quinta-feira, novembro 24, 2011

Nos tempos da Maria Fumaça



Santo Inácio
Jacaré
Angico
Monjolinho

.
.
Nosso trem
Tem sede e fome
Bebe água
Na parada
Põe mais lenha
Na fornalha
Faz ferver essa caldeira
Por favor
Mestre foguista
Tenho pressa de chegar
..
Santo Inácio
Jacaré
Angico
Monjolinho

.
Passa boi pensando na vida
Passa pé de manga cheirosa
Passa a casa da fazenda
Varandas em floração
Tem rio apostando corrida
O lago refresca o olhar
Reflete a luz e a paz
Lá vem o colono tranqüilo
Voltando do cafezal
P’ra co’as galinhas jantar
O sol se pondo na encosta
Dormitando nos dormentes
Os trilhos traindo as trilhas
Da virgem mata intocada
Apita na curva
Resfolega
Sobe o morro devagar
P’ra mais à frente engatar
...
Santo Inácio
Jacaré
Angico
Monjolinho

.
Já vejo a torre da Igreja
Do Bom Jesus ouço os sinos
Bênçãos da cana verde
Os acenos na porteira
Das crianças penduradas
Indicam que já está perto
Agora seu maquinista
Mostra que é especialista
Puxa a alavanca com força
Olha, está cheia a estação
Anuncia a nossa chegada
Capricha no último apito
Contente escuto em refrão:
O nome
da cidade
amada
Onde o mais simples
ribeirão
é
bonito
.
.
..
.
FOTOS

4 comentários:

Euza Noronha disse...

sua memória semântica, além de provocar minhas lembranças específicas, me deixou com saudades de nós. (será que já somos passado?)
rios apostando corrida, acenos de porteira e varandas em floração são finas tessituras poéticas. bem próprias de adélias.
beijo

Benno disse...

oi... lembra de mim ? Bom te ler depois de tanto tempo. Beijos

Claudinha ੴ disse...

Olá Adélia!
Vim por meio de Euza!
Gostei demais do poema, do ritmo que incutiu à ele. Sou mineira e os trilhos fazem parte de minha alma! Um beijo!

marck disse...

Coisa mais linda. Saudades até da peça que duas pessoas queridas me pregaram. O trem passava da estação de Ribeirão Bonito para depois voltar de ré, e as duas me deixaram sozinho na composição e eu pensando que as tinha perdido, assim como a estação destino. Chorei muito. Marcelo primo das diabinhas.