloridas, etiquetadas. Seus olhos brilham quando encontram o próprio nome. Zé de Jesus. Ainda tímido se reconhece. Uma toalha limpa e, em alguns instantes, o cansaço será escoado pelo ralo do chuveiro.
A insanidade abandonada, no abandono da cadeira de barbeiro, os cabelos aparados, a face escanhoada, dar-lhe-ão um corpo livre dos pecados alheios. O suficiente para sentir-se digno de sentar-se à mesa.
Comida quente, sólida, gostosa. O estômago reage contente. Há quanto tempo...
Ao cerrar os olhos é invadido por um canto e quase relembra a infância. Confuso, deixa que as imagens se percam novamente, pois há muito de nada servem.
Numa rápida cochilada permite-se alguns poucos e indefinidos sonhos.
Recupera as forças.
Junta os trastes, assobia para o cachorro, é abraçado calorosamente, despede-se. Mais uma vez agradece pelo retalho de identidade. Encara a trilha deixando para trás a saboneteira que o distingue pelo nome. Ela ficará à espera sem nada perguntar, sem nada pedir. Zé de Jesus, rosto erguido, volta ao anonimato.
Debruçados sobre a grade da varanda, acompanhamos a cena. Somos tomados pela brisa refrescante à qual se junta a melodia do coro à capela. O homem está quase a se perder na estrada, mas nossos olhos ainda o alcançam. Lépido, papeando com o cachorro, volta-se para o adeus. Contra o lusco-fusco do poente, rápida visão nos emudece. Ao redor de nosso Zé, desenhado em brilhos, um majestoso ostensório. Jesus acena, sorri seu sorriso desdentado e segue se dissipando, confundindo-se com o caminho.
Os últimos acordes da música em ralenti acompanham as cortinas que se fecham.
“O olho lhe mostra um pobre, a fé lhe mostra Jesus”.
Charles de Foucauld, a quem dedico estas cenas.
quinta-feira, janeiro 27, 2005
SOBRE O AMOR
Falar de amor dá arrepio
O assunto é desafio
É ter a alma por um fio
Sentir-se sempre no cio
É maquiar cara de cínica
Ouvir Simone e ser tímida
Olhar-se no espelho, mínima
Fingir que não está nem aí
Tendo aos saltos o coração
Responder "nem te ouvi"
Quando olhada com paixão
Mas se o doce olhar vai embora
Cansado de tanta espera
Madalena desespera
Chora, esperneia, tece a hora
Faz melodrama barato
Corre atrás de seu guerreiro
E se o amor for verdadeiro
Logo no primeiro ato
Tem-no para si, por inteiro
Lá vai ela segura
De novo desdenha o amado
Esquece toda a ternura
Sem procurar entender
Ele sai logo à procura
De quem não o faça magoado
Desse mal não quer sofrer
São jogos bem engraçados
Dos velhos tempos de Adão
Os dois andam separados
E se ao invés de apavorados
Assumem-se enamorados
Provocam do amor, a explosão
A experiência festejo
Mais velha, me regozijo
Quando m’ olham com desejo
Se for pra perder o ensejo
Perco bem antes, o juízo.
(Originariamente dedicado a Mark Twain, Ivan Lins e Joyce)
(Hoje, dedicado aos que, por amarem o amor, cultivam apenas possibilidades)
O assunto é desafio
É ter a alma por um fio
Sentir-se sempre no cio
É maquiar cara de cínica
Ouvir Simone e ser tímida
Olhar-se no espelho, mínima
Fingir que não está nem aí
Tendo aos saltos o coração
Responder "nem te ouvi"
Quando olhada com paixão
Mas se o doce olhar vai embora
Cansado de tanta espera
Madalena desespera
Chora, esperneia, tece a hora
Faz melodrama barato
Corre atrás de seu guerreiro
E se o amor for verdadeiro
Logo no primeiro ato
Tem-no para si, por inteiro
Lá vai ela segura
De novo desdenha o amado
Esquece toda a ternura
Sem procurar entender
Ele sai logo à procura
De quem não o faça magoado
Desse mal não quer sofrer
São jogos bem engraçados
Dos velhos tempos de Adão
Os dois andam separados
E se ao invés de apavorados
Assumem-se enamorados
Provocam do amor, a explosão
A experiência festejo
Mais velha, me regozijo
Quando m’ olham com desejo
Se for pra perder o ensejo
Perco bem antes, o juízo.
(Originariamente dedicado a Mark Twain, Ivan Lins e Joyce)
(Hoje, dedicado aos que, por amarem o amor, cultivam apenas possibilidades)
domingo, janeiro 23, 2005
REMANSO
Demoras...
Mas quando voltas me arrebatas
Se hesito me encontras
Compensas vaga indefinição
Agora...
Já me atrai o mergulho
Em lágrimas amalgamadas
Rendo-me ao teu fascínio
Dissipo-me no teu refluir
E eu que só queria estar perto
Entendo o que esperas de mim
Mais do que estar perto ou junto
Almejas fundir-se ao meu ser
Fluindo destravo as comportas
Entrego-me espraiada
Dissolvo-me no teu querer
(Inspirado por Maria Cláudia e dedicado à Nicole Jeandot)
Mas quando voltas me arrebatas
Se hesito me encontras
Compensas vaga indefinição
Agora...
Já me atrai o mergulho
Em lágrimas amalgamadas
Rendo-me ao teu fascínio
Dissipo-me no teu refluir
E eu que só queria estar perto
Entendo o que esperas de mim
Mais do que estar perto ou junto
Almejas fundir-se ao meu ser
Fluindo destravo as comportas
Entrego-me espraiada
Dissolvo-me no teu querer
(Inspirado por Maria Cláudia e dedicado à Nicole Jeandot)
sexta-feira, janeiro 21, 2005
A ESPERA EM TRÊS ATOS
I
Pacientemente devo esperar
Que o teu fado
Comece a tocar em mim
Tua tristeza em não me ter
Leva-me a buscar subterfúgios
Pois é além do que posso compreender
II
Indefinidamente hás de esperar
Que minha sina
Comece a se revelar em ti
Minha tristeza em não te ver
Leva-me a procurar refúgio
Onde permaneço aquém de me comprometer
III
Amorosamente tu me sondas
Em sabedoria esperas
Tresloucadamente me esperanço
E em atalhos desespero...
(Dedicado a Edith Stein)
UM ATALHO
Imagina-te silêncio no fingimento da dor,
Da palavra foge, disfarça-te pintor daltônico.
Traze o teu olhar atônito da promessa não cumprida,
Faze-te desolação, mergulha, devora teu vinho,
Embriaga-te! Expanda-te!
Faze-te consolação, cava, traze a semente,
Rega com teu sangue o chão.
Arranca da terra o verbo, engole, saboreia, partilha,
Transforma-te na própria poesia.
Teu verso será morada para as quatro estações.
Realiza-te eternidade!
(pacientemente espera-te em mim; amorosamente esperar-me-ei em ti)
(Dedicado a Fernando Pessoa e a São João da Cruz)
(Inspirado em “Mais Poemas, novos e antigos” de Benno Assmann, post do dia 7/12/04)
Da palavra foge, disfarça-te pintor daltônico.
Traze o teu olhar atônito da promessa não cumprida,
Faze-te desolação, mergulha, devora teu vinho,
Embriaga-te! Expanda-te!
Faze-te consolação, cava, traze a semente,
Rega com teu sangue o chão.
Arranca da terra o verbo, engole, saboreia, partilha,
Transforma-te na própria poesia.
Teu verso será morada para as quatro estações.
Realiza-te eternidade!
(pacientemente espera-te em mim; amorosamente esperar-me-ei em ti)
(Dedicado a Fernando Pessoa e a São João da Cruz)
(Inspirado em “Mais Poemas, novos e antigos” de Benno Assmann, post do dia 7/12/04)
segunda-feira, janeiro 17, 2005
TRIPOLAR
Poucos também me entendem
Sou mar alto, agitado, tenebroso
Sou marola calma, refrescante brisa
Mas quando o inverno me atinge
Fico estática, medrosa
Sendo fria defendo a voz
Sendo gelo aprisiono o espanto
(Dedicado ao Djavan)
sexta-feira, janeiro 14, 2005
IRREVERÊNCIA A VINICIUS
resta o que se faz presente de um futuro incerto.
resta a intimidade quieta dos que se sabem afeto.
resta o raciocínio louco a imaginar trajetos.
resta a lucidez maluca,
conveniente espelho da maluquez serena.
resta o espaço aberto entre olhares mudos.
resta o gesto ambíguo, o dever latente, o querer silente.
resta a suave dor do irrealizável
e esse doce encanto no que se vê possível.
resta o sentir frenético,
o agir profético,
sutil insanidade
do fazer poético.
(dedicado a quem orienta meus atalhos)
resta a intimidade quieta dos que se sabem afeto.
resta o raciocínio louco a imaginar trajetos.
resta a lucidez maluca,
conveniente espelho da maluquez serena.
resta o espaço aberto entre olhares mudos.
resta o gesto ambíguo, o dever latente, o querer silente.
resta a suave dor do irrealizável
e esse doce encanto no que se vê possível.
resta o sentir frenético,
o agir profético,
sutil insanidade
do fazer poético.
(dedicado a quem orienta meus atalhos)
quarta-feira, janeiro 12, 2005
RECUPERAÇÃO
Por onde andavam minhas idéias
Enquanto falavas dos signos
Em que metáforas me escondia
Enquanto tentavas mostrar
A serventia dos sinais
Em que interrogações me metia
A ponto de não escutar
O que enlevado dizias
Sobre a beleza gráfica
Pousada num texto qualquer
Hoje sinto tua falta
De teu amor à gramática
Me arrependo dos devaneios
Das exclamações reticentes
De ser pega te acenando
Para poder depois colar
Por onde é que te escondes
Em que aspas te emaranhas
Sem fôlego desassossegados
Trôpegos qual bêbados tontos
Andam meus versos a esmo
Como começar o suspiro
E recuperar teu desejo
Se nem sei usar os dois pontos
(Dedicado à Márcia Maia que nunca perdeu uma aula nessa vida)
Enquanto falavas dos signos
Em que metáforas me escondia
Enquanto tentavas mostrar
A serventia dos sinais
Em que interrogações me metia
A ponto de não escutar
O que enlevado dizias
Sobre a beleza gráfica
Pousada num texto qualquer
Hoje sinto tua falta
De teu amor à gramática
Me arrependo dos devaneios
Das exclamações reticentes
De ser pega te acenando
Para poder depois colar
Por onde é que te escondes
Em que aspas te emaranhas
Sem fôlego desassossegados
Trôpegos qual bêbados tontos
Andam meus versos a esmo
Como começar o suspiro
E recuperar teu desejo
Se nem sei usar os dois pontos
(Dedicado à Márcia Maia que nunca perdeu uma aula nessa vida)
sexta-feira, janeiro 07, 2005
PRESTIDIGITAÇÃO
Sou despertada por um alarido festivo. Ainda tonta, esfrego os olhos e chacoalho as sandálias. É embaçado o contorno do ambiente. Mesmo assim o reconheço. Estou num oásis. Sinto a sede. Aproximando-me da fonte, vejo-me refletida em suas águas. Vejo também tudo o que me cerca e um certo desconforto me atinge. Parece que mundo está ao inverso. Ali, o reverso é o real; o ilusório, palpável. O verso é o idioma corrente e o avesso ganha expressão. O tempo, que é sempre implacável, pára. Estanca a razão. Em seu lugar, sentimento. Mesmo ofuscada pude ver solidão apontando aconchego. Da dor vi nascer alegria. Vi o fogo que aquece e não queima. Vi o coxo brincando de roda. Ninguém morrendo de fome. No foco um leve pulsar, uma cadência de vida. Ao abandonar-me no ritmo, vi o que até então julgava impossível. A morte sendo abolida, o pretérito no papel de presente e, você nem vai acreditar, algo ainda mais emblemático: uma filha menina parindo a própria mãe. Espantado? Pois, espere, ainda não lhe falei da emoção. Este é só o começo da minha incrível história de amor.
(Dedicado a Gabriel García Márquez)
quinta-feira, janeiro 06, 2005
O que um breve suspirar oculta
O que é contido por um suspiro?
O que vem escondido em rápida emissão de ar?
Inspiro o que me provoca
Prendo no peito instantes,
Tentando eternizar
O que, mesmo quando bom, me faz sofrer.
Para não asfixiar, desisto, solto o corpo,
A voz em lamento vai, expira, expulsa o desejo.
E o coração, oh, pobre coração!
Continua inquieto, vendo a alma rebentar.
Nela mais do que o tolo querer,
Alojado, instalado,
O anseio!
Este sim, assombroso,
Inexprimível, apavorante.
Arrisco descobrir-lhe a razão,
Mas, a respiração teimosa,
Antes que eu me dê conta,
Volta ao ritmo normal da indagação sem resposta.
(O mistério se fecha em si mesmo)
Quisera tê-lo tocado.
Quisera tê-lo provado.
Teria encontrado, agora sabes,
No fole do suspirar,
Na aspiração da alma, o soluço,
O sopro suave, as primícias.
Delícias do mais extremado amor.
(Dedicado ao Dennis)
O que vem escondido em rápida emissão de ar?
Inspiro o que me provoca
Prendo no peito instantes,
Tentando eternizar
O que, mesmo quando bom, me faz sofrer.
Para não asfixiar, desisto, solto o corpo,
A voz em lamento vai, expira, expulsa o desejo.
E o coração, oh, pobre coração!
Continua inquieto, vendo a alma rebentar.
Nela mais do que o tolo querer,
Alojado, instalado,
O anseio!
Este sim, assombroso,
Inexprimível, apavorante.
Arrisco descobrir-lhe a razão,
Mas, a respiração teimosa,
Antes que eu me dê conta,
Volta ao ritmo normal da indagação sem resposta.
(O mistério se fecha em si mesmo)
Quisera tê-lo tocado.
Quisera tê-lo provado.
Teria encontrado, agora sabes,
No fole do suspirar,
Na aspiração da alma, o soluço,
O sopro suave, as primícias.
Delícias do mais extremado amor.
(Dedicado ao Dennis)
terça-feira, janeiro 04, 2005
APRENDIZ
Hoje sei que excesso de contentamento não mata ninguém. Sobrevivi a ele. Sobrevivi à emoção de ser paparicada, acarinhada e de ter sido protagonista de um fato inédito. A ordem natural da vida foi subvertida. Ao contrário de ser a mãe um incentivo à filha, é esta quem valida aquela. De onde vem o merecimento? Se começo a pensar em mérito, me envaideço. Preciso é reconhecer que quanto mais vivo, mais aprendo a ser aprendiz, faço a escola de mães. E agradeço a Deus por ter me mandado, antes do que filhas, mestras na arte de amar. Desde pequenas foram me oferecendo lições. Atualmente posso afirmar: todas as qualidades que alguém possa ver em mim, delas as imito. São as mais fortes referências que alguém possa ter. E agora, vocês vão me dar licença, pois, fiquei todinha tomada pela imodéstia. É o coração da mãe babona e bobona falando mais alto. Filhas queridas, meus orgulhos, amo vocês.
O post está grande e peço a vocês paciência. Este blog tem história. Quero as pessoas que a construíram aqui, juntinho de mim.
______________________________________________
Menina Poesia
Se é para soprar sonhos, quero ser palavra.
Se é para me enlevar em nuvem, quero ser palavra.
Se é para me desgovernar, quero ser palavra.
Se é para vagar varais, quero ser palavra.
Mas se é para ser menina, quero de verdade ser poesia.
Assim, do jeitinho que tu és.
Menina Poesia
Se é para soprar sonhos, quero ser palavra.
Se é para me enlevar em nuvem, quero ser palavra.
Se é para me desgovernar, quero ser palavra.
Se é para vagar varais, quero ser palavra.
Mas se é para ser menina, quero de verdade ser poesia.
Assim, do jeitinho que tu és.
______________________________________________
Definitiva Poesia
Trago comigo receio
Da vida de Internet
Nem sei se suporto invasão
Mas tenho tido a mão
De quem conhece o meio.
Nele transita com a graça
Mostrando a alma faceira
De atinada maluquete.
Sua bondade me puxa
Ensina-me a ser blogueira.
Espero corresponder
Mas nem tento imitar-lhe a raça.
O olhar apaixonado
Roubo junto com o calor
Dois nobres ingredientes
Para dar vida à palavra.
Passo, então, a agradecer:
Com versos de minha lavra
Venho mui respeitosamente
De coração desarmado
À Loba, também Beija-Flor,
Adjudicar sincero amor.
Trago comigo receio
Da vida de Internet
Nem sei se suporto invasão
Mas tenho tido a mão
De quem conhece o meio.
Nele transita com a graça
Mostrando a alma faceira
De atinada maluquete.
Sua bondade me puxa
Ensina-me a ser blogueira.
Espero corresponder
Mas nem tento imitar-lhe a raça.
O olhar apaixonado
Roubo junto com o calor
Dois nobres ingredientes
Para dar vida à palavra.
Passo, então, a agradecer:
Com versos de minha lavra
Venho mui respeitosamente
De coração desarmado
À Loba, também Beija-Flor,
Adjudicar sincero amor.
____________________________________________
Minha caixa de comentários, meu tesouro
Sob cada rubrica, um encontro e uma descoberta. E como tudo é estimulante! Pois cada um de vocês é um universo. De cada um bebo carinho. De cada um retiro ensinamentos. Navego pelos endereços que me deixam e me encanto. Não existe nada melhor do que encontrar pessoas, pinçar-lhes as riquezas da alma e aprender com elas. É disso que vivo. Beijos, carinho. (Novas e amadas referências: Antônio Vieira, Ariane, Bené Chaves, Benno, Cris, Dácio, Denise, Dira, Dora, IceTriangle&IceCube, Júlio, Linaldo, Loba, Márcia Maia, Marlon Schirmann, Marta Matos, menina poesia, Nel Meirelles, Nonato Reis, Passeante, Sá, Tânia)
Minha caixa de comentários, meu tesouro
Sob cada rubrica, um encontro e uma descoberta. E como tudo é estimulante! Pois cada um de vocês é um universo. De cada um bebo carinho. De cada um retiro ensinamentos. Navego pelos endereços que me deixam e me encanto. Não existe nada melhor do que encontrar pessoas, pinçar-lhes as riquezas da alma e aprender com elas. É disso que vivo. Beijos, carinho. (Novas e amadas referências: Antônio Vieira, Ariane, Bené Chaves, Benno, Cris, Dácio, Denise, Dira, Dora, IceTriangle&IceCube, Júlio, Linaldo, Loba, Márcia Maia, Marlon Schirmann, Marta Matos, menina poesia, Nel Meirelles, Nonato Reis, Passeante, Sá, Tânia)
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