sexta-feira, maio 13, 2005

COM LOUVOR

Volto aos bancos escolares
Em busca do conhecimento.
De mestra a aprendiz
Ponho à prova meus leitores.
Vago em ciência com eles
E juntos em folguedos vamos
Para o mundo do afeto.
Lugar em que nada se julga,
Em que todos são aprovados.
Bastam os ouvidos sensíveis,
A poesia no olhar,
A voz valente a empurrar,
Um coração feito sonho,
Sonho realizado abraço,
Abraço, resultado:
Vida.

.
(Dedicado à Maria, ventre do Amor)
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terça-feira, maio 10, 2005

HOJE É DIA DE PROVA

questão de geometria
sendo longos os teus braços
tais linhas retas sem rumo
traça-me nas tuas paralelas
cruza-me entre as tuas diagonais
encontra a intersecção
.
a figura resultante
dará ao espaço vazio
nova configuração?
.
questão de acústica
estando inquieto o coração
deve-se procurar por sinais
na propagação do toque
de um telefone antes mudo?
.
se a resposta for sim
demonstra como reverberar
o alô em tom maior
.
questão de astronomia
considerando a órbita dos planetas
seus satélites, luas vagantes
pelo espaço sideral
.
serão os corpos celestes
formas perdidas do amor?
.
questão interdisciplinar
assinala a alternativa correta:
se eu
de outono me fizer primavera
serás para mim tradução
de um sol, sinfonia, um degas
em amor mais que perfeito?
......................................( ) sim
.
Recomendações:
Lê com muito carinho, responde a tudo com capricho, não ultrapasse o tempo, nem abandone questão em branco.
Deixa embaixo da carteira o desespero desligado. Lembra-te que em caso de nota baixa, resta ainda uma chance. Construiremos a ocasião para recuperação.
Boa sorte!
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(Dedicado a um professor querido)
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sábado, maio 07, 2005

ENTRE ASPAS

Neste domingo das mães, deixo um poema de Leonardo Boff, extraído de seu livro:
O Senhor é meu Pastor.
_________
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Deus, eu te encontrei novamente!
Até as lágrimas, em puro estremecimento!
Tu és o fascinante presente
Embora sempre tremendo.
Sim, Tu és meu nesse momento.
.
Viver só para Ti, de Ti e Contigo!
Como antigamente, dia a dia.
Contigo sonhava e me perdia.
Saía de mim para ser um Contigo!
.
Enfim cheguei ao lar materno,
Repleto de toda sorte!
O que der e vier é eterno
É amor de Mãe, na vida e na morte.
_________
.
Dedicado a você, mãe... beijos, carinho.
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segunda-feira, maio 02, 2005

RECORRENTE

de nada conheço tudo
de quase tudo, um pouco

sei da história do mundo,
da vida dos povos,
da sociologia,
psicologia,
e da ecologia,

sei de tanta coisa distante
sem significado imediato pra mim.

mas...
não sei de você
o que quer, o que pensa
se pensa que quer
o que quero em pensar.

Dedico aos sábios pensadores citados no post anterior, pedindo a eles que me respondam...

e agora?
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sábado, abril 30, 2005

EX - LIBRIS

É uma corrente ou melhor, uma enquete que está circulando pelos blogs. Sem entrar muito na intimidade dos blogueiros, acaba por revelar as fontes de inspiração dos mesmos.
Tenho acompanhado os depoimentos de companheiros e me deliciado ao encontrar afinidades, reencontrar livros que andavam perdidos na minha memória, além de receber ótimas indicações de leitura.
Agradeço à Loba, ao Nel Meirelles e à Borboleta Azul, por terem me colocado nesta interessante roda de leitura.
À entrevista, então.

Não podendo sair do Fahrenheid 451, que livro quererias ser?
Logo que fui convidada a participar desta enquete lembrei-me de três livros. Descartei um deles e não consegui escolher só um entre os dois restantes. Ora quero ser Manuscritos de Felipa de Adélia Prado, ora o Cântico dos cânticos.

Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por algum personagem de ficção?
Muitas vezes. As princesas dos contos de fadas, identifiquei-me com todas. Depois passei a ser a Emília de Monteiro Lobato. O que mais gostava era de me imaginar, tal qual Emília, uma “dadeira de idéias”. Acho que até hoje gosto. Mais tarde, já adulta, tinha por hábito ler antes de dormir. Impressionante é que nos sonhos dava continuidade à história que estava lendo. Na verdade, nunca acertei o desenrolar do enredo, pois meu mundo onírico, a partir do livro, criava outras histórias. Hoje dei de me identificar ou me apaixonar por autores e não mais por personagens.

Qual foi o último livro que compraste?
Sou compradora compulsiva. Então relaciono os do meu último pacote:
O Ser Fragmentado – da cisão à integração de Anselm Grün.
São José, a personificação do Pai de Leonardo Boff.
Poesia liberdade de Murilo Mendes.
Aqui tem coisa
de Patativa do Assaré.
Altares Paulistas - Resgate de um Barroco, publicação do Museu de Arte Sacra de SP.

Qual o último livro que leste?
O Ser Fragmentado – da cisão à integração
de Anselm Grün, convite ao mergulho em nossas próprias profundezas.

Que livros estás a ler?
Leio tantos ao mesmo tempo que até fico um pouco envergonhada ao responder, mas sinceridade...
São José, a personificação do Pai - a reflexão de Leonardo Boff , baseada em vasta bibliografia sobre São José, atualiza o significado deste santo para os dias atuais.
Poesia Liberdade traz o prazer na insubordinação elegante e lírica de Murilo Mendes.
Funções da Linguagem
de Samira Chalhub, para perceber, um pouco, as possibilidades tantas do uso do código poético.
Mulheres de palavra – Adélia Prado, Hannah Arendt, Cecília Meirelles, Simone Weil, Teresa de Ávila, coletânea de reflexões sobre a obra destas mulheres, organizada por Maria Clara Bingemer e Eliana Yunes
Murilo, Cecília e Drummond – 100 anos com Deus na poesia brasileira
, transcrição de um seminário realizado pelos departamentos de Letras e de Teologia da PUC-Rio sobre a espiritualidade presente na obra dos três poetas, organizada por Eliana Yunes e Maria Clara Bingemer.
Corpo – Território do Sagrado
de Evaristo Eduardo de Miranda, análise do simbolismo do corpo a partir da perspectiva judaico-cristã.

Dois de cabeceira há vários meses:
O Senhor é meu Pastor de Leonardo Boff.
Os melhores poemas de Amor da sabedoria religiosa de todos os tempos
– seleção, apresentação e tradução de José Jorge de Carvalho.


Que cinco (5) livros levarias para uma ilha deserta?
Com tamanha limitação:
Poesia Reunida – Adélia Prado (Siciliano)
Escritos de Santa Teresa de Ávila (Edições Carmelitanas e Edições Loyola)
A Bíblia Sagrada, fonte de inspiração diária.
O imprescindível Huaiss.
E já que não posso levar nenhum CD, Chico Buarque do Brasil organizado por Rinaldo de Fernandes.
Bem escondidinho, o meu caderno, um estojo com lápis, borracha e apontador.

A quem vais passar este testemunho e por quê?
Bia
- letracriada.weblogger.terra.com.br
Júlio Castro - oinventario.blogspot.com
Kathy - atravesdemim.zip.net
Porque gostaria de saber de onde os três tiram inspiração para tão instigantes escritas.

Bia, Júlio e Kathy, meus queridos, é só copiar as perguntinhas que aí estão, respondê-las e matar a nossa curiosidade.
Beijos, carinho.

sábado, abril 23, 2005

Y UNIRÉ LAS PUNTAS DE UN MISMO LAZO

Enquanto puxas a fita
Meu coração se queda
A esperar por sinais
Cada gesto teu passo leve
Laço solto na busca
Curiosa e atenta procura

A caixa aberta...
Ainda resta
A seda em tuas mãos
Levantas em suspense a cabeça
Tentando adivinhar

Pouco a pouco, surpresa
Ilumina-se o mistério
Sinto-me até esquecida
Vendo-te fitar o passado
Expressão enternecida
Refletindo-se em dourados
Reflexos de uma paixão

Então buscas meu olhar
E soa com tal zelo o beijo
Que ofereces ao presente...

É como se beijasses a vida
Revelada em coração
Apanhas de volta a fita
Em teus olhos um brilho, um riso
Em meu lapso um riso, alívio...

Unem-se para além do abraço
Dois pulsares, uma alma...
Pontas de um mesmo laço.

______________________
Inspirado em Yo vengo ofrecer mi corazón de Fito Paez, de quem venho roubando as pontas de um mesmo laço.
Dedicado à Mercedes Sosa.
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quarta-feira, abril 20, 2005

IMPERATIVO

Abre-te às feridas d’alma,
Dá-me tua aspiração...
Revelar-te-ei liberdade.

Abre-te à fantasia,
Dá-me teus desejos...
Desvendar-te-ei festejos.

No improvável, no delírio,
No limite ou nitidez,
Na sede...
Recosta-te à fonte.

No pecado ou santidade,
No anseio ou na aridez,
No cansaço...
Recompõe-te tenda.


Abre-te às fendas d’alma.
Devolve-me a liberdade... (só então)
Desvelar-me-ei amor.

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(Inspirado por Teresa de Ávila e dedicado a um amigo querido)
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domingo, abril 17, 2005

A PEREGRINA

A caminhada se faz sentir na dormência das pernas e o irrealizável, na demência da alma. E será sempre assim nos arrastados dias de areias quentes. A claridade é tal que lhe chega a turvar a vista. As trilhas se abrem para em seguida se desfazerem ao sabor dos ventos, alterando-se a cada instante. A aridez mostra que a liberdade do caminho não basta, se não se tem para onde ir. Sente-se prisioneira de seu próprio labirinto. Quisera de volta o aconchego da tenda onde o frio e a escuridão da noite não a alcançam. De onde, mesmo sem ver as estrelas, pode divisar o horizonte.
Descobre-se seguindo os mesmos rastros deixados por dias e dias de caminhada. Frestas se abrem repentinamente, obrigando-a a estancar. Olha ao redor. A paisagem monótona repete-se à direita, à esquerda, à frente, atrás. Ao alcance da vista, nada que tenha vida. Sons, somente, os do vento insuportável, que sem piedade fere a pele já tão curtida pelo sol. Senta-se.
O pensamento vaga por tempos ingênuos, quando o coração era contente. Olha para o próprio peito, não o vê. Onde o terá esquecido? Indaga pelos amores, se é que existiram. Mas, se não eram reais, por que se foi desfazendo em cada um deles?
É tarde e da secura em que se encontra, nem lágrimas consegue tirar. Põe-se em pé. Talvez encontre algo para beber. Ao longe, a fosforescência, já tão conhecida, da miragem, insistentemente, produzida pelo desejo. Mesmo na desesperança, segue.
O fim da tarde encontra-a trôpega, sedenta, confusa. Parece ver, logo ali uma construção de pedras. Arrasta-se. Está muito perto. Mais um esforço e os sentidos se perdem.
Dá-me de beber, ouve, ainda entorpecida. Surpreende-se, pois não é sua voz a pedir. Contra o sol tem dificuldade em focalizar o contorno a sua frente. Ouve o seu, já quase esquecido, nome sussurrado por aquela voz tão terna que insiste: dá-me de beber. De um salto, levanta-se, apruma-se. Tenta dizer que há tempos vaga, sem sucesso, por aqueles sítios em busca de água, quando ele lhe aponta uma fonte. Majestosa, feita de pedras, ornada pelo musgo que o tempo ali fez brotar, esparramando água em abundância. Surpresa, não consegue se aproximar. É preciso que ele a leve pela mão. Enquanto caminham seus olhares se cruzam rapidamente. Quanto mel! Incapaz de suportar as promessas ali escondidas, fixa-se à fonte. Vasculha os seus pertences e encontrando uma caneca oferece-a ao homem que a recusa dizendo: minha sede é a tua sede. Vem. Sacia-a! É quase uma senha. Farta-se, esparrama-se, encharca-se, lava-se. Reencontra a alegria. As vestes limpas readquirem as cores originais. No marrom da saia, sobressai o branco do avental. Sente-se linda. Acomoda-se ao sol, para que seus longos cabelos sequem e voltem a brilhar. Só então, cria coragem e olha de frente aquele homem. Esforça-se por retribuir toda a aceitação refletida naquele sorriso. A um gesto dele, deita a cabeça em seu colo deleitando-se em ouvir o próprio nome sendo repetido, junto às doces certezas do verdadeiro afeto. Embalada pela suave voz do desconhecido, adormece e sonha. Uma deslumbrante carruagem de fogo chega, vinda dos céus. Embarcam. Aninham-se, e lá se vão. “Duas pontas de um mesmo laço”, finalmente juntas.
(Dedicado à Maria do Egito)
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terça-feira, abril 12, 2005

INÉRCIA

Entre duros ângulos
Cruzo os dedos.
Tento vôo de andorinha.
Nem se move a parede,
Nem a sombra que nela pousa.

Entro em giro desertor.
Cruzo ombros.
Lanço um olhar de soslaio.
Nem se move a minha alma,
Nem a ave que nela aterra.

Esvazio a minha mente,
Cruzo em prece as mãos,
Pousando-as sobre o peito.
Nem se move este silêncio,
Nem a chaga que ao coração assombra...

(Continuo dedicando a Anselm Grün)
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terça-feira, abril 05, 2005

SEM EIRA NEM BEIRA

revirei minha bolsa
olhei dentro de armários
vasculhei dicionários
estantes, memórias, instantes
andarilha da alma
me embrenhei por escuros
abecedários vazios
desisti de meu verso invertido
vocabulário perdido

sem eira nem beira
encontrei-me despida
catadora do olhar
em reversa palavra
emprenhei-me da luz
serena a esperar
no prazo o ato
parto de mim
finalmente a dor
há de se cumprir poesia

(Dedicado a Anselm Grün)
>

sábado, abril 02, 2005

TOQUE NA DESPEDIDA

Vôo que não saiu do solo
Mãos que não se tocaram

Meus olhos intactos
Que nunca viram os teus
Fixam a janela vazia
Só tua suave luz
Revela a graça
Da confiante entrega
À Divina Misericórdia

Voa nos cânticos
Das mãos que agora se entrelaçam
Leva junto o meu olhar
Serenado pelos sinais
Que a nós ofereceste

_________________________________

Naquele exato instante

Via-te entre brancos e azuis

Abraçava-te

E já eras recebido

Pela misericórdia do Pai

Sem saber, despedia-me

Em meus braços, as nuvens, lembrança

Em teu sorriso, a esperança, coragem

Chegaste

Prossigo...

______________________________

(Dedicado a João Paulo II)

>


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quarta-feira, março 30, 2005

SEM SENTIDO

,
Lê-me nas tuas entrelinhas
É lá que minh' alma se engata
Quando o coração descarrilha.

(Dedicado a Rollo May)
,

domingo, março 27, 2005

POR AMOR

Por amor me transformei no vento
A levar seu eco
A soprar seu canto

Por amor me abri estrela
A iluminar seu rastro
E apagar seu medo

Me tornei criança
Que brinca, que foge
Que corre, que abraça

Por amor eu me fiz mistério
Por amor eu me vi deserto
Olho no olho
Passo a passo
Verbo no verbo
Conquistei caminhos

Por amor me reparti em doze
Me religuei cordeiro
Me transmutei suave
Me transpassei de dores
Entreguei minha voz
Meu corpo, alma e coração

Por amor, por você
Adormeci no inferno
Enfrentei batalhas
Ao terceiro dia
Explodi sublime
Me encontrei sereno
A me recomeçar.

(Dedicado aos amigos que por aqui passam, parceiros na celebração do Amor)

Feliz Páscoa!
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terça-feira, março 22, 2005

ROGATIVAS

I
Vem...
Prende-me
Nas doces vagas de teu olhar atônito
Embala-me
Na brisa nobre de tua voz poética
Carrega-me
Com firmeza em tuas pegadas vastas.
Vem...
Transforma-te em oásis
Nas secas dunas de meu coração.



II
Vem...
Traze tuas mãos aladas
Leva-me da ilusão rasteira
Para um concreto vôo.
Rapta-me em arroubo e ar.

Faze-me
Volteio em sonhos
Sobrevoando mares.

Cumpre-te
Escancarado anseio
Planando por desertos.

Seremos
Sede e alento,
Hálito em aspiração,
Dúvida na certeza,
Involuta revoada.
Aves livres na presença
Da tormenta serenada.
Vem!

(Dedicado a Santa Catarina de Siena)
___________________________

Continuo com saudades... Beijos, carinho.
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sábado, março 19, 2005

NOVAS ÁGUAS

o que pede a elas
meu coração delirante
um rio de trocas
porto de passagem
uma paixão tropical
miragem do mar
silêncio amoroso
amarrado nas amarras
do atol enxurrada
só uma vez
revés de aluvião anseio

o que pede a elas
meu coração insensato
que, ora se encharca, ora se encolhe
em afogada calmaria
meu espanto, meu pranto
meu confronto e meu conforto
minha desolação
uma vez só uma vez
no mistério das ondas
se destino sede escolha
quem me dera
ser-te apenas navegante.

(São José, pelo menos hoje, no nosso dia, responde-me...)

(Algum tempo depois, já ouço tua voz. Obrigada.)

_______________________________

Preciso dizer aos amigos que por dificuldades técnicas não tenho retribuído às visitas.

Em breve estarei matando minha enorme saudade. Agradeço a todos pela paciência e...
Beijos, carinho.
,

quarta-feira, março 16, 2005

ÁGUAS DE MARÇO

dizem que fecham o verão
(mas)
sequer sabemos os rumos dos colchões
que a enxurrada carrega.
tampas de fogões,
brinquedos boiando nos becos,
um pé de sapato pobre descalço
(o que terá sido de seu par)
são águas banhadas na acidez
que o progresso expele,
trazendo para as calçadas
a incapacidade humana de se humanizar.
águas de março,
procura de vida,
mortificando o que resta
até o outono chegar.

para o povo penitente
que já não mais se agüenta
sendo alagação e enxurro,
águas de março,
que tragam o diferente
ânimo lavando canseira,
aquela semente regada
na corredeira da esperança...
a mudança de estação.

(Enviado a São José)
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quarta-feira, março 09, 2005

O OLHAR POÉTICO

Alguns pensamentos desconexos...

Se procuro o que é bom e belo tendo-os de antemão definidos, restrinjo a minha busca a um simples olhar no espelho.
Vejo-me, narcísica, a me contemplar e a realimentar minha cegueira.
Moldura apagada, deixada à sombra, é tudo o que está ao meu redor.
É o olhar da ignorância, da incompreensão, do desdém. Nega a existência da vida. Aparta e divide. É capaz de destruir e aniquilar.
Mas toda aventura humana que se traduziu no bem e no belo, partiu do olhar poético de alguém sobre o mundo, sobre o outro, sobre as coisas.
O olhar alfabetizado na sintaxe da poesia concentra-se, também, fora de si mesmo. Observa, apreende. Contempla. Permite-se a abertura dos sentidos, decifrando e aceitando o sentido inerente a tudo.
Sem sentimentalismo, o que torna uma coisa bonita ou feia é o meu olhar sobre ela.
Se é de aceitação, o cosmo, a mim, se revela. Sai das trevas.
Se é de interesse, o outro, a mim, se desvela. É compreendido. Ilumina-se. Ao se iluminar acaba por iluminar-me.
O olhar poético, o da emoção e do sentimento, leva-me ao encontro do outro, trazendo-o para mim. Na aproximação, a descoberta da beleza e da bondade, atributos de todos os seres humanos.
A visão poética é assim, humanizante.
A única capaz de ler "os vestígios de esperança que tornam a vida mais humana".
A única capaz de fazer da vida uma possibilidade concreta, verdadeiramente boa, verdadeiramente bela.
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... e como é bom delirar.
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(Dedicado a todos os blog-amigos, parceiros pelos caminhos dos delírios poéticos.)
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terça-feira, março 08, 2005

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

O que dizer para a mulher espancada pelo marido bêbado, desempregado crônico.
O que dizer para ela que, ainda por cima, ouve da vizinha de barraco – se apanhou foi porque mereceu.
O que vou dizer para a mulher-menina que mal alcança a janela do carro, quando ela dança na boquinha da garrafa, em troca de um trocado. O que dizer, quando é recompensada por algum safado.
O que posso falar para a mulher, mãe a espera do filho na porta da FEBEM, quando recebe de volta um cadáver, sem uma justificativa ao menos.
Que respostas dou à mulher arrastando os próprios filhos por uma cidade que os chuta como se fossem trastes.
Como encarar a mulher que deu tudo o que tinha para salvar a vida do filho jurado de morte tão cedo.
E aquela que mesmo trabalhando dobrado recebe a metade.
O que responder para a mulher-gerente-de-rh que diz para outra – você é bonita demais, inteligente demais, não tem o perfil.
Como me dirigir à mulher-pura que olha para outra mulher com olhar de desdém.
Como conversar com a mãe, orgulhosa do filho, que com apenas 13 anos já é um pegador de menininhas. E com as mães das menininhas.
E com a que instiga o filho - se apanhar na rua tem que bater.
O que comemorar com mulheres-damas-de-ferro, as que contrariam o destino, parindo a guerra.

Estou sem ter o que dizer.
De repente a memória me traz a figura sorridente da Ir. Dorothy... aquela que mesmo abençoando seus assassinos não conseguiu estancar o disparo da intolerância.
Quisera fazer festa. Mas frente à tanta insanidade... só consigo gritar.
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domingo, março 06, 2005

ENTRE ASPAS

Amar... apesar de tudo!
Amar... apesar do medo, da ansiedade, da angústia, da incerteza.
Amar... apesar do passado, do futuro... apesar do presente.
Amar... apesar dos impasses, das dificuldades, dos problemas.
Amar... apesar das impossibilidades.
Amar... apesar do mal, da destruição, da ameaça, do coração de pedra.
Amar... apesar da separação, da indefinição.
Amar... apesar da sombra.
Amar... apesar do outro.
Amar... apesar de mim.
Amar... apesar de Deus.
Amar...
Hoje, mais que nunca, amar.
Amar... a porta que dá acesso ao jardim.


A poesia acima foi extraída do livro “Amar... apesar de tudo” de Jean-Yves Leloup, filósofo, padre ortodoxo (hesicasta), teólogo, autor de numerosas obras de espiritualidade, conferencista. Primeiro livro dele que li. Ou fui por ele relida. Este olhar, o libertador, o da independência, me acompanha desde então. Nada mais me prende se apreendo as dimensões do amar. Procuro ir em frente, apesar dos pesares. E no titubeio, volto-me para este olhar e me deixo olhar também.

Dedicado às mulheres.
Dedicado aos homens.
Dedicado às jovens, aos jovens, às crianças.
Dedicado a todos, enfim, seja qual for o credo, a raça, a classe social, a profissão.
Pois chegará o tempo em que não haverá mais necessidade de um dia para a mulher.
Todos os 365, serão do Amor.
Apesar de...
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sexta-feira, março 04, 2005

SOU CAIPIRA PIRA-PORA-NOSSA

Eu não consigo andar bem
Vivo o maior rebuliço
Chego a imaginar também
Que me puseram feitiço

Sempre muito magoada
Sempre muito saudosa
Não levo a vida ditosa
De mulher apaixonada

Mas há algo que existe
A coisa até que é jeitosa
Meu coração não resiste
Pois é graça preciosa

No doce toque da viola
Tudo muda de repente
É ela quem me consola
De triste, passo a contente

Ao pontear com o Almir
Me arrasta Renato Teixeira
Ensaio um novo sorrir
Sinto-me até mais faceira

Arrisco meu sonho de amor
Com cheiro de mato apeiro
Rendo-me ao vivo calor
Ardendo não só co’a viola
Se em brasa me olha o violeiro

(Dedicado a Patativa do Assaré)