sexta-feira, abril 27, 2007

Nominal

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Meus olhos de sonhar revestem-se de fundas olheiras. Saldo das noites insones. Preciso delas. Preciso me manter acordada para mergulhar no drama. É no escuro da noite que ele se ilumina. Torna-se nítido. Escolho a trilha sonora, visto meu melhor traje, piso o palco. A realidade se agiganta enquanto desenvolvo a cena. Ela me invade e conforma. Outros seres - de naturezas diversas - se apresentam. Finalmente deixo de ser só. O pesadelo é meu companheiro.
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(dedicado a L)
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sábado, abril 21, 2007

renascimento

de longe não conseguia ouvir tua voz
apenas via teus olhos
que atravessavam o imenso vão
e sorriam, brincavam
e se faziam brisa
(esperançavam)
e se faziam fogo
(cingiam)
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palavras à mesa
calaram-nos
.
a hora exigia
renascimento em ato
.
sabíamos

.
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(hoje - ao amado)
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sábado, março 17, 2007

ÁGUAS DE MARÇO

dizem que fecham o verão
(mas)
sequer sabemos os rumos dos colchões
que a enxurrada carrega
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tampas de fogões,
brinquedos boiando nos becos,
um pé de sapato pobre descalço
(o que terá sido de seu par)
são águas banhadas na acidez
que o progresso expele,
trazendo para as calçadas
a incapacidade humana de se humanizar
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águas de março,
procura de vida,
mortificando o que resta
até o outono chegar
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para o povo penitente
que já não mais se agüenta
sendo alagação e enxurro,
águas de março,
que tragam o diferente
ânimo lavando canseira,
aquela semente regada
na corredeira da esperança...
a mudança de estação
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(enviado a São José)
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quarta-feira, fevereiro 28, 2007

MARCHA LENTA (parte III)

A cada volta ao ponto morto sentia a fisgada. Coisa sem importância, talvez nem merecesse atenção. O pensamento alvoroçado ia da desordem de roupas deixada para trás àquela Combi que a resolvia emperrar sempre que o trânsito deslanchava. Aproveitava a folga para retocar a maquiagem no retrovisor e mais uma vez conferia o esmalte das unhas. Intacto. E o modelito escolhido, será que estava apropriado?
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Enquanto engatava a primeira, mentalmente repassava os detalhes. Tudo em vão se o trânsito continuasse daquele jeito. O suor das mãos já começava a incomodar. A rotina também. Ponto morto, fisgada e o coração ton-to-ton-to-ton-to... Torcendo para que Congonhas vivesse um daqueles dias de paralisação, avançava aos trancos pela avenida 23 de Maio. Droga.
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Ponto morto, fisgada, mais uma espiadela no retrovisor. Se não tivesse voltado para a cama, se não tivesse demorado tanto para escolher a roupa, se... talvez, talvez... o celular caindo na caixa postal e... a Combi... de novo!
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Mal estaciona o carro, desembesta. Atravessa o saguão como se fosse a reta final da São Silvestre. Chega. A tempo de ver o avião taxiar. E só. O texto mil vezes repassado ficaria inédito. A cena ensaiada, sem platéia e sem o répiendi sonhado. A pergunta continuaria sem resposta. Ou a resposta sem pergunta.
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Agora só lhe resta arrumar a desordem. Desanimada, entra em casa. Lembra-se de ter escorregado ao sair. Abaixa-se, recolhe o papelzinho responsável pelas fisgadas. Percebe que há algo escrito nele. As letrinhas miúdas e firmes vão saltando. Demora uns segundos para entender. O Tonto, sempre evasivo, resolvera ser direto.
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Sente a fisgada. Agora forte. Tão forte que a deixa atordoada... Tonta!

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... //...
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(menina, o "esconde-esconde" dos dois talvez pare por aqui; já a nossa brincadeira...)
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sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Inspiração

Dim-dóim!
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Virou-se para um lado.
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Dim-dóim!
Dim-dóim!
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Virou-se para o outro lado e puxou a coberta.
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Dim-dóim!
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Não! A campainha não fazia parte do sonho. Sentou-se na cama. Entre resmungos esfregou os olhos. Nem imaginava quem ousaria acordá-la.
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Dim-dóim!
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Abriu a porta topando com um enorme buquê de rosas. Bocejando arrancou-o da mão do entregador e rapidamente bateu a porta com força.
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E precisava me acordar tão cedo?
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De tão irritada até esqueceu de dar uma gorjeta para o espantado rapaz.
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Voltou para a cama. Tentaria reatar o sonho interrompido. Afinal, nele o Tonto a abraçava amorosamente, numa cena digna de roliúdi.
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Das rosas, lançadas sobre o aparador, escorrega um cartão grafado com letras miudinhas, embora firmes.
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Não sei quem inspira seus versos.
Sei quem inspira minha vida. Você.
Com amor,
Tonto.

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quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Em uma noite qualquer

o celular dispara.
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- Oi!
- Li seu último poema.
- Que tal?
- Bonito! E fez com que eu pensasse muito.

- Pensasse?
- Em quem teria inspirado tão belos versos...
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As reticências a deixaram em estado de alerta.
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- É uma observação ou uma pergunta?
- Quê?
- Você está querendo saber quem é o meu muso. É isso?
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Afinal, havia assumido o compromisso de ser direta.
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- Bem...
- Se você fosse mais atento, já saberia.
- Eu leio você com muito cuidado.
Vejo possibilidades literárias no que escreve. Mas hoje só queria saber...
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Sendo o silêncio tão prolongado, desistiu de esperar que ele completasse a frase.

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- Então leia o meu próximo post.
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Furiosa, desligou sem nem ao menos se despedir.
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- Tonto!
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Agora o tinha nas mãos. Deixou de lado a objetividade.

Passou a retocar antigas imagens. Pousou as mãos sobre o teclado.
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A brincadeira estava apenas começando.
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... //...
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(Meus agradecimentos à menina pelo empréstimo do "Tonto!")
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sábado, fevereiro 10, 2007

deslembrança

só me lembro muito vagamente*
da avenida livre que se abria à frente
de sentimentos vagos
vagarosos pulsos da saudade
.
da fria noite no retrovisor
e do seu afago vago
vagaroso impulso pra saudade
.
só me lembro muito vagamente*
do perfume que inundava
nosso vagar pela cidade calma
meu olhar interrogando o seu
seu olhar a me perguntar
os dois perplexos
com a já saudade chegando devagar
.
e de tão vagamente lembrar
nem sei mais se me lembrarei
de quanto amor havia
na saudade
prestes a amanhecer
.
*Música incidental: Vagamente de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli
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quarta-feira, fevereiro 07, 2007

sobre desnudez

uma desfigura difusa
veste o canto da página
de escritura invertida
.
a figura e seu reflexo
o fundo e a superfície
confundem-se
e se descobrem processo
quando se desveste a nudez
.
somos o silêncio de tudo
somos o zumbido no nada
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vida carregando morte transportando vida
.
e a cada renascer
(novamente)
apenas algazarra semântica
somos
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... //...
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Comentário ao post do retorno da Loba publicado no dia 20.01.07
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terça-feira, fevereiro 06, 2007

deslembranças

só me lembro muito vagamente*
da avenida livre que se abria à nossa frente
e dos meus pensamentos vagos
vagarosos pulsos da saudade
.
só me lembro muito vagamente*
da noite escura trancada no retrovisor
e do seu afago vago
vagaroso impulso pra saudade
.
só me lembro muito vagamente*
do seu doce perfume que inundava tudo
nosso vagar pela cidade calma
meu olhar interrogando o seu
seu olhar a me perguntar
os dois perplexos
com a saudade chegando devagar

.
e de tão vagamente lembrar
nem sei mais se me lembrarei
de quanta saudade havia
.
no amor
prestes a amanhecer
.
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*Música incidental: Vagamente de Roberto Menescal

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

FILHA PERGUNTANDO À MÃE

Oh, Senhora das Candeias!
o que tanto iluminas
que ainda não consigo ver?
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Oh, Senhora das Candeias!
por que tanto me incendeias
se nem sei o que quero querer?
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(Dedicado àqueles que do leve ardor do suspiro
queimam-se, agora, em gemido...)
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quinta-feira, janeiro 25, 2007

no aniversário da cidade

minha pobre cidade rica
és carente, és desvairada,
és sofrida e amargurada
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és palco de cenas vulgares,
de vaidades baratas,
da insensatez corriqueira
da incapacidade humana de se humanizar
.
minha pobre rica cidade
das tantas pequenas tragédias
também palco de dramas dantescos
cenário macabro

para os sem teto,
sem saúde, sem escola,
sem rumo, sem praça
ou alento
.
minha cidade magoada
em meio a tanta indigência

coragem
conserva ainda a esperança
pois anjos de ternura te olham
.
eles vêm vestidos de branco
suas armas
não ferem, não matam
abençoam
.
são vozes
no silêncio cortante
denunciam
.
são raios de luz
no delírio inquietante
protegem

no descaso são a resistência
na miséria, a misericórdia
são anjos de paz
são anjos de vida
são os anjos do amor
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(Dedicado ao anjo de nossa São Paulo... meu tão querido amigo.)

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sexta-feira, janeiro 19, 2007

UMA CRATERA - DOIS OLHARES

I
Sempre fora cumpridor de seus deveres.
Trabalhador. Responsável. E principalmente pontual. Por isso dera uma corrida para alcançar o ônibus. Já acomodado, ainda arfando, consulta o relógio. Os ponteiros giram desordenadamente. O tempo oscila. E o engole. Pontualmente.

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II
O motorista tem nome e RG.
O cobrador tem nome e rosto.
A advogada tem nome mas ainda não tem OAB.
O caminhoneiro tem nome e CNH.
Mais uma coisa em comum.
Todos têm sepultura.
Nas lápides, seus nomes.

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Engenheiro de consórcio não tem nome.
Administrador de metrô não tem nome.
O poder público não tem nome.
O que iremos inscrever em suas lápides?
Assassinos?

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Dedicado às vítimas das obras do Metrô paulistano. A vocês, minhas orações, minha solidariedade.
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... //...
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Imagens de duas recentes tragédias me acompanham. A lama percorrendo cidades de Minas e do Rio e a cratera do metrô de São Paulo ficarão para mim como metáforas reais de nosso país. Resultam do descuido, da desumanidade e da improbidade com que somos vistos por aqueles que deveriam bem administrar o patrimônio público.
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O texto abaixo foi publicado no dia 20/01/07 na revista Banga.
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Agradeço aos editores da Banga. Senti-me honrada.
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... //...
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miséria tem hora marcada
.
um olho na TV
outro no relógio
um pé na jaca
outro na soleira da porta
na mão esquerda o controle
(ou seria o inverso)
conta tempo irreal
(o nosso)
em cadeia nacional
.
queria ter Jack-24 horas
mas não
ela já vem
.
nasce da ganância
brota do descaso
revolta
daqui parece mansa
de longe parece lenta
quase bela
quase morna
envolve vilas
contamina
invade vidas
desabriga
.
junto a trouxa brasileira trouxa que sou
.
tapo o nariz
p’ra contagem regressiva
.
5, 4, 3, 2, 1
.
ela chegou
sou a vítima da hora
de cabeça
mergulho
.
na lama
no nojo
.
... //...
.
dedicado aos atingidos pelo rio do desgoverno
vítimas da lama geral
nossos irmãos mineiros e fluminenses
.
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quarta-feira, janeiro 17, 2007

miséria tem hora marcada

um olho na TV
outro no relógio
um pé na jaca
outro na soleira da porta
na mão direita o controle
(ou seria o inverso)
tempo irreal
(o nosso)
em cadeia nacional
.
queria ter Jack-24 horas
mas não
ela já vem
.
nasce da ganância
brota do descaso
revolta
daqui parece mansa
de longe parece lenta
quase bela
quase morna
envolve vilas
contamina
invade vidas
desabriga
.
junto as trouxas brasileiras
trouxa que sou
tapo o nariz
p’ra contagem regressiva
.
5, 4, 3, 2, 1
.
ela chegou
de cabeça
mergulho
.
na lama
no nojo
.
... //...
.
inspirado pela turma da Banga
– banga.zip.net –
dedicado aos irmãos mineiros e fluminenses
atingidos por um rio de desgoverno
vítimas da lama geral
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sábado, novembro 11, 2006

primeira leitura

a carne se faz alma
o espírito toma corpo
somam-se asas em liberta revoada
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missão cumprida
partida para novos vôos
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que sempre o amor seja meta
que "os versos jamais se aquietem"
que a poesia se realize paz
em tua vida
em nossas vidas
amém
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... //...
..
nosso livro
- corpo e alma em verso e prosa -
confirma:
a poesia liberta
a poesia agrega
a linguagem poética é construtora da paz
.
... //...
.
parabéns,
generosa Loba,
pela idéia, pela organização, pelo trabalho, e pelo resultado
ficou belíssimo!
.
a todos que dele participaram
sou grata
minha alegria por fazer parte desse grupo
não tem tamanho
.
- beijos-carinho-beijos-carinho-beijos-carinho-beijos -
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quinta-feira, outubro 05, 2006

sexta-feira, setembro 29, 2006

segunda-feira, setembro 18, 2006

sem saída

havia no ambiente
uma certa obliqüidade
uma linha
sobre a qual tentava me equilibrar
.
o que desejava nem sei
um apoio para ficar
um impulso para partir
.
até que me senti no ar
cara-a-cara com a luz
.
vinda da sombra
tua mão
viril, sedutora
lançava-me
aprisionava-me
.
e nunca mais escapei
da obliqüidade do amor
.
......... //...
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Publicado no dia dos namorados de 2006,
no
Corpus et Anima
em resposta a um desafio de nossa amiga
Loba.
..

sexta-feira, setembro 08, 2006

UM JEITO

Não me espantarei
Se te fores como chegaste
Assim mansamente
Sem precipitações ou alardes
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Apenas sei, levarás
Entranhados no olhar
Os meus olhos mendicantes
E deixarás o mel dos teus olhos
Em meu olhar r
efletido
Como se fora um pedido
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Dois olhares suplicantes
Em busca de porto e pousada
Desenhados no infinito
Desse amor que não se acaba
Somos busca e desencontro
Somos vadios amantes
Errantes peregrinos
Encantamento e paixão
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E nosso jeito de amar
Sem ter muito a esperar
Transforma o anseio de ser
Em suave sopro
Em prazer
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quarta-feira, agosto 23, 2006

AGORA CÍNICA

Ergue um pouco a saia.
Ajeita a blusa pro ombro ficar à mostra.
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Na bolsa, o necessário:
Batom, delineador, o velho pente desdentado,
Um OB para a emergência,
O celular descarregado
Em chamadas não atendidas.
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Na cabeça leve demência
Estanca qualquer pensamento.
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No coração a ausência
De antiga e remota repulsa.
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É só ventre.
Este sim, pulsa tomado pela urgência.
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Respira fundo
Ensaia
Chacoalha as ancas
Sorri
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De lirismo nem lembra mais
Aprendeu a ser arguta.
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Doravante só busca o prazer.
Desce a rua resoluta
e
Se ao voltar trouxer revide
Terá sido absoluta.
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... //...
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Este texto marcou minha estréia na vida de blogueira.
Foi publicado no VERSO & PROSA ENCADEADOS no dia 11/12/2004
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Não esqueço a emoção de ver um escrito meu publicado.
Serei sempre grata à
Loba, Janete Ruaro, Márcia Maia, Tarciso
pelo incentivo e pela acolhida generosa.
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Aos quatro companheiros do Encadeados,
tão interessante experiência,
beijos, carinho.
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