Depois do pastel na feira
Depois do frio e do sol,
Das doces claras em oração,
Depois do enfoque no amor,
Da cumplicidade com as rosas...
.
Depois da calçada, do entorse,
Do lapso e de um braço amigo,
Depois da dor,
Da vida, café, cafuné,
Os ligamentos rompidos,
Cadeira de rodas, bengala.
.
Depois de silêncios impostos
E de dilúvios astutos,
Mais rosas, mais braços amigos.
De novo conversa amorosa
Com Teresinha no altar.
.
Os ligamentos se entendem,
Esqueço a dor no arquivo.
Os afetos... estes celebro.
São toda a razão pra voltar.
.
(Dedicado às minhas doces amigas da Toca de Assis)
.
sexta-feira, julho 29, 2005
domingo, julho 10, 2005
DOMINGO
apenas tu
chuva
lava
alma
rega
verso
leve
leva
apenas tu...
a calma
. .
verosimilhanças
ora as dos afogados oceanos
ora as dos mergulhos dunas
às vezes
uma ilha para beber fôlego
ou um oásis para matar a sede
matrizes em verbo
versos semelhanças
.
(dedicados, o primeiro a Alex e o segundo a Daniel)
.
http://palavreando.zip.net/
http://aladiah.blogspot.com/
.
chuva
lava
alma
rega
verso
leve
leva
apenas tu...
a calma
. .
verosimilhanças
ora as dos afogados oceanos
ora as dos mergulhos dunas
às vezes
uma ilha para beber fôlego
ou um oásis para matar a sede
matrizes em verbo
versos semelhanças
.
(dedicados, o primeiro a Alex e o segundo a Daniel)
.
http://palavreando.zip.net/
http://aladiah.blogspot.com/
.
quarta-feira, julho 06, 2005
UMA LENDA
a tanto sobreviveu
à seca, à fome,
aos maus tratos...
.
menino valente sobreviveu
à estrada poeirenta,
à boléia do caminhão,
ao desamparo.
.
jovem intrépido resistiu
à perseguições, à intolerância,
às injustiças, em luta.
.
adulteceu íntegro
cortando a própria carne.
.
reconheceu-se homem
repartindo seus passos firmes.
.
ao se aproximar da velhice
sem mais nem menos resolveu
que não mais viveria
sem os brinquedos
que a infância lhe negara.
comprou um avião.
.
não mais adotaria farrapos.
mandou talhar nobres vestes.
.
não mais partilharia passos com poeira.
instalou tapetes ao seu redor.
.
deliciou-se em letícia.
.
... e nunca se viu
na história daquele reino
figura mais trôpega.
.
(dedicado aos contadores de histórias)
.
à seca, à fome,
aos maus tratos...
.
menino valente sobreviveu
à estrada poeirenta,
à boléia do caminhão,
ao desamparo.
.
jovem intrépido resistiu
à perseguições, à intolerância,
às injustiças, em luta.
.
adulteceu íntegro
cortando a própria carne.
.
reconheceu-se homem
repartindo seus passos firmes.
.
ao se aproximar da velhice
sem mais nem menos resolveu
que não mais viveria
sem os brinquedos
que a infância lhe negara.
comprou um avião.
.
não mais adotaria farrapos.
mandou talhar nobres vestes.
.
não mais partilharia passos com poeira.
instalou tapetes ao seu redor.
.
deliciou-se em letícia.
.
... e nunca se viu
na história daquele reino
figura mais trôpega.
.
(dedicado aos contadores de histórias)
.
sexta-feira, julho 01, 2005
MATURIDADE
A você que entra nos enta
Devo contar como é a vida
Agora chegando aos 60
Posso dizer que é doída
Nos 30 me achava madura
Tinha a verdade, sabida
.
(mas)
.
Aos 40 cheguei bem sofrida
Parti para recomeçar
Hoje caminho segura
Sei que ando em liberdade
.
(pois)
.
Maturidade à venda
Em loja, empacotada
Não vou mesmo encontrar
.
(Dedicado a Carl Rogers)
.
Devo contar como é a vida
Agora chegando aos 60
Posso dizer que é doída
Nos 30 me achava madura
Tinha a verdade, sabida
.
(mas)
.
Aos 40 cheguei bem sofrida
Parti para recomeçar
Hoje caminho segura
Sei que ando em liberdade
.
(pois)
.
Maturidade à venda
Em loja, empacotada
Não vou mesmo encontrar
.
(Dedicado a Carl Rogers)
.
quinta-feira, junho 23, 2005
...
LUTOLUTOLUTOLUTOLUTO
LUTOLUTOLUTOLUTOLUTO
LUTOLUTOLUTOLUTOLUTO
LUTOLUTOLUTOLUTOLUTO
......................................................luta
Junte-se a nós no repúdio à corrupção, mensalão e afins!
Visite o Loba, Corpus et Anima e demonstre a sua indignação.
.
segunda-feira, junho 20, 2005
ENTALHE
um sol tímido e apressado
esculpiu um halo ao teu redor
esperança gravada em arco
.
um molde vazado e inquieto:
.
era a tua dor
na minha dor
.
(Dedicado à Florbela Espanca)
.
esculpiu um halo ao teu redor
esperança gravada em arco
.
um molde vazado e inquieto:
.
era a tua dor
na minha dor
.
(Dedicado à Florbela Espanca)
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domingo, junho 19, 2005
QUESTÃO MÍNIMA
De quantos anos
precisa uma nação
para do jeitinho
chegar ao mensalão?
.
Dedicado
aos perplexos,
aos inconformados
e aos entristecidos.
.
precisa uma nação
para do jeitinho
chegar ao mensalão?
.
Dedicado
aos perplexos,
aos inconformados
e aos entristecidos.
.
quinta-feira, junho 16, 2005
O APAIXONADO
Uma voz no silêncio do sonhos...
.
Nem imaginas a minha expectativa
Quando pressinto teus passos
A descer as escadas em meio ao jardim
Carregada de ouro e pedras preciosas
Me envolverás em teus sândalos
Me vestirás com tuas sedas
Farás cantar harpas e flautas para mim
E no olhar trarás os enigmas e dores
Que rondam o teu espírito
Tuas dúvidas serão minhas
Teus sofrimentos já os terei
Minha boca se acenderá por ti
Teus lábios soprarão doçuras
Meus braços serão teus
Os teus se abrirão para mim...
E é este o momento há muito desejado
Aquele que eu gostaria de eternizar
Para que, quando retomares teu caminho,
Tenhas em teu coração
Gravada no centro de ti
A minha marca de amor
Pois é tudo o que importa
De nada mais preciso
Para em ti ser feliz
.
... ao amanhecer me deixei acordar.
.
(Inspirado em I Reis, 10 e dedicado à Vocação arteDeus)
.
.
Nem imaginas a minha expectativa
Quando pressinto teus passos
A descer as escadas em meio ao jardim
Carregada de ouro e pedras preciosas
Me envolverás em teus sândalos
Me vestirás com tuas sedas
Farás cantar harpas e flautas para mim
E no olhar trarás os enigmas e dores
Que rondam o teu espírito
Tuas dúvidas serão minhas
Teus sofrimentos já os terei
Minha boca se acenderá por ti
Teus lábios soprarão doçuras
Meus braços serão teus
Os teus se abrirão para mim...
E é este o momento há muito desejado
Aquele que eu gostaria de eternizar
Para que, quando retomares teu caminho,
Tenhas em teu coração
Gravada no centro de ti
A minha marca de amor
Pois é tudo o que importa
De nada mais preciso
Para em ti ser feliz
.
... ao amanhecer me deixei acordar.
.
(Inspirado em I Reis, 10 e dedicado à Vocação arteDeus)
.
terça-feira, junho 14, 2005
CENAS DO DESAMPARO
Foram quarenta, sessenta minutos, não sei.
O tempo parou naquele declive coberto por grama.
Pequenos arranjos de flores salpicavam o verde aqui e acolá.
O silêncio só não era completo porque cortado pelo som ritmado das pás.
A batida do surdo alternada pelo repique da caixa, ao cair da terra na vala funda, indica que tanto ficou para trás. Os sonhos e esperanças, se é que existiram... As responsabilidades, obrigações, tarefas, deixadas inconclusas... Toda luta, agora sem uma causa ou motivo...
À cadência das pás, junta-se agora o choro de uma criança.
Começa com um leve soluço, pianíssimo, buscando fundo o sentimento desconhecido que a faz atônita.
Os olhos fixos no movimento das pás, acompanham seu trajeto e pousam naquele vão aberto, talvez à espera de um último adeus. Que não vem.
Um sabiá canta ao longe e recebe de volta a resposta de sua companheira.
Uma brisa leve traz aos sentidos o cheiro do humus, pois as pás continuam seu trabalho.
De pianíssimo, o choro passa a forte. Parece ter encontrado a própria dor. Desespero, desamparo, raiva contida.
Um fino raio de sol rompe a espessa camada de nuvens e alcança a cena, iluminando-a.
Outros pássaros, agora não mais sabiás, fazem contraponto aos soluços magoados da criança.
Fortíssimo é o lamento, como também são o desespero, o desamparo, a raiva, agora assumida.
Estou só? É o que pergunta aquele choro descontrolado.
As mesmas mãos que tocaram as pás agora suavemente depositam as flores sobre os últimos acordes da sinfonia, abafando-os.
O choro vai se acalmando.
As nuvens engolem o delicado raio de sol, ouve-se ao longe mais um sabiá e, depois, o silêncio.
O olhar da criança ainda espera o último adeus. Que não vem.
Seus olhos estão secos. Agora entendem e murmuram: estou só!
.
(Dedicado ao Bruno)
.
O tempo parou naquele declive coberto por grama.
Pequenos arranjos de flores salpicavam o verde aqui e acolá.
O silêncio só não era completo porque cortado pelo som ritmado das pás.
A batida do surdo alternada pelo repique da caixa, ao cair da terra na vala funda, indica que tanto ficou para trás. Os sonhos e esperanças, se é que existiram... As responsabilidades, obrigações, tarefas, deixadas inconclusas... Toda luta, agora sem uma causa ou motivo...
À cadência das pás, junta-se agora o choro de uma criança.
Começa com um leve soluço, pianíssimo, buscando fundo o sentimento desconhecido que a faz atônita.
Os olhos fixos no movimento das pás, acompanham seu trajeto e pousam naquele vão aberto, talvez à espera de um último adeus. Que não vem.
Um sabiá canta ao longe e recebe de volta a resposta de sua companheira.
Uma brisa leve traz aos sentidos o cheiro do humus, pois as pás continuam seu trabalho.
De pianíssimo, o choro passa a forte. Parece ter encontrado a própria dor. Desespero, desamparo, raiva contida.
Um fino raio de sol rompe a espessa camada de nuvens e alcança a cena, iluminando-a.
Outros pássaros, agora não mais sabiás, fazem contraponto aos soluços magoados da criança.
Fortíssimo é o lamento, como também são o desespero, o desamparo, a raiva, agora assumida.
Estou só? É o que pergunta aquele choro descontrolado.
As mesmas mãos que tocaram as pás agora suavemente depositam as flores sobre os últimos acordes da sinfonia, abafando-os.
O choro vai se acalmando.
As nuvens engolem o delicado raio de sol, ouve-se ao longe mais um sabiá e, depois, o silêncio.
O olhar da criança ainda espera o último adeus. Que não vem.
Seus olhos estão secos. Agora entendem e murmuram: estou só!
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(Dedicado ao Bruno)
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sábado, junho 11, 2005
ENTRE ASPAS
Hoje quero compartilhar com os amigos um poema de Emily Dickinson.
.
Na Minha Flor eu me Escondo
.
Na minha flor eu me escondo
para que, se me levas em teu peito,
sem querer também me vestes
e só os anjos sabem o resto!
.
Na minha flor eu me escondo
para que, teu vaso abandonando,
sem querer sintas por mim
quase uma solidão.
.
Extraído de "Os melhores poemas de AMOR da sabedoria religiosa de todos os tempos".
Seleção, apresentação e tradução de José Jorge de Carvalho.
.
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Na Minha Flor eu me Escondo
.
Na minha flor eu me escondo
para que, se me levas em teu peito,
sem querer também me vestes
e só os anjos sabem o resto!
.
Na minha flor eu me escondo
para que, teu vaso abandonando,
sem querer sintas por mim
quase uma solidão.
.
Extraído de "Os melhores poemas de AMOR da sabedoria religiosa de todos os tempos".
Seleção, apresentação e tradução de José Jorge de Carvalho.
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quarta-feira, junho 08, 2005
QUEM AMA...
decifra gesto
digita poesia
.
... gesta
.
____________________
É tempo dos enamorados.
É tempo de descobrir o amor.
_____________________
Dedicado a todos os que estão participando da SEMANA,
mandando recadinhos, poemas, declarações de AMOR...
.
digita poesia
.
... gesta
.
____________________
É tempo dos enamorados.
É tempo de descobrir o amor.
_____________________
Dedicado a todos os que estão participando da SEMANA,
mandando recadinhos, poemas, declarações de AMOR...
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terça-feira, junho 07, 2005
SELF SERVICE
para os que a timidez cala
ofereço uma banquinha
com my self em promoção
é só escolher a quadrinha
juntar flores e enviá-la
ajeitada num cartão
.
(se)
o desejo é clandestino
procuro uma nação
que dê asilo ou destino
ao meu sofrido coração
.
(se)
vive meu olhar no exílio
escondido e degredado
peço entrega em domicílio
de um fogoso namorado
.
(se)
não precisa ter visto
nem passaporte assinado
é porque eu não resisto
a um peregrino apaixonado.
.
(se)
o que os olhos vêem
o coração consente
em delivery apresente
um suave eu te amo
e já me deixará contente
.
(se)
você já fez de tudo
flores, cartões, serenatas
para chamar a atenção
de um insensível coração
e não há nada que ajude
(de minha parte fiz o que pude)
tenta a derradeira jogada
lança-lhe uma rápida olhada
tasca-lhe um bom beijo fast food
.
Estamos em plena SEMANA DO AMOR.
Navegando até o lobabh.zip.net, você poderá se revelar.
Mas que seja rápido, pois o amor tem pressa.
.
ofereço uma banquinha
com my self em promoção
é só escolher a quadrinha
juntar flores e enviá-la
ajeitada num cartão
.
(se)
o desejo é clandestino
procuro uma nação
que dê asilo ou destino
ao meu sofrido coração
.
(se)
vive meu olhar no exílio
escondido e degredado
peço entrega em domicílio
de um fogoso namorado
.
(se)
não precisa ter visto
nem passaporte assinado
é porque eu não resisto
a um peregrino apaixonado.
.
(se)
o que os olhos vêem
o coração consente
em delivery apresente
um suave eu te amo
e já me deixará contente
.
(se)
você já fez de tudo
flores, cartões, serenatas
para chamar a atenção
de um insensível coração
e não há nada que ajude
(de minha parte fiz o que pude)
tenta a derradeira jogada
lança-lhe uma rápida olhada
tasca-lhe um bom beijo fast food
.
Estamos em plena SEMANA DO AMOR.
Navegando até o lobabh.zip.net, você poderá se revelar.
Mas que seja rápido, pois o amor tem pressa.
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sábado, junho 04, 2005
TRINDADE
Eu sou
És tu
.
Somos
Espaço indizível
Intervalo em sopro
Concha tramada
Nós
.
(Dedicado ao meu vèinho e ao intransitivo que ousamos conjugar)
_______________________
_______________________
.
O amor é frágil tesouro.
Precisa de cuidados, de agrados,
De doces palavras e gestos.
Quem ama tem o dever de contar.
Quem é amado precisa saber.
Vale verso, vale prosa.
Só não vale vacilar.
.
Assim sendo, declaramos, Loba e eu, aberta a semana dos enamorados.
Destinada a todos os que já encontraram o amor e também aos que ainda o procuram.
.
No lobabh.zip.net, as instruções para mais um fazer coletivo.
Não deixe para revelar amanhã o amor que hoje clama.
Participe.
________________________
.
És tu
.
Somos
Espaço indizível
Intervalo em sopro
Concha tramada
Nós
.
(Dedicado ao meu vèinho e ao intransitivo que ousamos conjugar)
_______________________
_______________________
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O amor é frágil tesouro.
Precisa de cuidados, de agrados,
De doces palavras e gestos.
Quem ama tem o dever de contar.
Quem é amado precisa saber.
Vale verso, vale prosa.
Só não vale vacilar.
.
Assim sendo, declaramos, Loba e eu, aberta a semana dos enamorados.
Destinada a todos os que já encontraram o amor e também aos que ainda o procuram.
.
No lobabh.zip.net, as instruções para mais um fazer coletivo.
Não deixe para revelar amanhã o amor que hoje clama.
Participe.
________________________
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quarta-feira, junho 01, 2005
ODE A UM ARMÁRIO
Surpresa assim de repente
Nem sei de onde ele veio
Chegou-me como um presente
Há de se julgar pelo estilo
Que tenha vindo do passado
Forte, imponente, garboso
Exibindo graça ao brilhar
À espera, no meio da sala
Parece que está a chamar
.
Com respeito me aproximo
Qual criança curiosa
Suavemente o toco,
Acarinho, deslizo a mão
Respiro o perfume do cedro
Sinto a pujança do tempo
Renovo ancestrais compromissos
.
Conto e reconto as gavetas
O que posso ali guardar
Vai logo se definindo
Na mais baixa devo encerrar
A ausência de meu pai
A infância tão ferida
A adolescência perdida
Tranco-a p’ra não mais olhar
.
Logo acima arquivo os fracassos
Sempre os devo rever
Pois servem de referência
Indicam os meus novos passos
Evitam que eu ande a esmo
Levando avante o sofrer
.
Agora a gaveta dos sonhos
Embaralhados, alegres
Fazem grande alvoroço
Vivem inesgotável festejo
Da arrumação desisto
Fecho-a com dificuldade
Permito que fiquem para fora
Pontas do que mais almejo
Pontes p’ra felicidade
.
São quatro as pequeninas
Que vêm logo a seguir
Em cada uma encaixar
Decepções, injustiças,
Desafetos e o receio
De a alguém mais ferir
.
A última tão alta está
E sendo um pouco emperrada
Impede olhares de esguelha
Lá vou acomodar meus segredos
As fantasias mais loucas
As paixões sangüíneas, vermelhas
As dúvidas que não são poucas
Os amores inconfessos
Os pecados, remorsos e medos
As máscaras dissimuladas
.
Quase pronto o meu armário
Mas falta-lhe um quê de beleza
Algo de majestade e firmeza
Que o transforme em relicário
Encontro um belo xaxim de hera
Em ramagem esparramada
Na cobertura a ajeito
Avalio a doce quimera
Ainda assim pobre de luz
Pouso a mão em meu peito
Tateio a medalha encontrada
Descubro o que me faz desolada
Não há um afeto inteiro
Falta à estante, calor
Trago a imagem de Jesus
Concluo a lida aliviada
Ele com coração à mostra
Instala-se feito um posseiro
Em terno arremate de amor
.
(junho - mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus)
.
Nem sei de onde ele veio
Chegou-me como um presente
Há de se julgar pelo estilo
Que tenha vindo do passado
Forte, imponente, garboso
Exibindo graça ao brilhar
À espera, no meio da sala
Parece que está a chamar
.
Com respeito me aproximo
Qual criança curiosa
Suavemente o toco,
Acarinho, deslizo a mão
Respiro o perfume do cedro
Sinto a pujança do tempo
Renovo ancestrais compromissos
.
Conto e reconto as gavetas
O que posso ali guardar
Vai logo se definindo
Na mais baixa devo encerrar
A ausência de meu pai
A infância tão ferida
A adolescência perdida
Tranco-a p’ra não mais olhar
.
Logo acima arquivo os fracassos
Sempre os devo rever
Pois servem de referência
Indicam os meus novos passos
Evitam que eu ande a esmo
Levando avante o sofrer
.
Agora a gaveta dos sonhos
Embaralhados, alegres
Fazem grande alvoroço
Vivem inesgotável festejo
Da arrumação desisto
Fecho-a com dificuldade
Permito que fiquem para fora
Pontas do que mais almejo
Pontes p’ra felicidade
.
São quatro as pequeninas
Que vêm logo a seguir
Em cada uma encaixar
Decepções, injustiças,
Desafetos e o receio
De a alguém mais ferir
.
A última tão alta está
E sendo um pouco emperrada
Impede olhares de esguelha
Lá vou acomodar meus segredos
As fantasias mais loucas
As paixões sangüíneas, vermelhas
As dúvidas que não são poucas
Os amores inconfessos
Os pecados, remorsos e medos
As máscaras dissimuladas
.
Quase pronto o meu armário
Mas falta-lhe um quê de beleza
Algo de majestade e firmeza
Que o transforme em relicário
Encontro um belo xaxim de hera
Em ramagem esparramada
Na cobertura a ajeito
Avalio a doce quimera
Ainda assim pobre de luz
Pouso a mão em meu peito
Tateio a medalha encontrada
Descubro o que me faz desolada
Não há um afeto inteiro
Falta à estante, calor
Trago a imagem de Jesus
Concluo a lida aliviada
Ele com coração à mostra
Instala-se feito um posseiro
Em terno arremate de amor
.
(junho - mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus)
.
segunda-feira, maio 30, 2005
ACHADO NO BAÚ
SERPENTEIA SERPENTINA
ATINA COM QUE EU QUERO CONTAR
.
SOLTO O PASSO
VIRA A GINGA
VEM NO EMBALO DO BLOCO A DANÇAR
NÃO SE ABALE
SÓ SE EMBOLE
FINCA O CORPO
.
TEM O CORSO
TEM CORDÃO
TEM O ENTRUDO
ENTRA EM TEMPO NO BLOCO A CANTAR
.
E DESSE CANTO
EXPIA O ENCONTRO
QUE FAZ O ENCANTO
DE SE TROMBAR
.
(De 1981 - dedicado a Caetano Veloso)
ATINA COM QUE EU QUERO CONTAR
.
SOLTO O PASSO
VIRA A GINGA
VEM NO EMBALO DO BLOCO A DANÇAR
NÃO SE ABALE
SÓ SE EMBOLE
FINCA O CORPO
.
TEM O CORSO
TEM CORDÃO
TEM O ENTRUDO
ENTRA EM TEMPO NO BLOCO A CANTAR
.
E DESSE CANTO
EXPIA O ENCONTRO
QUE FAZ O ENCANTO
DE SE TROMBAR
.
(De 1981 - dedicado a Caetano Veloso)
sexta-feira, maio 27, 2005
EM PACTO COM A SOMBRA
sei que aí estás
sinto em mim o teu perfume
se és tu a me emprestar as asas
sou eu a te fazer volátil
.
somos vadias miragens
em vôos de figura e fundo
apenas suave aroma
incenso do que resta em nós
contínuo mote de agonia e gozo
.
(Inspirado por um verso da Loba: “Não consigo entender como posso gostar tanto de mim até mesmo quando sou volátil como perfume de sombra” e dedicado a C.G. Jung)
.
sinto em mim o teu perfume
se és tu a me emprestar as asas
sou eu a te fazer volátil
.
somos vadias miragens
em vôos de figura e fundo
apenas suave aroma
incenso do que resta em nós
contínuo mote de agonia e gozo
.
(Inspirado por um verso da Loba: “Não consigo entender como posso gostar tanto de mim até mesmo quando sou volátil como perfume de sombra” e dedicado a C.G. Jung)
.
quarta-feira, maio 25, 2005
"DESÍGNIO"
Tudo era só contentamento, cuidado e espera
A alma brilhando tal alumínio depois de areado
Já não pregava os olhos há várias luas e sóis
.
Ora no degelo se espraiando
Água viva escaldante beijo
Ora em fogueira se alastrando
Fogo vivo refrescante abraço
Crescente luz a pratear anseios
Tempo a pino sombreando dor
.
Já não pregava os olhos...
“E eram os sonhos a mantê-la acordada”.
.
(Dedicado a Darcy Ribeiro)
.
A alma brilhando tal alumínio depois de areado
Já não pregava os olhos há várias luas e sóis
.
Ora no degelo se espraiando
Água viva escaldante beijo
Ora em fogueira se alastrando
Fogo vivo refrescante abraço
Crescente luz a pratear anseios
Tempo a pino sombreando dor
.
Já não pregava os olhos...
“E eram os sonhos a mantê-la acordada”.
.
(Dedicado a Darcy Ribeiro)
.
segunda-feira, maio 23, 2005
ELOS PERDIDOS
Uma conversa pelo telefone aparentemente sem rumo, ingênua, daquelas que só acontecem entre amigos que se admiram e se respeitam. Partilha de contentamentos e sonhos, parecendo coisa de adolescentes não fôssemos as duas, Loba e eu, mulheres maduras. Uma idéia, a de sair pela vida procurando elos perdidos. Para a concretização dela, um passo. O evento, como qualquer evento, precisaria de tema, lema, logotipo, folder, panfletagem. Uma verdadeira campanha de marketing. E lá fomos nós.
No início lembrava-me alegremente das pessoas queridas, afastadas por contingências da própria vida e de como seria bom reencontrá-las. Porém, enquanto me envolvia com as providências para o evento, meu coração começou a pregar-me uma peça, assoprando-me um nome ao ouvido. Fingi-me surda por um tempo, mas vocês sabem o quanto o coração é persistente e o quanto é impossível o controle sobre ele. Rendi-me a pensar sobre uma relação rompida no desentendimento. Afundei-me na auto-análise. Imagens doridas, razões, motivos, desmotivos. Meus próprios erros, as expectativas que joguei sobre ela, as inevitáveis decepções, as ofensas mútuas e chorei. Surpreendentemente, pela primeira vez em muitos anos, vieram também lembranças tão boas. Nossos passeios pelos shoppings, nossas trocas de segredos, projetos que realizamos juntas e das leituras que ela fazia de minhas poesias. Suas interpretações dotavam meus escritos de uma beleza que eles não têm. Estava nela a poesia. E quem tem poesia no olhar tem o amor nos poros e na alma. Sabe amar e nos ensina a conjugar este verbo. Sei que neste momento uma reaproximação é impossível. Mesmo assim sinto-me aliviada. Algo se reconciliou dentro de mim. Recuperei um elo perdido em meio ao sofrimento e à dor. Hoje posso tranqüilamente responder ao meu coração. Sim, eu a amo e volto a chamá-la de irmã. Querida irmã. De quem só quero guardar, daqui para frente, os ensinamentos, o carinho, os momentos de partilha e completude.
____________________________
.
O tema ELOS PERDIDOS está rendendo. Catarse, polêmica, reflexão.
Acredito que em cada elo deixado pelo caminho está um pedaço de mim. Um tantinho de meu afeto. E que só sou inteira... se está inteiro o meu afeto.
Então vamos em busca de elos, elas, eles... nós.
.
As instruções para o fazer coletivo estão no lobabh.zip.net e as participações podem ser enviadas também para: adeliatheresacampos@hotmail.com
____________________________
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No início lembrava-me alegremente das pessoas queridas, afastadas por contingências da própria vida e de como seria bom reencontrá-las. Porém, enquanto me envolvia com as providências para o evento, meu coração começou a pregar-me uma peça, assoprando-me um nome ao ouvido. Fingi-me surda por um tempo, mas vocês sabem o quanto o coração é persistente e o quanto é impossível o controle sobre ele. Rendi-me a pensar sobre uma relação rompida no desentendimento. Afundei-me na auto-análise. Imagens doridas, razões, motivos, desmotivos. Meus próprios erros, as expectativas que joguei sobre ela, as inevitáveis decepções, as ofensas mútuas e chorei. Surpreendentemente, pela primeira vez em muitos anos, vieram também lembranças tão boas. Nossos passeios pelos shoppings, nossas trocas de segredos, projetos que realizamos juntas e das leituras que ela fazia de minhas poesias. Suas interpretações dotavam meus escritos de uma beleza que eles não têm. Estava nela a poesia. E quem tem poesia no olhar tem o amor nos poros e na alma. Sabe amar e nos ensina a conjugar este verbo. Sei que neste momento uma reaproximação é impossível. Mesmo assim sinto-me aliviada. Algo se reconciliou dentro de mim. Recuperei um elo perdido em meio ao sofrimento e à dor. Hoje posso tranqüilamente responder ao meu coração. Sim, eu a amo e volto a chamá-la de irmã. Querida irmã. De quem só quero guardar, daqui para frente, os ensinamentos, o carinho, os momentos de partilha e completude.
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O tema ELOS PERDIDOS está rendendo. Catarse, polêmica, reflexão.
Acredito que em cada elo deixado pelo caminho está um pedaço de mim. Um tantinho de meu afeto. E que só sou inteira... se está inteiro o meu afeto.
Então vamos em busca de elos, elas, eles... nós.
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As instruções para o fazer coletivo estão no lobabh.zip.net e as participações podem ser enviadas também para: adeliatheresacampos@hotmail.com
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sexta-feira, maio 20, 2005
A MAIS PURA VERDADE
Eram duas sementes. Com uma engasgou-se o menino. Outra na terra se quedou. Pisada, enquanto chegava a água e os inevitáveis tapas nas costas que faziam arder o menino. Quando o sufoco passou cada um voltou a seus afazeres e todos na cidade se esqueceram do fato. Até que o menino começou a mudar. Crescia a olhos vistos. Sua pele, antes puro veludo, foi se tornando rugosa e esbranquiçada. Entremeadas aos cachos de seus cabelos brotavam aqui e ali folhas imparipenadas. O povo daquela cidade, mesmo acostumado a tantos assombros, olhava de esguelha o menino. E ele crescendo. Em casa já não cabia. O coreto da praça o recebeu e sua mãe toda manhã deixava ali água fresca, o pão de cada dia e voltava a tratar do roçado. E ele crescendo. Assim já era demais. Os cachos todos sumiram. Sua cabeça era só folhas. E eis que, na primavera, surgem flores. Alaranjadas. Já não mais cabendo no coreto, plantou-se na praça o menino. O perfume que se esparramava para além dos limites do povoado atraía curiosos. Chegavam em caravanas, montados no lombo de jegues ou mesmo a pé. Na hora do ângelus mulheres rezavam o terço enquanto os homens faziam apostas no balcão do boteco. A quantas chegaria o menino se já media 15m. Tanto alarido chamou a atenção das autoridades. Montou-se uma comissão com os mais ilustres sábios do país. Chegaram em carros vistosos, trazendo aparelhos estranhos e passaram a estudar o fenômeno. Interrogaram os pais, vizinhos, retiraram lascas do menino-árvore. Examinaram, discutiram e foram embora. Sumiram sem dar explicação. Soube-se depois, que entrevistados por jornais e TV foram lacônicos ao responder. Nada a declarar. O menino-árvore é uma fraude para atrair incautos. Aos poucos o povoado foi voltando à normalidade. Acostumava-se. O menino, a essas alturas da história, com 25m oferecia uma fresca sombra para a hora em que o sol se estatela. Num dia, destes em que até o mormaço é silêncio e amolece, algumas crianças, aproveitando-se da sonolenta desatenção dos adultos, faziam arte com as flores caídas no chão. Bem picadinhas, misturadas à água, tinham ali um suquinho, um pouco ácido, embora gostoso, brincadeira comum entre crianças. E lá mandam o tal suco para dentro. E assim foi descoberta a propriedade emética do menino-árvore. Mas efeito oculto estranho. Primeiro as crianças se queixavam de dor de barriga e nó no estômago. Choravam. As mães acudiam aflitas, apoiando-lhes os espasmos. Pois não é que nada de nojento acontecia? O que punham para fora eram palavras transformadas em poesia. A surpresa logo se transformou em alegria. As crianças, agora livres de maiores indisposições, saíram a poetar pela vila e pelos campos. Eram só versos de amor sendo despejados por todos os cantos. O agreste agradecido de tanta belezura foi se transformando em verde. As colheitas se multiplicando. Até as brigas em ponta de faca, comuns depois das bebedeiras, cessaram. Tudo era só contentamento, cuidados com o menino-árvore e espera. A cada ano, uma nova primavera.
Da outra semente, nada se sabe. Alguns rumores davam conta de que ela, atravessando a Terra, tivesse saído por um furinho do outro lado e se perdido na estratosfera.
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Tenho aqui mais uma história. Mas essa nem vou me dar ao trabalho de contar, pois é pura balela. É sobre um astronauta excêntrico que afirma ter identificado um buraco branco muito luminoso, durante sua última viagem interplanetária. Grande descoberta científica, pois se sabe da existência de buracos negros. De brancos nunca se ouviu falar. Ele chegou até a escrever um artigo relatando como verdade que durante a primavera, do buraco branco, saíam revoadas de anjos carregados de sementes, em direção à Terra. Ainda bem que a NASA, depois de alguns testes psicológicos, internou o astronauta num hospício. De onde nunca mais saiu.
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(Inspirado pelo Zumbi e dedicado ao Linaldo)
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Aviso Importante
Na vida vamos permitindo que afetos nos escapem. Não importam os motivos do afastamento. Importa a falta que tais elos nos fazem. Se você quer se reaproximar de um amigo ou amiga, não perca a oportunidade. O blog da Loba está promovendo a semana do ELO PERDIDO. Vá até lá e participe.
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Da outra semente, nada se sabe. Alguns rumores davam conta de que ela, atravessando a Terra, tivesse saído por um furinho do outro lado e se perdido na estratosfera.
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Tenho aqui mais uma história. Mas essa nem vou me dar ao trabalho de contar, pois é pura balela. É sobre um astronauta excêntrico que afirma ter identificado um buraco branco muito luminoso, durante sua última viagem interplanetária. Grande descoberta científica, pois se sabe da existência de buracos negros. De brancos nunca se ouviu falar. Ele chegou até a escrever um artigo relatando como verdade que durante a primavera, do buraco branco, saíam revoadas de anjos carregados de sementes, em direção à Terra. Ainda bem que a NASA, depois de alguns testes psicológicos, internou o astronauta num hospício. De onde nunca mais saiu.
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(Inspirado pelo Zumbi e dedicado ao Linaldo)
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Aviso Importante
Na vida vamos permitindo que afetos nos escapem. Não importam os motivos do afastamento. Importa a falta que tais elos nos fazem. Se você quer se reaproximar de um amigo ou amiga, não perca a oportunidade. O blog da Loba está promovendo a semana do ELO PERDIDO. Vá até lá e participe.
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quarta-feira, maio 18, 2005
FEBRICITANTE
Se sou só ou se só sou, não importa.
Se é cara a cara nova de plástico em substituição ao rústico, nem sei.
Se o cara arranca da gente a grana depois de encostar o berro, quem liga?
Se o jornal mostra em letras garrafais o tanto que a garrafa mata, fazer o quê?
Se o mal vence o bem em quase todas as batalhas, continuo rezando.
Se a carne é fraca, o coração pedinte, o telefone toca...
Ai! Quando é que vão inventar a cura pra gripe?
.
(Dedicado ao Dr. Marcos, para ver se ele me tira de estado tão lastimável)
Se é cara a cara nova de plástico em substituição ao rústico, nem sei.
Se o cara arranca da gente a grana depois de encostar o berro, quem liga?
Se o jornal mostra em letras garrafais o tanto que a garrafa mata, fazer o quê?
Se o mal vence o bem em quase todas as batalhas, continuo rezando.
Se a carne é fraca, o coração pedinte, o telefone toca...
Ai! Quando é que vão inventar a cura pra gripe?
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(Dedicado ao Dr. Marcos, para ver se ele me tira de estado tão lastimável)
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