os manuscritos do mar morto
antigo antro de tortura despe-se da maldição e se faz magia
a tempestade cai inunda a alma e estanca o tempo
no palco para o tesouro trazido de qumran
o passado se faz presente
apresenta-se em fragmentos de como tudo começou
pequenas tiras de couro, jarros, moedas, lamparinas,
iluminando o imaginário trazendo a ancestralidade
estão à minha frente os indícios
os salmos cantados lá são os mesmos que canto aqui
a sede que matava essênios é a mesma que agora abate
embora cisternas mostrem a busca de purificação
o pão, o vinho nas mesas altares da comunidade
cenas repetidas vozes
a fé se rende à razão.
ecos da esperança
tanto que o povo esperou chegou-me na parábola
do poço fundo do desejo, cinco sentidos dirpersos
em vida que não se sacia
aquela mulher pecadora, samaritana impura
viu de perto a água viva do amor
desperta para um sexto sentido
irriga o seco deserto
pequenas gotas, torrentes
inundam a razão com esperança
o eco - dá-me de beber - foi a senha
e ela nunca mais teve sede.
(Dedicado a João, o reverberador)
segunda-feira, fevereiro 28, 2005
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
CANTA COMIGO O MEU REFRÃO
Afivelo as malas da covardia e montada nas asas dos ventos
vou de encontro à barreira do nada.
...................................................................voa-vida-visa-o-vento
...................................................................vinte-vezes-vent-o-ar
Os compromissos se perdem.
Os desafetos se ralam
e as aparências das coisas desaparecem
nas transparências do medo.
É assim, mansamente que a caçada começa.
Despojada do absoluto, sem lembranças,
sem a prepotência antiga
vou saindo do passado.
Não é a placidez o que busco.
Nem a esperança de uma ação lúcida,
nem tão-pouco o sentido do universo
(o que na verdade é tão pouco).
Agora só ouço a dança na praça, não nego
o começo do sangue, não vejo a cabeça que se foi.
Afivelo as malas da fantasia, acomodo as miçangas no cinto
e nem sinto a presença da posse.
...................................................................voa-vida-visa-o-vento
...................................................................vinte-vezes-vent-o-ar
Loba, seu presente...
É só resolver com quem e sair cantando.
No sábado ensolarado... Feliz aniversário!
vou de encontro à barreira do nada.
...................................................................voa-vida-visa-o-vento
...................................................................vinte-vezes-vent-o-ar
Os compromissos se perdem.
Os desafetos se ralam
e as aparências das coisas desaparecem
nas transparências do medo.
É assim, mansamente que a caçada começa.
Despojada do absoluto, sem lembranças,
sem a prepotência antiga
vou saindo do passado.
Não é a placidez o que busco.
Nem a esperança de uma ação lúcida,
nem tão-pouco o sentido do universo
(o que na verdade é tão pouco).
Agora só ouço a dança na praça, não nego
o começo do sangue, não vejo a cabeça que se foi.
Afivelo as malas da fantasia, acomodo as miçangas no cinto
e nem sinto a presença da posse.
...................................................................voa-vida-visa-o-vento
...................................................................vinte-vezes-vent-o-ar
***
Loba, seu presente...
É só resolver com quem e sair cantando.
No sábado ensolarado... Feliz aniversário!
quarta-feira, fevereiro 23, 2005
O ALPENDRE
Muito pano pra manga
Um bule de café boca de pito
Cadeiras de vime ou palha
Tem até som de viola
Sofrida sina cabocla
Desafinando em terças
Trazendo cheiro de mato
O tempo parou neste alpendre
Almas em simples prazer
Afogadas no reencontro
A reacender a fogueira
Grilos fazendo coro
O pio da coruja confirma
Conversa jogada fora
Sentido calando dentro.
Quanto mais mato a saudade
Mais a danada aumenta.
(Dedicado a Almir Sater)
.
Um bule de café boca de pito
Cadeiras de vime ou palha
Tem até som de viola
Sofrida sina cabocla
Desafinando em terças
Trazendo cheiro de mato
O tempo parou neste alpendre
Almas em simples prazer
Afogadas no reencontro
A reacender a fogueira
Grilos fazendo coro
O pio da coruja confirma
Conversa jogada fora
Sentido calando dentro.
Quanto mais mato a saudade
Mais a danada aumenta.
(Dedicado a Almir Sater)
.
sábado, fevereiro 19, 2005
UM QUASE TUDO QUASE NADA
.
"extar"
é quase um desalento
é quase todo o tormento
é quase meu sofrimento
é quase uma solidão
é quase recusa e entrega
é quase o esquecimento
:
quisera fora
quase eternamente
.
(Dedicado a Rosileny Alves dos Santos)
.
quarta-feira, fevereiro 16, 2005
Auto-Definindo-Alto
De Adélia ou felipa quero os resmungos,
As queixas imaginárias ou reais
Seu embate enlevo com sagrados véus
As madeixas da sabedoria plena
Um carlos poeta de imperativo incêndio
Que me sussurre assim como a ela
Um desdobrável peito feito ladeira acima
As queixas imaginárias ou reais
Seu embate enlevo com sagrados véus
As madeixas da sabedoria plena
Um carlos poeta de imperativo incêndio
Que me sussurre assim como a ela
Um desdobrável peito feito ladeira acima
De ti, Adélia, invejo e confesso
Mais do que a poética, roubo-te
Mais do que a poética, roubo-te
A maturidade, a aceitação mineira
Do fortuito, do inevitável e da busca
No profano o que divino resta
Serena palavra ao encontro de ti mesma
De verdade tanta incontestável manto
Quero como tu, entardecer-me fé
Do fortuito, do inevitável e da busca
No profano o que divino resta
Serena palavra ao encontro de ti mesma
De verdade tanta incontestável manto
Quero como tu, entardecer-me fé
De Teresa o que posso dizer
Furto-lhe a cadência e a elegância
Em feroz contenda, defesa firme da fé
Um joão santo poeta que em glosa seja
Arrebatado por meu verbo, verso amar
O fino e ferino humor, a sensualidade
Anseio de Deus feito fogo ardente
.
De ti, Teresa, invejo e confesso,
Mais do que a visão profética, roubo-te
O desejo da morte, se está longe o amado
A coragem santa expondo o próprio ventre
Alegria na agonia da entrega
Em labaredas ao abraço de Jesus
Espero ao anoitecer-me fé
Queimar-me na verdade como tu fizeste
Mais do que a visão profética, roubo-te
O desejo da morte, se está longe o amado
A coragem santa expondo o próprio ventre
Alegria na agonia da entrega
Em labaredas ao abraço de Jesus
Espero ao anoitecer-me fé
Queimar-me na verdade como tu fizeste
.
Nos Campos quanto há mais para se voejar
Roubo-lhes o arejado em rente
A ruptura, o descontínuo espaço
Desconstrução real
Falácia verdadeira
Verso em espiral
Rima derradeira
Traços no papel.
Roubo-lhes o arejado em rente
A ruptura, o descontínuo espaço
Desconstrução real
Falácia verdadeira
Verso em espiral
Rima derradeira
Traços no papel.
mão escrevente mente crendo a teia
sorvido laço em suave e complacente ardor
e o que mais aspirar posso do viver na expressão
(Dedicado ao Pai que um dia há de explicar os motivos do meu sempre querer se é para nunca alcançar)
O DESFECHO
Um estrondo, um grito:
- Ai, meu Deus!
Os três, como que petrificados, olham-se perplexos:
- Marinalva! O que você está fazendo aqui?
Do chão, ainda sobre a mesinha espatifada...
- Ai, desculpa... é que esqueci... desculpa...os olhos arregalados...
Voltando do estado catatônico, ele arranca a manta que fora cuidadosa e displicentemente ajeitada sobre o sofá e a enrola na cintura.
Ela se abaixa e ajuda Marinalva a se levantar:
- Desculpa... é que esqueci...
- Esqueceu o quê, mulher?
- Esqueci... ai, dona Adélia, deixa eu arrumar... me desculpa...
- Não vai arrumar nada! Vai para casa, Marinalva... Ai, não, meu cristal!
Estilhaçado, em mil pedaços, o cristal. Põe-se a chorar descontroladamente. Abaixa-se tentando recolher o que restara.
- Desculpa... é que... é que...
Interrompendo a gagueira choraminguenta de Marinalva ele a encaminha para fora da sala.
- É melhor você ir agora.
- É que tenho que...
- Vai Marinalva... amanhã, amanhã...
Volta-se para Adélia, ajoelhada sobre o brilho do tapete.
Pega-a pela mão, acomoda-a no sofá, afofa as almofadas, dirige-se para a eletrola e deixa que Cole Porter inunde a sala pela voz de Kiri.
Adélia, enquanto ele se aproxima, ainda convulsa, não pode deixar de pensar que já devia ter trocado aquela manta. Não sabe por que, de repente, aqueles sóis e luas começaram a incomodar... e as estrelinhas, tão desbotadas, coitadas, a própria alma...
Da cozinha, um som estridente. Marinalva, estabanada, deve ter tropeçado em alguma coisa antes de ir embora batendo a porta com novo estrondo. Mesmo assim, como gosta daquela que tanto a tem ajudado. Uma vida. Até os netinhos ela os tem estragado com mimos.
Em definitivo, a sós.
Nem notara que a mão sangrava e que ele, já sentado ao seu lado, delicadamente tentava arrancar-lhe o caquinho.
Um beijo sobre o corte, corta o choro.
Sente o calor daquela mão que continua a prender a sua. A outra, alisa-lhe os cabelos.
Alguns soluços meio às palavras.
- Lembra-se de quando ela escondeu, no forno o boletim da...
- E quase põe fogo na casa... ?
- E o dia em que a bandeja foi inteira para o colo de dona... ?
- Como você ficou histérica quando ela quebrou a imagem de Nossa Senhora das Candeias... !
Rindo, nem conseguem completar as lembranças.
- E agora, onde é que vou arrumar as suas rosas das sextas?
Adélia se espanta com a própria voz perguntando e leva a mão à boca na tentativa de conter o que pensa.
Olham-se. Percebem-se. Revivem-se.
Quando o riso de ambos se acalma, Jonathan começa a sussurrar.
Ela reconhece de imediato a primeira poesia que fez para ele. Aquela que falava do poder do olhar, do entrelaçar das mãos, da carícia nos cabelos. Delírios da juventude.
- Você ainda sabe de cor?
- Como poderia esquecer do aviso... de que estaríamos irremediavelmente atados... sorri...
Olham-se com afeto.
Em silêncio, acompanham Cole Porter.
Há quanto tempo! Por onde será que eu andei? pensa Jonathan. Entrega-se ao calor contido do corpo de sua mulher.
Adélia, com a cabeça sobre aquele ombro espadaúdo e bronzeado que bem conhece, pensa que amanhã deve sair para escolher a nova manta. Agora uma com estampa mais geométrica, talvez, e aproveitar para comprar outro vaso, quem sabe um chinês... suspira, sente o cheiro que exala do corpo de seu homem.
- Ah, quanto tempo!
Passa-lhe pela cabeça que precisa providenciar outra imagem da Senhora das Candeias.
E nada mais. Os pensamentos se apagam.
Nossa amiga Loba vem promovendo, semanalmente, verdadeiras oficinas de redação. Em uma delas desafiava-nos a terminar um conto. Resumo aqui o início da história. Uma mulher sofrida, insatisfeita com o tédio da vida de casada dirige-se ao marido dizendo querer o divórcio. Ele, sem responder, começa a tirar a roupa, na tentativa de seduzi-la. A partir deste ponto, desenvolvi o texto acima que foi publicado no lobabh.zip.net, no dia 04/02/2005, junto com as criações de todos os blogueiros que participaram da brincadeira. O meu post anterior ao de hoje, Aviso, é fruto da mesma oficina.
(Loba, hoje dedico a você.)
- Ai, meu Deus!
Os três, como que petrificados, olham-se perplexos:
- Marinalva! O que você está fazendo aqui?
Do chão, ainda sobre a mesinha espatifada...
- Ai, desculpa... é que esqueci... desculpa...os olhos arregalados...
Voltando do estado catatônico, ele arranca a manta que fora cuidadosa e displicentemente ajeitada sobre o sofá e a enrola na cintura.
Ela se abaixa e ajuda Marinalva a se levantar:
- Desculpa... é que esqueci...
- Esqueceu o quê, mulher?
- Esqueci... ai, dona Adélia, deixa eu arrumar... me desculpa...
- Não vai arrumar nada! Vai para casa, Marinalva... Ai, não, meu cristal!
Estilhaçado, em mil pedaços, o cristal. Põe-se a chorar descontroladamente. Abaixa-se tentando recolher o que restara.
- Desculpa... é que... é que...
Interrompendo a gagueira choraminguenta de Marinalva ele a encaminha para fora da sala.
- É melhor você ir agora.
- É que tenho que...
- Vai Marinalva... amanhã, amanhã...
Volta-se para Adélia, ajoelhada sobre o brilho do tapete.
Pega-a pela mão, acomoda-a no sofá, afofa as almofadas, dirige-se para a eletrola e deixa que Cole Porter inunde a sala pela voz de Kiri.
Adélia, enquanto ele se aproxima, ainda convulsa, não pode deixar de pensar que já devia ter trocado aquela manta. Não sabe por que, de repente, aqueles sóis e luas começaram a incomodar... e as estrelinhas, tão desbotadas, coitadas, a própria alma...
Da cozinha, um som estridente. Marinalva, estabanada, deve ter tropeçado em alguma coisa antes de ir embora batendo a porta com novo estrondo. Mesmo assim, como gosta daquela que tanto a tem ajudado. Uma vida. Até os netinhos ela os tem estragado com mimos.
Em definitivo, a sós.
Nem notara que a mão sangrava e que ele, já sentado ao seu lado, delicadamente tentava arrancar-lhe o caquinho.
Um beijo sobre o corte, corta o choro.
Sente o calor daquela mão que continua a prender a sua. A outra, alisa-lhe os cabelos.
Alguns soluços meio às palavras.
- Lembra-se de quando ela escondeu, no forno o boletim da...
- E quase põe fogo na casa... ?
- E o dia em que a bandeja foi inteira para o colo de dona... ?
- Como você ficou histérica quando ela quebrou a imagem de Nossa Senhora das Candeias... !
Rindo, nem conseguem completar as lembranças.
- E agora, onde é que vou arrumar as suas rosas das sextas?
Adélia se espanta com a própria voz perguntando e leva a mão à boca na tentativa de conter o que pensa.
Olham-se. Percebem-se. Revivem-se.
Quando o riso de ambos se acalma, Jonathan começa a sussurrar.
Ela reconhece de imediato a primeira poesia que fez para ele. Aquela que falava do poder do olhar, do entrelaçar das mãos, da carícia nos cabelos. Delírios da juventude.
- Você ainda sabe de cor?
- Como poderia esquecer do aviso... de que estaríamos irremediavelmente atados... sorri...
Olham-se com afeto.
Em silêncio, acompanham Cole Porter.
Há quanto tempo! Por onde será que eu andei? pensa Jonathan. Entrega-se ao calor contido do corpo de sua mulher.
Adélia, com a cabeça sobre aquele ombro espadaúdo e bronzeado que bem conhece, pensa que amanhã deve sair para escolher a nova manta. Agora uma com estampa mais geométrica, talvez, e aproveitar para comprar outro vaso, quem sabe um chinês... suspira, sente o cheiro que exala do corpo de seu homem.
- Ah, quanto tempo!
Passa-lhe pela cabeça que precisa providenciar outra imagem da Senhora das Candeias.
E nada mais. Os pensamentos se apagam.
* * *
Nossa amiga Loba vem promovendo, semanalmente, verdadeiras oficinas de redação. Em uma delas desafiava-nos a terminar um conto. Resumo aqui o início da história. Uma mulher sofrida, insatisfeita com o tédio da vida de casada dirige-se ao marido dizendo querer o divórcio. Ele, sem responder, começa a tirar a roupa, na tentativa de seduzi-la. A partir deste ponto, desenvolvi o texto acima que foi publicado no lobabh.zip.net, no dia 04/02/2005, junto com as criações de todos os blogueiros que participaram da brincadeira. O meu post anterior ao de hoje, Aviso, é fruto da mesma oficina.
(Loba, hoje dedico a você.)
domingo, fevereiro 13, 2005
AVISO
Se me queres a ti cativa
Olha-me fundo nos olhos.
Desvendarás meus segredos,
Devolver-te-ei o olhar,
Revelarás teus anseios,
E verás meu sentir
Capturado nos olhos teus.
A seguir, toca levemente meus cabelos.
Desembaraça o nó das idéias desalinhadas,
Encontra a ponta dos pensamentos malbaratados.
Puxa-a para ti e terás a posse de minha razão.
Por fim, entrelaça a tua mão na minha mão,
Desperta o meu pulsar.
Sentirás a cadência de um coração acorrentado.
Mas, antes que se fechem as algemas,
Devo avisar-te dos perigos que corres.
Ter-me-ás inteira a ti ligada,
Serás carcereiro do meu ser,
E eu detenta de teu bem-querer.
E nesta hora, doce carcereiro,
Numa ironia das que a vida, às vezes, oferece,
(Felicidade suprema!)
Estarás irremediàvelmente atado a mim,
Prisioneiro que és, de todo aquele que aprisionas.
(Inspirado por Jonathan)
Olha-me fundo nos olhos.
Desvendarás meus segredos,
Devolver-te-ei o olhar,
Revelarás teus anseios,
E verás meu sentir
Capturado nos olhos teus.
A seguir, toca levemente meus cabelos.
Desembaraça o nó das idéias desalinhadas,
Encontra a ponta dos pensamentos malbaratados.
Puxa-a para ti e terás a posse de minha razão.
Por fim, entrelaça a tua mão na minha mão,
Desperta o meu pulsar.
Sentirás a cadência de um coração acorrentado.
Mas, antes que se fechem as algemas,
Devo avisar-te dos perigos que corres.
Ter-me-ás inteira a ti ligada,
Serás carcereiro do meu ser,
E eu detenta de teu bem-querer.
E nesta hora, doce carcereiro,
Numa ironia das que a vida, às vezes, oferece,
(Felicidade suprema!)
Estarás irremediàvelmente atado a mim,
Prisioneiro que és, de todo aquele que aprisionas.
(Inspirado por Jonathan)
terça-feira, fevereiro 08, 2005
FELIZES
OS
QUE
PROMOVEM
A
PAZ
Mandamentos da paz solidária
Saber colocar-se no lugar do outro.
Não responder à violência com violência.
Promover o diálogo.
Interessar-se pela comunidade.
Descobrir e valorizar o que há de positivo nas pessoas.
Fazer parcerias, juntar forças.
Cuidar das causas dos problemas.
Conhecer e usar os recursos legais.
Não ficar em silêncio diante da injustiça.
Cultivar a espiritualidade da esperança e da reconciliação.
OS
QUE
PROMOVEM
A
PAZ
Mandamentos da paz solidária
Saber colocar-se no lugar do outro.
Não responder à violência com violência.
Promover o diálogo.
Interessar-se pela comunidade.
Descobrir e valorizar o que há de positivo nas pessoas.
Fazer parcerias, juntar forças.
Cuidar das causas dos problemas.
Conhecer e usar os recursos legais.
Não ficar em silêncio diante da injustiça.
Cultivar a espiritualidade da esperança e da reconciliação.
Oração Ecumênica
Ó Senhor, Deus da vida,
que cuidas de toda criação, dá-nos a paz!
Que a nossa segurança não venha das armas, mas do respeito.
Que nossa força não seja a violência, mas o amor.
Que nossa riqueza não seja o dinheiro, mas a partilha.
Que nosso caminho não seja a ambição, mas a justiça.
Que nossa vitória não seja a vingança, mas o perdão.
Desarmados e confiantes, queremos defender
a dignidade de toda criação, partilhando,
hoje e sempre, o pão da solidariedade e da paz.
Por Jesus Cristo teu Filho divino, nosso irmão,
que, feito vítima da nossa violência,
ainda do alto da cruz, deu a todos o teu perdão.
Amém!
“Um mandamento novo eu vos dou: amai-vos uns aos outros.
Como eu vos amei, vós também amai-vos uns aos outros.
Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos:
Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos:
no amor que tiverdes uns para com os outros”
(Jo 13,34-35).
Campanha da Fraternidade-2005 Ecumênica
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC
(Jo 13,34-35).
Campanha da Fraternidade-2005 Ecumênica
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC
(Fonte: Manual de orientação para a Campanha da Fraternidade/2005 - Editora Salesiana)
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
BRINCANDO DE RODA
Esperando por você
me vesti com meu sonho mais bonito
me pintei com as cores da lembrança e
perfumei meu corpo com o aroma da saudade.
Esperando por você
voei a vida, fiz planos loucos
fui Marília, Josefina, Madalena
fiz asa delta, pedalei a bicicleta
peguei gripe e catapora
saltei pelos muros da agonia e
fiz de conta que as contas não se ajustam.
Esperando por você
transformei a poesia em absurdo
o carinho em desencontro
a verdade em rigidez.
Esperando por você
fiz do amor um passatempo
e me vi amando ainda...
tendo tudo a esperar.
(Dedicado a Jean-Yves Leloup)
terça-feira, fevereiro 01, 2005
FILHA PERGUNTANDO À MÃE
Oh, Senhora das Candeias!
o que tanto iluminas
que ainda não consigo ver?
Oh, Senhora das Candeias!
por que tanto me incendeias
se nem sei o que quero querer?
Dedicado àqueles que do leve ardor do suspiro
queimam-se, agora, em gemido...
sábado, janeiro 29, 2005
CENAS PARA UM ACENO
Estaciona a carrocinha. Acomoda as sacolas. Acaricia o cachorro.
Cabisbaixo, caminha até à estante. Algumas caixinhas cuidadosamente ali acomodadas guardam um derradeiro sinal. Procura. Enfileiradas, coloridas, etiquetadas. Seus olhos brilham quando encontram o próprio nome. Zé de Jesus. Ainda tímido se reconhece. Uma toalha limpa e, em alguns instantes, o cansaço será escoado pelo ralo do chuveiro.
A insanidade abandonada, no abandono da cadeira de barbeiro, os cabelos aparados, a face escanhoada, dar-lhe-ão um corpo livre dos pecados alheios. O suficiente para sentir-se digno de sentar-se à mesa.
Comida quente, sólida, gostosa. O estômago reage contente. Há quanto tempo...
Ao cerrar os olhos é invadido por um canto e quase relembra a infância. Confuso, deixa que as imagens se percam novamente, pois há muito de nada servem.
Numa rápida cochilada permite-se alguns poucos e indefinidos sonhos.
Recupera as forças.
Junta os trastes, assobia para o cachorro, é abraçado calorosamente, despede-se. Mais uma vez agradece pelo retalho de identidade. Encara a trilha deixando para trás a saboneteira que o distingue pelo nome. Ela ficará à espera sem nada perguntar, sem nada pedir. Zé de Jesus, rosto erguido, volta ao anonimato.
Debruçados sobre a grade da varanda, acompanhamos a cena. Somos tomados pela brisa refrescante à qual se junta a melodia do coro à capela. O homem está quase a se perder na estrada, mas nossos olhos ainda o alcançam. Lépido, papeando com o cachorro, volta-se para o adeus. Contra o lusco-fusco do poente, rápida visão nos emudece. Ao redor de nosso Zé, desenhado em brilhos, um majestoso ostensório. Jesus acena, sorri seu sorriso desdentado e segue se dissipando, confundindo-se com o caminho.
Os últimos acordes da música em ralenti acompanham as cortinas que se fecham.
Cabisbaixo, caminha até à estante. Algumas caixinhas cuidadosamente ali acomodadas guardam um derradeiro sinal. Procura. Enfileiradas, coloridas, etiquetadas. Seus olhos brilham quando encontram o próprio nome. Zé de Jesus. Ainda tímido se reconhece. Uma toalha limpa e, em alguns instantes, o cansaço será escoado pelo ralo do chuveiro.
A insanidade abandonada, no abandono da cadeira de barbeiro, os cabelos aparados, a face escanhoada, dar-lhe-ão um corpo livre dos pecados alheios. O suficiente para sentir-se digno de sentar-se à mesa.
Comida quente, sólida, gostosa. O estômago reage contente. Há quanto tempo...
Ao cerrar os olhos é invadido por um canto e quase relembra a infância. Confuso, deixa que as imagens se percam novamente, pois há muito de nada servem.
Numa rápida cochilada permite-se alguns poucos e indefinidos sonhos.
Recupera as forças.
Junta os trastes, assobia para o cachorro, é abraçado calorosamente, despede-se. Mais uma vez agradece pelo retalho de identidade. Encara a trilha deixando para trás a saboneteira que o distingue pelo nome. Ela ficará à espera sem nada perguntar, sem nada pedir. Zé de Jesus, rosto erguido, volta ao anonimato.
Debruçados sobre a grade da varanda, acompanhamos a cena. Somos tomados pela brisa refrescante à qual se junta a melodia do coro à capela. O homem está quase a se perder na estrada, mas nossos olhos ainda o alcançam. Lépido, papeando com o cachorro, volta-se para o adeus. Contra o lusco-fusco do poente, rápida visão nos emudece. Ao redor de nosso Zé, desenhado em brilhos, um majestoso ostensório. Jesus acena, sorri seu sorriso desdentado e segue se dissipando, confundindo-se com o caminho.
Os últimos acordes da música em ralenti acompanham as cortinas que se fecham.
“O olho lhe mostra um pobre, a fé lhe mostra Jesus”.
Charles de Foucauld, a quem dedico estas cenas.
quinta-feira, janeiro 27, 2005
SOBRE O AMOR
Falar de amor dá arrepio
O assunto é desafio
É ter a alma por um fio
Sentir-se sempre no cio
É maquiar cara de cínica
Ouvir Simone e ser tímida
Olhar-se no espelho, mínima
Fingir que não está nem aí
Tendo aos saltos o coração
Responder "nem te ouvi"
Quando olhada com paixão
Mas se o doce olhar vai embora
Cansado de tanta espera
Madalena desespera
Chora, esperneia, tece a hora
Faz melodrama barato
Corre atrás de seu guerreiro
E se o amor for verdadeiro
Logo no primeiro ato
Tem-no para si, por inteiro
Lá vai ela segura
De novo desdenha o amado
Esquece toda a ternura
Sem procurar entender
Ele sai logo à procura
De quem não o faça magoado
Desse mal não quer sofrer
São jogos bem engraçados
Dos velhos tempos de Adão
Os dois andam separados
E se ao invés de apavorados
Assumem-se enamorados
Provocam do amor, a explosão
A experiência festejo
Mais velha, me regozijo
Quando m’ olham com desejo
Se for pra perder o ensejo
Perco bem antes, o juízo.
(Originariamente dedicado a Mark Twain, Ivan Lins e Joyce)
(Hoje, dedicado aos que, por amarem o amor, cultivam apenas possibilidades)
O assunto é desafio
É ter a alma por um fio
Sentir-se sempre no cio
É maquiar cara de cínica
Ouvir Simone e ser tímida
Olhar-se no espelho, mínima
Fingir que não está nem aí
Tendo aos saltos o coração
Responder "nem te ouvi"
Quando olhada com paixão
Mas se o doce olhar vai embora
Cansado de tanta espera
Madalena desespera
Chora, esperneia, tece a hora
Faz melodrama barato
Corre atrás de seu guerreiro
E se o amor for verdadeiro
Logo no primeiro ato
Tem-no para si, por inteiro
Lá vai ela segura
De novo desdenha o amado
Esquece toda a ternura
Sem procurar entender
Ele sai logo à procura
De quem não o faça magoado
Desse mal não quer sofrer
São jogos bem engraçados
Dos velhos tempos de Adão
Os dois andam separados
E se ao invés de apavorados
Assumem-se enamorados
Provocam do amor, a explosão
A experiência festejo
Mais velha, me regozijo
Quando m’ olham com desejo
Se for pra perder o ensejo
Perco bem antes, o juízo.
(Originariamente dedicado a Mark Twain, Ivan Lins e Joyce)
(Hoje, dedicado aos que, por amarem o amor, cultivam apenas possibilidades)
domingo, janeiro 23, 2005
REMANSO
Demoras...
Mas quando voltas me arrebatas
Se hesito me encontras
Compensas vaga indefinição
Agora...
Já me atrai o mergulho
Em lágrimas amalgamadas
Rendo-me ao teu fascínio
Dissipo-me no teu refluir
E eu que só queria estar perto
Entendo o que esperas de mim
Mais do que estar perto ou junto
Almejas fundir-se ao meu ser
Fluindo destravo as comportas
Entrego-me espraiada
Dissolvo-me no teu querer
(Inspirado por Maria Cláudia e dedicado à Nicole Jeandot)
Mas quando voltas me arrebatas
Se hesito me encontras
Compensas vaga indefinição
Agora...
Já me atrai o mergulho
Em lágrimas amalgamadas
Rendo-me ao teu fascínio
Dissipo-me no teu refluir
E eu que só queria estar perto
Entendo o que esperas de mim
Mais do que estar perto ou junto
Almejas fundir-se ao meu ser
Fluindo destravo as comportas
Entrego-me espraiada
Dissolvo-me no teu querer
(Inspirado por Maria Cláudia e dedicado à Nicole Jeandot)
sexta-feira, janeiro 21, 2005
A ESPERA EM TRÊS ATOS
I
Pacientemente devo esperar
Que o teu fado
Comece a tocar em mim
Tua tristeza em não me ter
Leva-me a buscar subterfúgios
Pois é além do que posso compreender
II
Indefinidamente hás de esperar
Que minha sina
Comece a se revelar em ti
Minha tristeza em não te ver
Leva-me a procurar refúgio
Onde permaneço aquém de me comprometer
III
Amorosamente tu me sondas
Em sabedoria esperas
Tresloucadamente me esperanço
E em atalhos desespero...
(Dedicado a Edith Stein)
UM ATALHO
Imagina-te silêncio no fingimento da dor,
Da palavra foge, disfarça-te pintor daltônico.
Traze o teu olhar atônito da promessa não cumprida,
Faze-te desolação, mergulha, devora teu vinho,
Embriaga-te! Expanda-te!
Faze-te consolação, cava, traze a semente,
Rega com teu sangue o chão.
Arranca da terra o verbo, engole, saboreia, partilha,
Transforma-te na própria poesia.
Teu verso será morada para as quatro estações.
Realiza-te eternidade!
(pacientemente espera-te em mim; amorosamente esperar-me-ei em ti)
(Dedicado a Fernando Pessoa e a São João da Cruz)
(Inspirado em “Mais Poemas, novos e antigos” de Benno Assmann, post do dia 7/12/04)
Da palavra foge, disfarça-te pintor daltônico.
Traze o teu olhar atônito da promessa não cumprida,
Faze-te desolação, mergulha, devora teu vinho,
Embriaga-te! Expanda-te!
Faze-te consolação, cava, traze a semente,
Rega com teu sangue o chão.
Arranca da terra o verbo, engole, saboreia, partilha,
Transforma-te na própria poesia.
Teu verso será morada para as quatro estações.
Realiza-te eternidade!
(pacientemente espera-te em mim; amorosamente esperar-me-ei em ti)
(Dedicado a Fernando Pessoa e a São João da Cruz)
(Inspirado em “Mais Poemas, novos e antigos” de Benno Assmann, post do dia 7/12/04)
segunda-feira, janeiro 17, 2005
TRIPOLAR
Poucos também me entendem
Sou mar alto, agitado, tenebroso
Sou marola calma, refrescante brisa
Mas quando o inverno me atinge
Fico estática, medrosa
Sendo fria defendo a voz
Sendo gelo aprisiono o espanto
(Dedicado ao Djavan)
sexta-feira, janeiro 14, 2005
IRREVERÊNCIA A VINICIUS
resta o que se faz presente de um futuro incerto.
resta a intimidade quieta dos que se sabem afeto.
resta o raciocínio louco a imaginar trajetos.
resta a lucidez maluca,
conveniente espelho da maluquez serena.
resta o espaço aberto entre olhares mudos.
resta o gesto ambíguo, o dever latente, o querer silente.
resta a suave dor do irrealizável
e esse doce encanto no que se vê possível.
resta o sentir frenético,
o agir profético,
sutil insanidade
do fazer poético.
(dedicado a quem orienta meus atalhos)
resta a intimidade quieta dos que se sabem afeto.
resta o raciocínio louco a imaginar trajetos.
resta a lucidez maluca,
conveniente espelho da maluquez serena.
resta o espaço aberto entre olhares mudos.
resta o gesto ambíguo, o dever latente, o querer silente.
resta a suave dor do irrealizável
e esse doce encanto no que se vê possível.
resta o sentir frenético,
o agir profético,
sutil insanidade
do fazer poético.
(dedicado a quem orienta meus atalhos)
quarta-feira, janeiro 12, 2005
RECUPERAÇÃO
Por onde andavam minhas idéias
Enquanto falavas dos signos
Em que metáforas me escondia
Enquanto tentavas mostrar
A serventia dos sinais
Em que interrogações me metia
A ponto de não escutar
O que enlevado dizias
Sobre a beleza gráfica
Pousada num texto qualquer
Hoje sinto tua falta
De teu amor à gramática
Me arrependo dos devaneios
Das exclamações reticentes
De ser pega te acenando
Para poder depois colar
Por onde é que te escondes
Em que aspas te emaranhas
Sem fôlego desassossegados
Trôpegos qual bêbados tontos
Andam meus versos a esmo
Como começar o suspiro
E recuperar teu desejo
Se nem sei usar os dois pontos
(Dedicado à Márcia Maia que nunca perdeu uma aula nessa vida)
Enquanto falavas dos signos
Em que metáforas me escondia
Enquanto tentavas mostrar
A serventia dos sinais
Em que interrogações me metia
A ponto de não escutar
O que enlevado dizias
Sobre a beleza gráfica
Pousada num texto qualquer
Hoje sinto tua falta
De teu amor à gramática
Me arrependo dos devaneios
Das exclamações reticentes
De ser pega te acenando
Para poder depois colar
Por onde é que te escondes
Em que aspas te emaranhas
Sem fôlego desassossegados
Trôpegos qual bêbados tontos
Andam meus versos a esmo
Como começar o suspiro
E recuperar teu desejo
Se nem sei usar os dois pontos
(Dedicado à Márcia Maia que nunca perdeu uma aula nessa vida)
sexta-feira, janeiro 07, 2005
PRESTIDIGITAÇÃO
Sou despertada por um alarido festivo. Ainda tonta, esfrego os olhos e chacoalho as sandálias. É embaçado o contorno do ambiente. Mesmo assim o reconheço. Estou num oásis. Sinto a sede. Aproximando-me da fonte, vejo-me refletida em suas águas. Vejo também tudo o que me cerca e um certo desconforto me atinge. Parece que mundo está ao inverso. Ali, o reverso é o real; o ilusório, palpável. O verso é o idioma corrente e o avesso ganha expressão. O tempo, que é sempre implacável, pára. Estanca a razão. Em seu lugar, sentimento. Mesmo ofuscada pude ver solidão apontando aconchego. Da dor vi nascer alegria. Vi o fogo que aquece e não queima. Vi o coxo brincando de roda. Ninguém morrendo de fome. No foco um leve pulsar, uma cadência de vida. Ao abandonar-me no ritmo, vi o que até então julgava impossível. A morte sendo abolida, o pretérito no papel de presente e, você nem vai acreditar, algo ainda mais emblemático: uma filha menina parindo a própria mãe. Espantado? Pois, espere, ainda não lhe falei da emoção. Este é só o começo da minha incrível história de amor.
(Dedicado a Gabriel García Márquez)
quinta-feira, janeiro 06, 2005
O que um breve suspirar oculta
O que é contido por um suspiro?
O que vem escondido em rápida emissão de ar?
Inspiro o que me provoca
Prendo no peito instantes,
Tentando eternizar
O que, mesmo quando bom, me faz sofrer.
Para não asfixiar, desisto, solto o corpo,
A voz em lamento vai, expira, expulsa o desejo.
E o coração, oh, pobre coração!
Continua inquieto, vendo a alma rebentar.
Nela mais do que o tolo querer,
Alojado, instalado,
O anseio!
Este sim, assombroso,
Inexprimível, apavorante.
Arrisco descobrir-lhe a razão,
Mas, a respiração teimosa,
Antes que eu me dê conta,
Volta ao ritmo normal da indagação sem resposta.
(O mistério se fecha em si mesmo)
Quisera tê-lo tocado.
Quisera tê-lo provado.
Teria encontrado, agora sabes,
No fole do suspirar,
Na aspiração da alma, o soluço,
O sopro suave, as primícias.
Delícias do mais extremado amor.
(Dedicado ao Dennis)
O que vem escondido em rápida emissão de ar?
Inspiro o que me provoca
Prendo no peito instantes,
Tentando eternizar
O que, mesmo quando bom, me faz sofrer.
Para não asfixiar, desisto, solto o corpo,
A voz em lamento vai, expira, expulsa o desejo.
E o coração, oh, pobre coração!
Continua inquieto, vendo a alma rebentar.
Nela mais do que o tolo querer,
Alojado, instalado,
O anseio!
Este sim, assombroso,
Inexprimível, apavorante.
Arrisco descobrir-lhe a razão,
Mas, a respiração teimosa,
Antes que eu me dê conta,
Volta ao ritmo normal da indagação sem resposta.
(O mistério se fecha em si mesmo)
Quisera tê-lo tocado.
Quisera tê-lo provado.
Teria encontrado, agora sabes,
No fole do suspirar,
Na aspiração da alma, o soluço,
O sopro suave, as primícias.
Delícias do mais extremado amor.
(Dedicado ao Dennis)
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