sábado, outubro 01, 2005

Teresinha, Teresinha, Teresinha!

É quase orar com o olhar
O coração se acalma
Traz consolo para alma
Ver Teresinha no altar
.
É quase céu de doçura
Esta forma de oração
Na foto, a devoção
Teresinha é só ternura
.
É quase todo o carinho
E Jesus sabe que é hora
Faz com que eu encontre agora
Teresinha em meu caminho
.
Santa Teresinha, rogai por nós!
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1º de outubro - dia de Santa Teresinha do Menino Jesus
Deixo aqui um de seus pensamentos:
"Para mim a oração é um simples impulso do coração, um simples olhar que se lança para o céu".
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Quem quiser ver fotos da santa das rosas, clique aqui:
http://images.google.com.br/images?q=santa+teresinha&hl=pt-BR&btnG=Pesquisar+imagens.
E quem quiser saber mais sobre ela:
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terça-feira, setembro 27, 2005

...

duplipensar a vida e as questões
do humano em caminhada
(ou seria trombada)
viajar qual anjo desatinado
na descida aos infernos
ali encontrando o norte
no cheiro podre da morte
fazer valer o valente olhar da poesia
ou do quase nada, quase tudo
em tudo, um quase tudo
.
sugar da palavra a seiva
moendo-a na ação
derramar o suco nos braços
de quem reflete a vida e as questões...
.
contínuo mote do desespero
moto contínuo da esperança...
o que nos resta fazer
nos tempos
de anormal normalidade
(ou normal anormalidade)
.
a minha escolha está feita
por hoje me despeço, peço licença...
tenho um grande amor me esperando.
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(pontos de partida: comentários ao poema Geografando de Dora Vilela em 26/09 - http://pretensoscoloquios.zip.net - e à crônica Quase tudo, quase nada de Loba em 27/o9 - http://www.lobabh.zip.net )
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domingo, setembro 25, 2005

mais uma tentativa

com a canhota descrevo
imagens que surgem borradas
dissipando-se ao leve toque
do teclado emperrado
são versos de mão quebrada
rodam na corda bamba
derrapam em entrelinhas
e se esborracham no concreto
.
oh, manquitolante poesia!
.
por mais que eu queira fazer
valer o olhar do amor
rico por natureza e destino
são pobres as rimas que tenho
ao papel oferecer
assemelham-se a desatinos
e apesar de todo empenho
carecem de qualquer valor
.
(resposta à Anawin)

quarta-feira, setembro 21, 2005

DUPLIPENSAR

até tentei falar de improviso
do inverno que se despede
da primavera batendo à porta
e das promessas que ela traz
a natureza se abrindo em flor
o cinzento ganhando cor
bobaginhas se repetindo
.
porém...
.
em tempos de malvadezas
cinismo, desfaçatez,
desconstrução da utopia
o improviso envergonhado
se auto-consome, se cala.
.
(é hora de regar as aspidistras)
.
Dedicado a George Orwell
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sexta-feira, setembro 16, 2005

COM VOCÊ...

aprendi a esperar a esperança
aprendi a sentir o sol na chuva,
a ouvir o som da cor,
a vibrar o nada e a solidão.
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Aprendi a sentir no corpo
o ardor da espera,
o arrepio da vida,
a amolecida paz.
.
Com você
aprendi a me alegrar na ausência,
a me alegrar no encontro,
a me alegrar,
me alegrar,
alegrar.
.
Na verdade
com você
aprendi a viver
tudo isso que é amar.
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segunda-feira, setembro 12, 2005

NO DESERTO

Pobres de nós
nem uma rede temos
para descansar nossas mentes,
para largar nossos corpos
no tom lascivo do abraço.
.
Pobres de nós,
nem um pátio florido
para abafar nossos passos
traçados pelas tormentas,
trançados na rebeldia.
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(aqui acolá uma fruta caldo escorrente sede)
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Persistem-nos as areias
ásperas, cúmplices, mutantes.
Nelas podemos deitar
nossas febres em urgência,
nossas almas retalhadas
que o vento embala e adormece.
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Pobres de nós, ricos amantes!
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(dedicado aos que do amor são andarilhos)

terça-feira, setembro 06, 2005

AGRADECENDO

Da tormenta inesperada
Recupera-se Cristina
Apesar do caminho longo
De tão penoso caminhar
Algo nos acompanha
Em confiança seguimos
Temos o amparo do Pai.
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Para os que por aqui passam deixo um pensamento de Santa Teresinha do Menino Jesus junto a meus agradecimentos por formarem tão poderosa corrente de orações.
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"Faz-nos tanto bem, quando sofremos, ter corações amigos, cujo eco responde à nossa dor".
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Beijos, carinho.
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quinta-feira, setembro 01, 2005

O REENCONTRO

Estarás desperta
Atenta às minhas palavras
Poderei lembrar casos
O capítulo da novela
Riremos juntas
Das estripulias passadas
E das que ainda virão
Haverá por fim um momento
Em que teu olhar viajante
Fará porto em meus olhos
Sentindo o sentido do tempo
Tua voz estará à espera
A minha em gesto atento
.
No fôlego após um suspiro
Deverei falar o que queres
De verdade e em verdade ouvir
Que estiveste apenas dormindo
Tal criança em abandono
No aconchego do Pai
.
(Dedicado à Tita)

sexta-feira, agosto 26, 2005

TERNAMENTE

De coração de mãe,
Do sentimento do pai,
Tanto se fala e se canta
Mas e da tia
O que se diz afinal
De quem não teve no ventre
O ser que seria metade
Da genealogia e futuro
.
Espécie de espectadoras
Nós duas, sobrinha querida
Parece que temos
Uma dimensão comum
És um olhar em demanda
Sou demanda no olhar
Te sentes quase uma filha
De minha parte, quase mãe
E sem nada sermos
A não ser partes de um quase
Quase nada
Quase tudo
Nos ofertamos na dor
Mútua resistência e vigília
Da existência pressentida
Apenas ternuras em laço
Simples ato de afeto
Este sim, bem mais do que um quase...
Pois sendo simples, completo.
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(À minha doce Tita)
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quarta-feira, agosto 24, 2005

À NOSSA SENHORA DA CABEÇA

Eis-me aqui, prostrado aos vossos pés, ó mãe do céu e Senhora Nossa! Tocai o meu coração a fim de que deteste sempre o pecado e ame a vida austera e cristã que exiges dos vossos devotos. Tende piedade das minhas misérias espirituais! E, ó Mãe terníssima, não vos esqueçais também das misérias que afligem o meu corpo e enchem de amargura a minha vida terrena. Dai-me saúde e forças para vencer todas as dificuldades que me opõe o mundo. Não permitais que a minha pobre cabeça seja atormentada por males que me pertubem a tranquilidade da vida. Pelos merecimentos de vosso divino Filho, Jesus Cristo, e pelo amor a que ele consagrais, alcançai-me a graça que agora vos peço (pede-se a graça que se deseja obter). Aí tendes, ó Mãe poderosa, a minha humilde súplica. Se quiserdes, ela será atendida. Nossa Senhora da Cabeça, rogai por nós.
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Mãezinha do céu, eu confio em vós! Amém.
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(Pela recuperação de Ana Cristina, minha amada sobrinha)
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Sobre a devoção à Nossa Senhora da Cabeça:
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http://www.milicia.org.br/index.asp?pag=central/titulos/cabeca.htm&m=0
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segunda-feira, agosto 22, 2005

O TERÇO DA MISERICÓRDIA

A ser rezado no terço comum, substituindo as orações do terço como indicado:
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No início:
Pai Nosso, Ave-Maria, Credo
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Nas contas do Pai Nosso:
Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade, de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo em expiação de nossos pecados e dos do mundo inteiro.
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Nas contas da Ave-Maria:
Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.
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Ao fim do terço, rezar três vezes:
Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.
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(Pela recuperação de Ana Cristina)
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Extraído de:
http://rosariopermanente.leiame.net/devocoes/misericordia.php
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sábado, agosto 20, 2005

ORAÇÃO A SÃO MIGUEL

São Miguel Arcanjo, protegei-nos no combate, cobri-nos com vosso escudo, contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o, Deus, instantemente o pedimos e vós, Príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém.
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Sacratíssimo Coração de Jesus.
Tende piedade de nós!
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(Por Ana Cristina)

quinta-feira, agosto 18, 2005

PARA UM AMIGO QUE SOFRE

Tenho me perguntado, constantemente, a que distância devo ficar de um amigo que sofre.
Existirá um padrão, um instrumento que me dê esta medida?
Talvez nem tão perto a ponto de invadir seu íntimo ou mesmo perturbar o seu descanso.
Talvez nem tão longe onde não possa escutar seu pranto e seu pedido de socorro.
Ao alcance de um olhar, quem sabe, seja a distância correta.
Lá, onde eu possa oferecer meu próprio olhar e assim abraçar o olhar do amigo.
Lá, naquele ponto em que os corações se encontram e se expandem.
Lá, onde eu possa ficar simplesmente e olhar... e deixar-me olhar... que é a forma pela qual duas almas amigas se entendem e se completam... mesmo que seja por um breve e fugidio momento.

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domingo, agosto 14, 2005

NO DIA DOS PAIS

Nós duas no topo da escada olhando a noite e os faróis. Desenhavam círculos concêntricos. Teu assobio perguntando. O de mamãe respondendo. Descias o baldio traçando uma linha reta. Ora paravas escondendo-te nas folhagens. Ora seguias o sinal que te era enviado.
O trecho pequeno levava, no meu pouco entender, uma eternidade para ser vencido. Não sabia ao certo a razão de tanta agonia. Só me agoniava junto e me esforçava por aprender o assobio em código. Os carros negros desistiam da marcha. Abraçava-te aliviada.
Muito tempo depois de tua partida pude entender o sentido destas cenas. Elas se repetiriam com outros atores, outros cenários, embora tom e tensão fossem os mesmos.
Nos dias de hoje revisito as lembranças em busca de inspiração para continuar. Por onde andariam o teu sopro radiofônico, tua remington incansável, teus varais de fotografias?
Se as respostas, não as encontro, sigo com tua imagem e por mais paradoxal que pareça, dada a saudade que ainda tenho de ti, chego até a me alegrar... por não precisares ver o que fizeram de teus sonhos.
__________________________
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... a todos os pais, o aconchego.
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quarta-feira, agosto 10, 2005

O CUIDADO

cuida do amor que mora em ti
e ele se transformará em gesto amoroso
.
cuida do gesto que voa de ti
a ti ele retornará em cânticos
.
em dueto vela e segue
no caminho a canção se revelará
.
AMOR
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(Dedicado a Clara e Francisco)
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quarta-feira, agosto 03, 2005

PARA TUDO TEM UMA HORA

Um dia, sem mais nem menos,
Começou a pensar na morte.
Como seria o velório...
Nem se atrevia a deixá-lo
Entregue à própria sorte.
Se sempre tudo planejara
Tomou lápis e papel
E lá vai recomendação:
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As cãs da testa disfarçadas
Com flores entremeadas
Descendo pelos cabelos soltos.
Base dando uma cor...
Com as rugas,. nem se importava
Não gostaria é de se ver abatida
Na solene data da própria saída.
Nos olhos, um fino traço
Dando leveza ao olhar,
Um batom discreto, rímel...
A roupa deixaria a gosto
Pedindo só que usassem
Uma que lhe dissimulasse
O contorno arredondado.
Nas mãos, que não esquecessem do rosário.
Lembrava-se toda pomposa
De um de botões de rosas
Vindo direto de Assis.
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Aos amigos, nas despedidas,
Um coquetel bem servido,
Daqueles com até prato quente
E para passar o tempo,
Que contratassem um trio:
Bateria, piano e baixo.
Em anexo, o repertório seguia.
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Para a encomendação,
O coro da Igreja São Bento
Em gregorianos mistérios.
Quem sabe um solo com Fortuna...
Imaginou as coroas, mensagens,
Carruagens empurrando-a para o céu
E, no auge da pretensão,
Antevia já o reencontro
Com falecidos queridos.
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A missa, em alguma capela,
Filtrando por entre vitrais
Floridas azaléias em eternas florações.
As luzes todas acesas,
Velas novas no altar.
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E as flores, de preferência
O amor-perfeito
Em arranjos esparramados.
Seriam tantos vasinhos
Que cada convidado
De lembrança um carregasse.
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Último ato de insubordinação:
Liturgia fúnebre, nem pensar.
Mesmo sem ao Sr. Bispo avisar,
Que trocassem as leituras.
A primeira, encontrariam em Provérbios.
Aquela em que a sabedoria se apresenta
Junto de Deus, a artífice
Brincando sobre o globo de sua terra.
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Deixava ao gosto dos amigos
A escolha do cantor
Do salmo, deste sim, fazia questão.
Que fosse o do Bom Pastor,
Atravessando-a pelo vale escuro,
Segurando-a pela mão.
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Para a segunda leitura,
A carta de São Paulo aos Coríntios.
Perfeita ao definir o amor
A que tudo desculpa, tudo crê,
Tudo espera e suporta.
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Pelo incenso perfumado,
O Evangelho a ser cantado,
Do Apocalipse um trecho
Em que Nossa Senhora a esperasse
Revestida de sol e realeza
Resplandecente, maternal beleza.
O padre, sacerdote zeloso,
Saberia em sua homilia
Ser loquaz e amoroso
Nos cuidados aos presentes.
Haveria ainda um momento
Para se encaixar
Uma ressalva aos lá do alto.
Até que seria sensato
Acrescentar os novatos
E ressoar com encanto,
Entremeada a prantos,
A ladainha de todos os santos.
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Mas o que seria gravado
Na lápide a defini-la?...
Releu o que havia escrito
Em busca de inspiração.
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E... só então...
.
Fez um balanço da vida.
Da vida longa, vivida
Na vida que não viveu.
Pondo tudo na balança
Viu o prato dos desacertos
Pendendo mais que os do bem.
Resolveu não ser a hora.
Pensou, refletiu, ponderou...
.
Só iria se entregar
Quando amigos e descendência
Pudessem em sã consciência
Em epitáfio lavrar:
.
“Aqui jaz nossa querença,
Mulher justa e aguerrida,
Foi tempero nesta vida
E morreu de tanto amar”.
.
Citações: Livro dos Provérbios, 8; Salmo 23; I Carta de São Paulo aos Coríntios, 13; Apocalipse, 12.
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sexta-feira, julho 29, 2005

VOLTANDO

Depois do pastel na feira
Depois do frio e do sol,
Das doces claras em oração,
Depois do enfoque no amor,
Da cumplicidade com as rosas...
.
Depois da calçada, do entorse,
Do lapso e de um braço amigo,
Depois da dor,
Da vida, café, cafuné,
Os ligamentos rompidos,
Cadeira de rodas, bengala.
.
Depois de silêncios impostos
E de dilúvios astutos,
Mais rosas, mais braços amigos.
De novo conversa amorosa
Com Teresinha no altar.
.
Os ligamentos se entendem,
Esqueço a dor no arquivo.
Os afetos... estes celebro.
São toda a razão pra voltar.
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(Dedicado às minhas doces amigas da Toca de Assis)

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domingo, julho 10, 2005

DOMINGO

apenas tu
chuva
lava
alma
rega
verso
leve
leva

apenas tu...
a calma
. .
verosimilhanças
ora as dos afogados oceanos
ora as dos mergulhos dunas
às vezes
uma ilha para beber fôlego
ou um oásis para matar a sede
matrizes em verbo
versos semelhanças
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(dedicados, o primeiro a Alex e o segundo a Daniel)
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http://palavreando.zip.net/
http://aladiah.blogspot.com/
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quarta-feira, julho 06, 2005

UMA LENDA

a tanto sobreviveu
à seca, à fome,
aos maus tratos...
.
menino valente sobreviveu
à estrada poeirenta,
à boléia do caminhão,
ao desamparo.
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jovem intrépido resistiu
à perseguições, à intolerância,
às injustiças, em luta.
.
adulteceu íntegro
cortando a própria carne.
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reconheceu-se homem
repartindo seus passos firmes.
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ao se aproximar da velhice
sem mais nem menos resolveu
que não mais viveria
sem os brinquedos
que a infância lhe negara.
comprou um avião.
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não mais adotaria farrapos.
mandou talhar nobres vestes.
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não mais partilharia passos com poeira.
instalou tapetes ao seu redor.
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deliciou-se em letícia.
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... e nunca se viu
na história daquele reino
figura mais trôpega.
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(dedicado aos contadores de histórias)
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sexta-feira, julho 01, 2005

MATURIDADE

A você que entra nos enta
Devo contar como é a vida
Agora chegando aos 60
Posso dizer que é doída
Nos 30 me achava madura
Tinha a verdade, sabida
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(mas)
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Aos 40 cheguei bem sofrida
Parti para recomeçar
Hoje caminho segura
Sei que ando em liberdade
.
(pois)
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Maturidade à venda
Em loja, empacotada
Não vou mesmo encontrar
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(Dedicado a Carl Rogers)
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