quarta-feira, março 01, 2006

Campanha da Fraternidade - 2006






















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Objetivos
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Um dos principais objetivos da Campanha da Fraternidade-2006 é apresentar a realidade das pessoas com deficiência e as iniciativas para promover sua dignidade.
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Um outro objetivo é promover a autonomia dessas pessoas, fortalecendo organizações e movimentos; criando mecanismos para sua participação efetiva, como protagonistas de sua história, na família, na Igreja e na sociedade, mostrando os valores evangélicos que devem orientar o relacionamento com as pessoas com deficiência.
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A participação de toda a sociedade para alcançar esse objetivo é fundamental!
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Extraído do site:
www.editorasalesiana.com.br
que contém tudo sobre a CF-2006
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sábado, fevereiro 25, 2006

imortal

segue o teu destino de filha
volta à casa do Amor
lá dois braços te esperam
te abraçarão com carinho
e será tanto o aconchego
e será tanta a alegria
que sentirás como se nunca tivesses saído
conosco ficará
o que nos deixaste
mais do que a vida
vindo do Pai
ficará em nós
o amor nela vivido
e que em nós derramaste
este não se apaga
não morre
jamais
.
(a ti, minha querida e ao Pai que te acolhe)
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quarta-feira, fevereiro 22, 2006

TRAVATROVA

GORDA A VIDA
GORDA A POESIA
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TROVA TRINADO TRINANTE TRINADOR
.
COLA ESSE PERFUME AO PEITO
. E
GIRE DANCE
DANCE GIRE
GIRE LAMBE
DANCE
.
TRINA TROVA
SIBILA ESSE PASSEIO
SUBA
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sexta-feira, fevereiro 17, 2006

surpreendente


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19 de outubro de 2005
dias depois de ter escrito o texto
Anatomia de um Sonho
sou encontrada por esta foto
d' O Estado de São Paulo

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os arcos da catedral vieram até mim
como se atendessem a um chamado
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desde então emolduram
minha surpresa, meus devaneios,
meu espanto...
...
Agradeço a:


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quarta-feira, fevereiro 15, 2006

ANATOMIA DE UM SONHO

I
A FOTO
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Sabíamos para onde nos levava aquele trem. Únicos sons, o da locomotiva e o do choro do menino em febre. Dividi com ele a pequena coberta que agasalhava as minhas pernas. A mãe levantou-se por uns instantes, remexeu seus pertences. Eu a via de costas. Parecia que recortava alguma coisa. Com dificuldade voltou para perto de mim e com um olhar de agradecimento, entregou-me a metade de uma foto. Magnífica. O ângulo inusitado fez com que eu demorasse uns instantes para entendê-la. Múltiplos arcos góticos. De cima para baixo. Surpreendentemente não me vi sob e sim, fazendo parte deles. De dentro para fora. Do escuro para a claridade da praça onde um velho e uma criança, sentados num banco, pareciam esperar. Estáticos.
O ar já se tornava escasso no vagão superlotado. Começava-se a ouvir um ou outro gemido, um ou outro lamento.
Sabíamos para onde estávamos indo. E eu tentando decifrar aquela foto.
A velocidade diminuindo, diminuindo...
As portas foram abertas com violência. Um vento gelado chegou até nós.
Agarrei-me à visão da foto e segui a manada silenciosa. Estava dentro do instantâneo. Era o instantâneo. Por antecipação, transformara-me na abóbada nele retratada.
Lá fora, a estática claridade da praça parecia esperar. Sabíamos.
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II
A MULHER
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Ah, como gostaria de ter a posse da minha voz naquele instante. A ti perguntaria o significado de tão inesperada oferta, pois não conhecias nada sobre mim. Flagrada por uma grande angular, a partir de inusitado ponto de vista, tu me entregavas a catedral de minha cidade. Ela, inteira. A foto, um pedaço. O que terias reservado ao cortá-la, o que pretendeste guardar, não saberei. Deixaste comigo os arcos de visão perturbadora e em primeiro plano um sorriso. Entregaste-me o sorriso de teu filho. Teu próprio filho. Embora sem uma troca de palavras, nossos olhares se entendiam. Eu sabia que tu sabias para onde estávamos indo. Naquele vagão, talvez só nos duas soubéssemos. E as contradições ali, todas aparentes. Tínhamos um passado e um futuro nos esperando na claridade da praça. Em nossas mãos apenas um pedaço de teu presente que dividias comigo. E eu, parte da abóbada em grande angular, esperando a hora de descer, pois já se ouvia o apito do trem.
O ritmo da locomotiva foi-se arrefecendo até restar apenas um sopro.
Com a brutalidade que lhe era peculiar, aos gritos, a soldadesca abriu as portas.
Do pesado calor ao vento gelado. Do escuro a um flash de luz. Sabíamos para onde estávamos indo, mas o clarão do dia cegou-me durante uns minutos. Mãos muito brutas nos empurravam. Perdi-me de ti. Levaste as respostas. Deixaste-me parte de teu tesouro e a sensação de perplexidade. Acostumando-me à luz caminhei em direção ao banco onde me esperavam o velho e a criança. Estáticos.

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III
OS ARCOS
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Não é possível. Devo ter enlouquecido, pois me flagrei a conversar com arcos. E que arcos! Góticos. Sobrepostos. Majestosos. Formavam a abóbada de uma catedral. Eu incrustada bem ao centro, fazendo parte dela. E perguntando sem parar, precisava reencontrar a mulher e as respostas. Do alto olhava para baixo. Do lusco-fusco via a claridade lá fora. Aninhada tentava desvendar o mistério que a tudo envolvia. O passado e o futuro ainda me esperavam. Estáticos. De repente, pela primeira vez ouvi a voz dela. A mulher. Suave. Falta um vagão ao trem. Soltei o corpo. Ainda que em câmera lenta, agora sim, sabia para onde e para quê estava indo. Para a luz. Para a praça lá fora. O presente que me fora doado pelo afeto da enigmática mulher, este carreguei comigo. Juntos tínhamos muito trabalho pela frente. Instalei-me entre o velho e a criança. A cena adquiriu movimento.

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- Corta!
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(Inspirado n'O Pianista e dedicado à Santa Edith Stein)
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sábado, fevereiro 11, 2006

O POETA E A CONTISTA

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olhar que vira imagem
que vira palavra
que vira olhar
que vira...
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dinâmica excitante
olhares visitantes decifram detalhes
recodificam - poetizam
olhares
vêem-se em minhas imagens
revelam-me
deixam em comentários a poesia que se engasgou em mim
olhares que salvam



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o olhar do poeta Nel Meirelles
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salvar o como
antes que o porquê
o devore.



...
o olhar da contista Euza Noronha
...
Intoleravelmente devagar ela abriu a caixa. Antes a revolta fora súbita. Mas o cheiro da saudade amainou as cores da raiva. O quarto ganhou tons pastéis. E seus movimentos eram lentos como lento era o movimento da estrela que a guiava.Em perfeita sintonia de dedos e vontades espalhou os papéis pela cama. Nunca eles tinham se tornado uma presença tão viva. Não passavam de sonhos mortos. Era o que ela queria dizer a eles. Mas não havia voz nela. Só mãos que os alisavam e olhos perdidos em outro tempo.Com a mesma lentidão metódica tirou as folhas do fundo da caixa. Silenciosamente mortas. Como se fosse imperioso manter a vida entre as mãos, pegou folhas e flores da jarra. Abraçou-se a elas e deixou que suas lágrimas as fizessem ainda mais viçosas. Depois, com indisfarçável esforço, colocou-as, uma a uma, sobre as letras espalhadas pela cama. Empoeirada e vazia, deixou que o tempo passasse por ela enquanto mergulhava na dor das lembranças.
Até que uma energia impalpável e obstinada irrompeu dentro dela. De imediato abriu a janela e deixou que o vento entrasse. E folhas, flores e cartas misturaram-se pelo chão. Olhou a primeira estrela que brilhava ao longe e chamou pela empregada. Fizera o funeral, era hora do enterro. Desprendera-se finalmente. De letras, de lembranças, de saudade. O olhar que acompanhou a vassoura pelo chão do quarto era de uma vencedora. Renascera como planta forte e viçosa. Audaciosamente viva.


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Estando minha palavra sem salvação, salvo aqui a palavra de dois de meus mais antigos comparsas.
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segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Salvar como...

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Fotos by Lily
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quarta-feira, fevereiro 01, 2006

dos desertos e das esperas

marcar a espera
em tempo presente
requer instrumento
construído à perfeição
onde caibam os desertos
de passado
pouco mais que imperfeito
.
deixem-se escorrer as areias
deitada, rendida em presságio
ampulheta vazia das horas
inventa o futuro
imperativo da voz
.
faz do verbo
o infinito
...
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(Dedicado ao Dagô)
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sábado, janeiro 28, 2006

Nos tempos da Maria Fumaça

Santo Inácio
Jacaré
Angico
Monjolinho
.Nosso trem
Tem sede e fome
Bebe água
Na parada
Põe mais lenha
Na fornalha
Faz ferver essa caldeira
Por favor
Mestre foguista
Tenho pressa de chegar
.
Santo Inácio
Jacaré
Angico
Monjolinho
.

Passa boi pensando na vida
Passa pé de manga cheirosa
Passa a casa da fazenda
Varandas em floração
Tem rio apostando corrida
O lago refresca o olhar
Reflete a luz e a paz
Lá vem o colono tranqüilo
Voltando do cafezal
P’ra co’as galinhas jantar
O sol se pondo na encosta
Dormitando nos dormentes
Os trilhos traindo as trilhas
Da virgem mata intocada
Apita na curva
Resfolega
Sobe o morro devagar
P’ra mais à frente engatar
.
Santo Inácio
Jacaré
Angico
Monjolinho
.Já vejo a torre da Igreja
Do Bom Jesus ouço os sinos
Bênçãos da cana verde
Os acenos na porteira
Das crianças penduradas
Indicam que já está perto
Agora seu maquinista
Mostra que é especialista
Puxa a alavanca com força
Olha, está cheia a estação
Anuncia a nossa chegada
Capricha no último apito
Contente escuto em refrão:
O nome
da cidade
amada
Onde o mais simples
ribeirão
é
bonito
.
.(Dedicado à Eliane, caipira daquelas bandas)
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ADORO TE DEVOTE

Oração composta por São Tomás de Aquino
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Eu te adoro com afeto, Deus oculto,
que te escondes nestas aparências.
A ti sujeita-se o meu coração por inteiro
e desfalece ao te contemplar.
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A vista, o tato e o gosto não te alcançam,
mas só com o ouvir-te firmemente creio.
Creio em tudo o que disse o Filho de Deus,
nada mais verdadeiro do que esta Palavra da Verdade.
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Na cruz estava oculta somente a tua divindade,
mas aqui se esconde também a humanidade.
Eu, porém, crendo e confessando ambas,
peço-te o que pediu o ladrão arrependido.
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Tal como Tomé, também eu não vejo as tuas chagas,
mas confesso, Senhor, que és o meu Deus;
faz-me crer sempre mais em ti,
esperar em ti, amar-te.
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Ó memorial da morte do Senhor,
pão vivo que dás vida ao homem,
faz que meu pensamento sempre de ti viva,
e que sempre lhe seja doce este saber.
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Senhor Jesus, terno pelicano,
lava-me a mim, imundo, com teu sangue,
do qual uma só gota já pode
salvar o mundo de todos os pecados.
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Jesus, a quem agora vejo sob véus,
peço-te que se cumpra o que mais anseio:
que vendo o teu rosto descoberto,
seja eu feliz contemplando a tua glória.
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... //...
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Extraído de:
...
... //...
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Hoje, 28 de janeiro, dia dedicado a São Tómas de Aquino
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quarta-feira, dezembro 28, 2005

UM ANO DE VIDA

Hoje o Oceanos e Desertos completa um ano.
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Um ano de minha vida em mais de noventa textos, alguns ensaios fotográficos e um número incalculável de comentários, devidamente salvos e guardados. Nem sei o que me deu mais contentamento. Escrever e postar ou receber comentários sempre tão afetuosos. Experiência incrível a de interagir com pessoas das quais não conheço o rosto, mas que aqui mostram a face de suas almas. E posso afirmar: todas belas.
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Agradeço a todos pela acolhida, pela presença constante principalmente nestes últimos tempos em que me encontro, por problemas pessoais, afastada da net.
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Hoje, relembrando o final de 2004, quero fazer um agradecimento especial à menina poesia que inventou o nome, escolheu o lay out e colocou no ar este blog, incentivada pela Loba. Dei continuidade, timidamente, mas sempre apoiada pelas duas e também pelo Linaldo. Vocês três são responsáveis por tantas alegrias aqui vividas e compartilhadas. Sabem que moram no meu coração. Então se preparem... porque é para sempre... vão ter que me aguentar... rs.
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Aos antigos ou novos... aos amigos poetas, seresteiros, sonhadores, companheiros na construção de um mundo novo... parceiros que conhecendo o poder da palavra, usam-na para a celebração do Amor,
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Beijos, carinho.
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segunda-feira, dezembro 26, 2005

ELE CHEGOU!

Tóc-tóc e um... ó de casa!
Correu para abrir a porta.
Um menino envolvido em faixas olhou-a como se pedisse pousada.
Trouxe-o para perto do coração e foi invadida por um sentimento inesperado.
Percebeu-se aceita até mesmo nas imperfeições.
Experimentou um grande amparo no sofrimento.
As faixas da alegria a envolveram.
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A solidão deixava de ser só.
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Finalmente... era amada!
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* * *
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Agradeço o carinho dos amigos
que aqui deixaram votos de
Feliz Natal
e desejo
que todos
sejam inundados
pela presença de Jesus Menino
e experimentem o amor de Deus Pai por nós.
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sábado, dezembro 17, 2005

minha menina,

se é para soprar sonhos,
quero ser palavra.
se é para me enlevar em nuvem,
quero ser palavra.
se é para me desgovernar,
quero ser palavra.
se é para vagar varais,
quero ser palavra.
mas se é para ser menina,
quero de verdade ser poesia.
assim, do jeitinho que tu és.
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(feliz aniversário e que Deus te abençoe... sempre)
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segunda-feira, dezembro 12, 2005

PRESTIDIGITAÇÃO

Sou despertada por um alarido festivo. Ainda tonta, esfrego os olhos e chacoalho as sandálias. É embaçado o contorno do ambiente. Mesmo assim o reconheço. Estou num oásis. Sinto a sede. Aproximando-me da fonte, vejo-me refletida em suas águas. Vejo também tudo o que me cerca e um certo desconforto me atinge. Parece que mundo está ao inverso. Ali, o reverso é o real; o ilusório, palpável. O verso é o idioma corrente e o avesso ganha expressão. O tempo, que é sempre implacável, pára. Estanca a razão. Em seu lugar, sentimento. Mesmo ofuscada pude ver solidão apontando aconchego. Da dor vi nascer alegria. Vi o fogo que aquece e não queima. Vi o coxo brincando de roda. Ninguém morrendo de fome. No foco um leve pulsar, uma cadência de vida. Ao abandonar-me no ritmo, vi o que até então julgava impossível. A morte sendo abolida, o pretérito no papel de presente e, você nem vai acreditar, algo ainda mais emblemático: uma filha menina parindo a própria mãe. Espantado? Pois, espere, ainda não lhe falei da emoção. Este é só o começo da minha incrível história de amor. ..
....
(republico por ainda acreditar na existência deste oásis... )
...

terça-feira, dezembro 06, 2005

PACTO

sei que aí estás
sinto em mim o teu perfume
se és tu a me emprestar as asas
sou eu a te fazer volátil.
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somos vadias miragens
em vôos de figura e fundo
apenas suave aroma
incenso do que resta em nós
.
contínuo mote de agonia e gozo.
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(republicação)

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terça-feira, novembro 29, 2005

redundante

hoje quero falar do jogo
não de palavras ou intentos
falo de luzes
em festa
do arrebentar de rojões
.
nada deixado ao acaso
em nosso contentamento
pressentimento tornado foco
cálice iluminado
pelo brilho da aventura
.
alma opaca não resiste
à caminhada feita em fogo
a corações juntos no abraço
ao ardor tornado canto
.
se é persistente a paixão
renova-se certeiro o verbo
em júbilo mantém-se aceso
o entusiasmo
redundante
lume
.
(dedicado a db, o melhor abraço daquela noite)

domingo, novembro 20, 2005

RESTOS













.
.
.
o sol...
ele se vai
ou chega
pouco importa
se permanecem
escuro o norte
o horizonte em chamas
o vácuo...
lacunas dos sombrios
restos
.
(menina, mais uma vez dedico a você, agradecendo pela foto-inspiração)

sexta-feira, novembro 18, 2005

A CAVERNA

Às escuras, acorrentados, avançar através do covil.
Decifrar o que dizem as sombras em movimento.
Na névoa, tocá-las.
Na mudez, perscrutá-las.
Na cegueira, descobrir seus anseios.
.
Longe na memória ainda há lembranças
Do que nos levou tão longe, mas
Não sabemos mais o porquê da cadência repetida,
Das infinitas voltas em círculos.
.
Ouvimos rumores de que poderia ser diferente.
Rumores prontamente desmentidos!
Nem do assassinato daquele pobre lunático se fala mais.
Lembra-se dele?
Aquele que jurava ter visto algo semelhante à luz?
Estivemos por enxergar.
.
Quase chegamos a ver o sol brilhando lá fora.
E quando estávamos prestes a aprender a ter esperança,
Já não havia mais o que esperar.
O assombro nos abocanhara.
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(um texto saído do baú - agosto de 2004)

terça-feira, novembro 15, 2005

CENA RÁPIDA - O MONÓLOGO

- um dia...
estaremos já mudos no assombro
e seremos por ele engolidos
.
enquanto espero ser digerida
tranqüilamente
consumo a revista semanal
bebo toda a caixa de uísque
e fumo um charuto...
.
- corta!
.
(em exibição no cine-teatro república)

sábado, novembro 12, 2005

FESTA PARA DOIS AMORES

minha filha,
teu olhar verde-azulado
leva-me a horizontes tantos
nem consigo definir
é carinho, é alegria
às vezes pergunta e até zanga
mas sempre luz para vida
matizando o futuro
nesse leve tom
azul-esperançado.
conserva-o...

é de Deus um dom.
é o que nos sustenta.

.
..//..
.
meu veinho,
sempre ocupado
em mil trabalhos
traquinagens de menino grande
da teoria à imagem à poesia
e eu no olhar

me inspiro
acompanho
a loucura da razão
lucidez refletida
nos sonhos produzidos:

vida
.
..//..
.
Dois aniversários e quem ganha sou eu...
meus dois presentes, meus dois amores...
agradeço a Deus pelo dom da vida com vocês.

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Novo blog no ar: http://maresrevoltos.zip.net/
À minha amiga Ádina desejo sucesso.

terça-feira, novembro 08, 2005

lágrima

teus
olhos
vermelhos
falavam: eu morro
nesta solidão tormenta
e tanta gente à nossa volta
que eu em solidão calada
nem pude ao menos
dizer-te: por uma vez tenta
pedir. sairei de mim
prometo
serei o teu
socorro
!

sexta-feira, novembro 04, 2005

DOIS PERDIDOS - O DESFECHO

Continuação do post anterior

Ele contando:
Poderia ter inventado uma desculpa, mas não, caí de novo. Nem consegui descobrir o que ela quer comigo. Mulher maluca, desorientada. Canta, dança, dirige, tudo ao mesmo tempo. Tão destrambelhada que nem percebeu a minha investida. Mulher doida, ainda se perdeu várias vezes fazendo com que eu me perdesse também. A reunião começando e eu ainda à espera do elevador. Quando a porta se abriu me vi lá no fundo. O espelho mostrava meu desalinho, imperdoável para um executivo. Passei a mão pelos cabelos desgrenhados, sem sucesso. Em São Paulo, ninguém mais anda com os vidros abertos. Só ela. Aquela avoada.
Ao entrar na sala fui fuzilado pelo presidente do conselho.
Não era a primeira vez. E sempre por causa da oferta irresistível. Resolvi naquele instante. Carona com ela, nunca mais.
Sentei-me, abri meu laptop e dirigi a atenção para o relatório que estava sendo apresentado. Aos poucos aquela lengalenga foi me entorpecendo. Parecendo estar em transe, digitei o nome dela. Que susto! DOIS PERDIDOS! Um relato do que acabáramos de viver. Como ela consegue ser tão rápida? Ao meu riso alto, um psiu generalizado na sala. Ela falando de ternura e aquele “Você é meu GPS” piscando frente aos meus olhos...
- Você está na contra-mão de nossos trabalhos, disse o presidente.
Só então me dei conta. Voltei a ler o texto atentamente. Fechei o laptop com um golpe rápido. Levantei-me e saí quase correndo sem olhar para trás. Enquanto descia já fui arrancando a gravata ao mesmo tempo em que pegava o celular.
Digitei o número.
- Atende!
Caixa postal. Tentei de novo.
- Oi, fala!
- Acabei de ler o seu blog. Volta aqui para me pegar.
- O quê?
- Abaixa o volume do rádio, disse, ou melhor, gritei.
- Pronto. Estou ouvindo. Pode falar.
- Volta para me pegar.
- Agora? Estou enroscada numa rua chamada Tito... onde é isso? Para que lado...
- Mas o que você está fazendo na Lapa? Não deveria ir para a zona leste? Essa sua mania de só pensar em escrever!
- Me ajuda... como saio dessa?
E ela ainda ri.
- Fácil, é só você... deixa pra lá... vai começar tudo de novo... não saia daí, estou pegando um... Táxi!
Assim que embarquei... começaria tudo outra vez...
Só tive o trabalho de mudar o tempo do verbo.
A gravata? Joguei-a pela janela.

Eu assistindo:
Nunca mais cruzei com eles até que segunda-feira, passando pela Vila Madalena, encontrei-os. Estão casados, têm dois filhos - Eduardo & Mônica.
Abriram juntos uma editora especializada em poesia. Ele, com toda experiência em finanças, administração, marketing e ela, com a sensibilidade para revelar poetas, fizeram da empresa um sucesso. Todos os dias enchem a mala do carro com livros e saem vendendo de porta em porta.
Ela instalou um GPS no carro. E ele, sempre que se senta no banco do carona, apressa-se em desligar o aparelho e, claro, em sintonizar o rádio. Nesse dia não foi diferente. Logo que nos despedimos... amor meu grande amor, não chegue na hora marcada...
E lá se foram cantando... os pneus.
De longe ainda pude vê-lo gesticulando, braço para fora da janela, apontando para a direita, enquanto o carro virava à esquerda.
.
(Dedicado a Gonzaguinha, Legião Urbana e Ângela Ro Ro, a quem agradeço pela cessão da trilha sonora)

_._._._
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Estou só contentamento.
Mais uma vez fui telescopiada por Nel Meirelles.
Nel, agradeço muito.
.
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terça-feira, novembro 01, 2005

DOIS PERDIDOS

Nem sei se ele se lembra. Estávamos os dois a rodar pela cidade quando me perguntou:
- Para você o que sou?
Sem saber qual caminho tomar parei e o olhei de forma interrogativa.
- Para a esquerda ou direita?
- Por ali, não vê que estamos na contra-mão?
De repente um enorme caminhão... e eu... sanduíche de gente... apertei-me contra a guia enquanto ele me lançava um olhar divertido. Rezava para que não aparecesse um guarda. Seria obrigada a confessar que minha habilitação vencera há tempos. O celular disparado e eu enganchada entre uma moto e latas de lixo, sem poder atender.
Engatei a primeira e ele a me alertar:
- Está vermelho!
O celular parou. Aproveitei para acender um cigarro e esperei... ai que coisa boa, à meia luz, a sós, à toa...
No verde, segui.
- O que foi que você perguntou mesmo?
- Preste atenção. Deve entrar à direita na próxima esquina. Logo depois da curva, fique à esquerda.
No rádio, Rita Lee ainda fazia o fundo e eu cantarolando junto... você e eu somos um caso sério... antes de retomar a conversa.
- Fala, o que foi...
- Cuidado, está na faixa do ônibus... cada um na sua... uma quadra e... perdidos na cidade nua... passou, você passou!
Mais outra volta no quarteirão, naquele trânsito...
- Pode parar ali, perto da árvore. Chegamos.
Destravou o cinto de segurança e antes que eu puxasse o freio de mão já abria a porta
- Espera. O que me perguntou quando ainda estávamos na São João?
- Para você o que sou?
Tinha tanta ternura nos olhos que me perdi neles, não sabendo o que responder. Fechou a porta sem deixar de me olhar pela janela... empapuçados de amor... lançando um sorriso, endireitou o corpo e se apressou... ao som de um bolero... estava atrasado, claro.
Recuperando o fôlego gritei.
- Você é meu GPS!
Tarde demais. Buzinas encobriram a resposta. Estava parada na entrada de um prédio interrompendo a passagem. Ele, depois de contornar um buraco da calçada, olhou para trás, ainda sorrindo e acenou. Estava longe do alcance de minha voz. Não mais escutaria. Repeti, agora apenas sussurrando:
- Você é meu GPS, minha bússola.
Engatei a primeira. O pé escapou fazendo o motor engasgar. Na segunda tentativa consegui. Fui... mesmo não sabendo muito bem para que lado... você e eu somos uuuum caso sério... dose dupla...
_._._._

Inspirado em uma conversa com minha amiga Ádina, a quem dedico o post.
Os itálicos foram emprestados por Rita Lee e Roberto de Carvalho em Caso Sério.
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domingo, outubro 23, 2005

REVOLTA

Só um santo dia
para a ablução
da dor em mente,
mas mentes
em mantras
intermináveis.
Seduzida por teu canto
eis-me aresta
a espera em rastro
arrasto.
Só um santo dia,
limpas do adultério,
as mãos...
.
mas não,
mentes!
.

.
(Inspirado em Jeremias e dedicado ao Chico de quem roubei só um santo dia)
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Escrevi este texto em resposta a um desafio do blog Loba, corpus et anima.
Lá foi publicado, tendo como título Yirmeyâhû, no dia 06/10/05.
Aqui rebatizado e levemente reformado...
.

sexta-feira, outubro 21, 2005

m a n t r a

v.e.n.t.a..l.e.v.e
l.e.v.a..a.l.e.n.t.o
l.e.v.a..l.e.v.e
v.e.n.t.a..l.e.v.a
l.e.v.e..a.l.e.n.t.o
.
v.e.n.t.a.l.e.n.t.o
v.e.m
!
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(Dedicado à Dione, sábia amiga, a quem pergunto: a récita deste mantra me levará aos campos da poesia?)
.

sexta-feira, outubro 14, 2005

CORRESPONDÊNCIA DE AFETO

Querida,
.
Há quanto tempo não vens
minha amiga e conselheira
Sem teus ventos e sopros
sinto a alma migrar
para longe d’Ele e de mim
Me abandonas assim
Só
Permites que eu solte
o espírito desbaratado
corisque de um mote a outro
como cavalo desenfreado
Às apalpadelas
vivo o desatino
destino do desamparo
ou porões, minha morada
Peço que novamente me indiques
-há tempos dela me perdi-
os caminhos da paciência
Vem, sinto tua falta
traze teus sugestivos versos
tuas dores e contentamentos
tuas agonias e o enlevo
tua elegância
És sempre bem-vinda
mesmo quando tumultuas
-e quantas vezes o fizeste-
minha já tumultuada mente,
meu desgovernado coração
Vem e o segredo virá
-pois bem sinto mora em ti–
fazendo-se inspiração revelada
E, se não for muito o pedir,
ao vires traze
os ares e o canto das aves de Ávila
para que eu pressinta
–e apenas pressentir já é alívio–
o despertar da beleza
Sabendo que és puro desvelo
eu atenta discípula me quedo
com carinho espero
por teus sinais, até mais...
.
...//...

.
Teus ais pude daqui ouvir,
sobrinha querida,
e preciso dizer-te
que Ele de ti não se descuida.
E lembra-te...
.
O amor, quando já crescido,
Não pode ocioso ficar,
Nem o forte sem lutar,
Por amor de seu Querido.
Deus, de seu amor vencido,
Sempre o fará vencedor.
Que será ver-te, Senhor?
.
...//...

.
Quinze de outubro é o dia dedicado a Santa Teresa de Ávila
de quem tomei uma estrofe do poema “A Santo André”
para compor esta troca de cartas.
Os trechos em itálico são de Santa Teresa.
_________________
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É TAMBÉM NOSSO DIA
ABRAÇOS A TODOS OS PROFESSORES
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quarta-feira, outubro 12, 2005

NO DIA DAS CRIANÇAS

HISTÓRIAS DO VELHO LENHADOR.-- Está na hora. Preciso dormir. É seu turno.
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Desde há muito era acordado pela voz estridente da Coruja. Antes que o dia clareasse ela já estava batendo à janela.
Levantava-se, preparava o café, enquanto seu fiel escudeiro ia ver como estava o tempo lá fora.
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-- Hoje chove ou hoje faz sol... sempre acertava. Êta Cãozinho sensível! Perdigueiro dos bons.
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No embornal, apenas uma côdea de pão e a garrafa térmica. Não levava machado nem serra, pois era um lenhador diferente da maioria. Apenas recolhia os galhos que as árvores deixavam pelo chão.
À porta, os pássaros já o esperavam e lá ia o grupo proseando alegremente em direção à floresta enquanto o sol nascia.
Sempre o primeiro a falar, lá vem o novidadeiro do Bem-te-vi.
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-- Sabe que durante a noite nasceu o nenê da Girafa?
-- E foi tudo bem?
-- Sim ele até já está brincando pela clareira.
-- Eu é que não dormi nada, disse o Pica-pau.
Uma gargalhada geral.
-- E por que não dormiu?
-- O Esquilo, aquele que mora no andar de baixo, roncou a noite inteira. Um ronco tão forte que fazia tremer toda a árvore. Até parecia terremoto.
Riram muito, pois diariamente ouviam a mesma reclamação.
.A cabana era a última da aldeia antes da entrada da floresta. Rapidamente lá estavam e o velho lenhador ia dando os bons dias aos amigos que encontrava. Fazia a inspeção costumeira, no que era acompanhado pelo Grupo de Defesa da Floresta. Visitava doentes, resolvia alguns probleminhas. Hoje iria visitar o bebê girafa.
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Sim, havia naquelas bandas uma ONG criada para resolver os problemas internos da comunidade, suprir necessidades, principalmente para impedir a entrada das malditas motos-serra. O Carvalho, morador mais antigo, na verdade criador daquela floresta, era o presidente. Profundo conhecedor das demandas da mata, um sábio, sempre ouvido por todos. O vice era o Leão, encarregado de negociar com os madeireiros que porventura ousassem por ali aparecer. Vinham derrubar árvores para depois vendê-las. Punham em risco a sobrevivência do lugar. Mas quando o Leão aparecia, corriam. E quem gostaria de ficar cara a cara com ele numa negociação? O primeiro secretário era o Elefante que tinha como tarefa principal organizar o transporte da água do rio em caso de incêndio. O fogo, muitas vezes criminoso, apavorava a comunidade. O velho lenhador, além de presidente de honra, era presidente do conselho e intérprete. Era o único humano com quem os animais e as plantas conversavam. Único humano a quem confiaram o segredo de seus idiomas. Tesoureiro não tinha lá. Não havia precisão, uma vez que tudo se resolvia através de trocas. Principalmente trocas de afetos.
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As árvores mais altas, os insetos e os pássaros faziam a vigia. Conseguiam detectar qualquer comboio que se aproximasse ou qualquer início de incêndio. E sempre que o perigo fosse iminente todos eram convocados pelas Maritacas, e passavam a formar um enorme mutirão de salvamento quer apagando o fogo quer impedindo que gente malvada, interessada em destruir a floresta, pudesse ali entrar.
Viviam felizes, em harmonia. Cuidavam-se uns dos outros e do lar que era de todos. E davam exemplo para o mundo.
Tanto que o velho lenhador já está arrumando as malas. Pela primeira vez sairá de sua aldeia, de sua floresta. Vai viajar para a Europa, imaginem, acabou de ganhar o Prêmio Nobel da Paz.
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As Histórias do Velho Lenhador sempre as dedico aos netos e hoje não poderia ser diferente, meus” bunitinhos”... rs.
Expandindo a dedicatória, ela vai também para a Vida, para as crianças, para os bem jovens e para os nem tão jovens assim, todos os que me aceitam como avó... rs.
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No dia das crianças... beijos, carinho, Galera!
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domingo, outubro 09, 2005

REVOLUÇÃO

Quero outra vida p’ra mim
Uma que não dependa de planos
Que não me consuma as horas
Em lidas sem direção ou efeitos
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Quero livre a mente
Pensamento leviano
A alma solta no espaço
Forjados na imprudência
Passos a me afastarem
De tudo o que seja supérfluo
Me devolvendo o olhar
De auto-libertação
E que ainda de quebra me ensinem
A arte de restaurar corações
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Quero o frescor, quero a alegria
Que nascem num largo sorriso
Das crianças em folguedos
Dos namorados nas praças
Em bitoquinhas e juras
Dos aposentados e seus tênis
Sarados na ronda do bairro
Quero as cores e a melodia
Que vicejam nas feiras-livres
Minha gente se lambuzando
Nos sabores das frutas maduras
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Quero pisar as ruelas
De mãos dadas com as calçadas
Deixar que elas me ponham
Em marcha, em bailado de corpo
Rodando na ventania
Transformada inspiração
Hino venta leve
Leva alento
Às horas de sombra ou de sol
Ou de chuva ou de fome ou de sede
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Esta é a vida que quero p’ra mim.
Aquela que vem com o amor.
Só ele é capaz de trazer
Em cada pegada a surpresa:
Serventia p’ro meu canto,
Destino ao meu caminhar.
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(dedico à maria-menina, agradecendo pelo toque)

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quinta-feira, outubro 06, 2005

pessoal, subordinado e oblíquo

se sonho
se assumo
se assanho
se deito
se durmo
se sonho
se sofro
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se ando só
se desconjuro
se te conjugo
se me irrito
se salto atrás
se solto a dor
se faço verso
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se minha rima não se realiza
se essa birra você não esquece
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é uma pena

é desperdício
é um suplício
é uma chatice

é teimosia
é solidão
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(para um birrento)
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terça-feira, outubro 04, 2005

ZAPPING

enquanto isso, tião e coleguinhas, nas rodas, nos bares, jogam conversa fora, riem, mostrando como é leve e faceira a vida no campo...
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duas crianças engolem ovo cru e aprendem que para vencer na vida basta querer, ralar, engolir... e quem não tem nem o ovo?
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enquanto isso o menino me pede uns trocados para a cola...
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hora de dizer sim ou não?
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enquanto isso rodam-se as cadeiras dos Ps... aceita-se a melhor oferta... o que quer dizer o P?
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investiga-se o investigado que para fugir à investigação põe-se a investigar...
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o novo Bolívar me diz que a melhor defesa é o ataque...
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minha cidade descobre uma nova arquitetura para combater a pobreza... constrói rampas anti-mendigo...
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um senador embotocado, cabelo tingido, ajeita o beicinho e me manda um beijinho...
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enquanto isso, ouço: imagina se todo mundo resolve fazer greve de fome nesse país?
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e me obriga a imaginar também: imagina se todos os que já fazem greve de fome resolvem comer?
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enquanto isso, se a sardinha falta, cada um que puxe a água para a sua latinha...
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enquanto isso, um novo francisco, defendendo o velho francisco, no dia do pobre francisco...
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(Dedicado ao Bispo Luiz Flávio, meu frei querido... em oração, esperando que tu sejas ao menos respeitado pelo sr. presidente)
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sábado, outubro 01, 2005

Teresinha, Teresinha, Teresinha!

É quase orar com o olhar
O coração se acalma
Traz consolo para alma
Ver Teresinha no altar
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É quase céu de doçura
Esta forma de oração
Na foto, a devoção
Teresinha é só ternura
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É quase todo o carinho
E Jesus sabe que é hora
Faz com que eu encontre agora
Teresinha em meu caminho
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Santa Teresinha, rogai por nós!
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1º de outubro - dia de Santa Teresinha do Menino Jesus
Deixo aqui um de seus pensamentos:
"Para mim a oração é um simples impulso do coração, um simples olhar que se lança para o céu".
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Quem quiser ver fotos da santa das rosas, clique aqui:
http://images.google.com.br/images?q=santa+teresinha&hl=pt-BR&btnG=Pesquisar+imagens.
E quem quiser saber mais sobre ela:
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terça-feira, setembro 27, 2005

...

duplipensar a vida e as questões
do humano em caminhada
(ou seria trombada)
viajar qual anjo desatinado
na descida aos infernos
ali encontrando o norte
no cheiro podre da morte
fazer valer o valente olhar da poesia
ou do quase nada, quase tudo
em tudo, um quase tudo
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sugar da palavra a seiva
moendo-a na ação
derramar o suco nos braços
de quem reflete a vida e as questões...
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contínuo mote do desespero
moto contínuo da esperança...
o que nos resta fazer
nos tempos
de anormal normalidade
(ou normal anormalidade)
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a minha escolha está feita
por hoje me despeço, peço licença...
tenho um grande amor me esperando.
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(pontos de partida: comentários ao poema Geografando de Dora Vilela em 26/09 - http://pretensoscoloquios.zip.net - e à crônica Quase tudo, quase nada de Loba em 27/o9 - http://www.lobabh.zip.net )
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domingo, setembro 25, 2005

mais uma tentativa

com a canhota descrevo
imagens que surgem borradas
dissipando-se ao leve toque
do teclado emperrado
são versos de mão quebrada
rodam na corda bamba
derrapam em entrelinhas
e se esborracham no concreto
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oh, manquitolante poesia!
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por mais que eu queira fazer
valer o olhar do amor
rico por natureza e destino
são pobres as rimas que tenho
ao papel oferecer
assemelham-se a desatinos
e apesar de todo empenho
carecem de qualquer valor
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(resposta à Anawin)

quarta-feira, setembro 21, 2005

DUPLIPENSAR

até tentei falar de improviso
do inverno que se despede
da primavera batendo à porta
e das promessas que ela traz
a natureza se abrindo em flor
o cinzento ganhando cor
bobaginhas se repetindo
.
porém...
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em tempos de malvadezas
cinismo, desfaçatez,
desconstrução da utopia
o improviso envergonhado
se auto-consome, se cala.
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(é hora de regar as aspidistras)
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Dedicado a George Orwell
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sexta-feira, setembro 16, 2005

COM VOCÊ...

aprendi a esperar a esperança
aprendi a sentir o sol na chuva,
a ouvir o som da cor,
a vibrar o nada e a solidão.
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Aprendi a sentir no corpo
o ardor da espera,
o arrepio da vida,
a amolecida paz.
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Com você
aprendi a me alegrar na ausência,
a me alegrar no encontro,
a me alegrar,
me alegrar,
alegrar.
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Na verdade
com você
aprendi a viver
tudo isso que é amar.
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segunda-feira, setembro 12, 2005

NO DESERTO

Pobres de nós
nem uma rede temos
para descansar nossas mentes,
para largar nossos corpos
no tom lascivo do abraço.
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Pobres de nós,
nem um pátio florido
para abafar nossos passos
traçados pelas tormentas,
trançados na rebeldia.
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(aqui acolá uma fruta caldo escorrente sede)
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Persistem-nos as areias
ásperas, cúmplices, mutantes.
Nelas podemos deitar
nossas febres em urgência,
nossas almas retalhadas
que o vento embala e adormece.
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Pobres de nós, ricos amantes!
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(dedicado aos que do amor são andarilhos)

terça-feira, setembro 06, 2005

AGRADECENDO

Da tormenta inesperada
Recupera-se Cristina
Apesar do caminho longo
De tão penoso caminhar
Algo nos acompanha
Em confiança seguimos
Temos o amparo do Pai.
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Para os que por aqui passam deixo um pensamento de Santa Teresinha do Menino Jesus junto a meus agradecimentos por formarem tão poderosa corrente de orações.
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"Faz-nos tanto bem, quando sofremos, ter corações amigos, cujo eco responde à nossa dor".
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Beijos, carinho.
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quinta-feira, setembro 01, 2005

O REENCONTRO

Estarás desperta
Atenta às minhas palavras
Poderei lembrar casos
O capítulo da novela
Riremos juntas
Das estripulias passadas
E das que ainda virão
Haverá por fim um momento
Em que teu olhar viajante
Fará porto em meus olhos
Sentindo o sentido do tempo
Tua voz estará à espera
A minha em gesto atento
.
No fôlego após um suspiro
Deverei falar o que queres
De verdade e em verdade ouvir
Que estiveste apenas dormindo
Tal criança em abandono
No aconchego do Pai
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(Dedicado à Tita)

sexta-feira, agosto 26, 2005

TERNAMENTE

De coração de mãe,
Do sentimento do pai,
Tanto se fala e se canta
Mas e da tia
O que se diz afinal
De quem não teve no ventre
O ser que seria metade
Da genealogia e futuro
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Espécie de espectadoras
Nós duas, sobrinha querida
Parece que temos
Uma dimensão comum
És um olhar em demanda
Sou demanda no olhar
Te sentes quase uma filha
De minha parte, quase mãe
E sem nada sermos
A não ser partes de um quase
Quase nada
Quase tudo
Nos ofertamos na dor
Mútua resistência e vigília
Da existência pressentida
Apenas ternuras em laço
Simples ato de afeto
Este sim, bem mais do que um quase...
Pois sendo simples, completo.
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(À minha doce Tita)
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quarta-feira, agosto 24, 2005

À NOSSA SENHORA DA CABEÇA

Eis-me aqui, prostrado aos vossos pés, ó mãe do céu e Senhora Nossa! Tocai o meu coração a fim de que deteste sempre o pecado e ame a vida austera e cristã que exiges dos vossos devotos. Tende piedade das minhas misérias espirituais! E, ó Mãe terníssima, não vos esqueçais também das misérias que afligem o meu corpo e enchem de amargura a minha vida terrena. Dai-me saúde e forças para vencer todas as dificuldades que me opõe o mundo. Não permitais que a minha pobre cabeça seja atormentada por males que me pertubem a tranquilidade da vida. Pelos merecimentos de vosso divino Filho, Jesus Cristo, e pelo amor a que ele consagrais, alcançai-me a graça que agora vos peço (pede-se a graça que se deseja obter). Aí tendes, ó Mãe poderosa, a minha humilde súplica. Se quiserdes, ela será atendida. Nossa Senhora da Cabeça, rogai por nós.
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Mãezinha do céu, eu confio em vós! Amém.
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(Pela recuperação de Ana Cristina, minha amada sobrinha)
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Sobre a devoção à Nossa Senhora da Cabeça:
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http://www.milicia.org.br/index.asp?pag=central/titulos/cabeca.htm&m=0
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segunda-feira, agosto 22, 2005

O TERÇO DA MISERICÓRDIA

A ser rezado no terço comum, substituindo as orações do terço como indicado:
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No início:
Pai Nosso, Ave-Maria, Credo
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Nas contas do Pai Nosso:
Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade, de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo em expiação de nossos pecados e dos do mundo inteiro.
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Nas contas da Ave-Maria:
Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.
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Ao fim do terço, rezar três vezes:
Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.
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(Pela recuperação de Ana Cristina)
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Extraído de:
http://rosariopermanente.leiame.net/devocoes/misericordia.php
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sábado, agosto 20, 2005

ORAÇÃO A SÃO MIGUEL

São Miguel Arcanjo, protegei-nos no combate, cobri-nos com vosso escudo, contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o, Deus, instantemente o pedimos e vós, Príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém.
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Sacratíssimo Coração de Jesus.
Tende piedade de nós!
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(Por Ana Cristina)

quinta-feira, agosto 18, 2005

PARA UM AMIGO QUE SOFRE

Tenho me perguntado, constantemente, a que distância devo ficar de um amigo que sofre.
Existirá um padrão, um instrumento que me dê esta medida?
Talvez nem tão perto a ponto de invadir seu íntimo ou mesmo perturbar o seu descanso.
Talvez nem tão longe onde não possa escutar seu pranto e seu pedido de socorro.
Ao alcance de um olhar, quem sabe, seja a distância correta.
Lá, onde eu possa oferecer meu próprio olhar e assim abraçar o olhar do amigo.
Lá, naquele ponto em que os corações se encontram e se expandem.
Lá, onde eu possa ficar simplesmente e olhar... e deixar-me olhar... que é a forma pela qual duas almas amigas se entendem e se completam... mesmo que seja por um breve e fugidio momento.

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domingo, agosto 14, 2005

NO DIA DOS PAIS

Nós duas no topo da escada olhando a noite e os faróis. Desenhavam círculos concêntricos. Teu assobio perguntando. O de mamãe respondendo. Descias o baldio traçando uma linha reta. Ora paravas escondendo-te nas folhagens. Ora seguias o sinal que te era enviado.
O trecho pequeno levava, no meu pouco entender, uma eternidade para ser vencido. Não sabia ao certo a razão de tanta agonia. Só me agoniava junto e me esforçava por aprender o assobio em código. Os carros negros desistiam da marcha. Abraçava-te aliviada.
Muito tempo depois de tua partida pude entender o sentido destas cenas. Elas se repetiriam com outros atores, outros cenários, embora tom e tensão fossem os mesmos.
Nos dias de hoje revisito as lembranças em busca de inspiração para continuar. Por onde andariam o teu sopro radiofônico, tua remington incansável, teus varais de fotografias?
Se as respostas, não as encontro, sigo com tua imagem e por mais paradoxal que pareça, dada a saudade que ainda tenho de ti, chego até a me alegrar... por não precisares ver o que fizeram de teus sonhos.
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... a todos os pais, o aconchego.
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quarta-feira, agosto 10, 2005

O CUIDADO

cuida do amor que mora em ti
e ele se transformará em gesto amoroso
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cuida do gesto que voa de ti
a ti ele retornará em cânticos
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em dueto vela e segue
no caminho a canção se revelará
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AMOR
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(Dedicado a Clara e Francisco)
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quarta-feira, agosto 03, 2005

PARA TUDO TEM UMA HORA

Um dia, sem mais nem menos,
Começou a pensar na morte.
Como seria o velório...
Nem se atrevia a deixá-lo
Entregue à própria sorte.
Se sempre tudo planejara
Tomou lápis e papel
E lá vai recomendação:
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As cãs da testa disfarçadas
Com flores entremeadas
Descendo pelos cabelos soltos.
Base dando uma cor...
Com as rugas,. nem se importava
Não gostaria é de se ver abatida
Na solene data da própria saída.
Nos olhos, um fino traço
Dando leveza ao olhar,
Um batom discreto, rímel...
A roupa deixaria a gosto
Pedindo só que usassem
Uma que lhe dissimulasse
O contorno arredondado.
Nas mãos, que não esquecessem do rosário.
Lembrava-se toda pomposa
De um de botões de rosas
Vindo direto de Assis.
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Aos amigos, nas despedidas,
Um coquetel bem servido,
Daqueles com até prato quente
E para passar o tempo,
Que contratassem um trio:
Bateria, piano e baixo.
Em anexo, o repertório seguia.
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Para a encomendação,
O coro da Igreja São Bento
Em gregorianos mistérios.
Quem sabe um solo com Fortuna...
Imaginou as coroas, mensagens,
Carruagens empurrando-a para o céu
E, no auge da pretensão,
Antevia já o reencontro
Com falecidos queridos.
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A missa, em alguma capela,
Filtrando por entre vitrais
Floridas azaléias em eternas florações.
As luzes todas acesas,
Velas novas no altar.
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E as flores, de preferência
O amor-perfeito
Em arranjos esparramados.
Seriam tantos vasinhos
Que cada convidado
De lembrança um carregasse.
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Último ato de insubordinação:
Liturgia fúnebre, nem pensar.
Mesmo sem ao Sr. Bispo avisar,
Que trocassem as leituras.
A primeira, encontrariam em Provérbios.
Aquela em que a sabedoria se apresenta
Junto de Deus, a artífice
Brincando sobre o globo de sua terra.
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Deixava ao gosto dos amigos
A escolha do cantor
Do salmo, deste sim, fazia questão.
Que fosse o do Bom Pastor,
Atravessando-a pelo vale escuro,
Segurando-a pela mão.
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Para a segunda leitura,
A carta de São Paulo aos Coríntios.
Perfeita ao definir o amor
A que tudo desculpa, tudo crê,
Tudo espera e suporta.
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Pelo incenso perfumado,
O Evangelho a ser cantado,
Do Apocalipse um trecho
Em que Nossa Senhora a esperasse
Revestida de sol e realeza
Resplandecente, maternal beleza.
O padre, sacerdote zeloso,
Saberia em sua homilia
Ser loquaz e amoroso
Nos cuidados aos presentes.
Haveria ainda um momento
Para se encaixar
Uma ressalva aos lá do alto.
Até que seria sensato
Acrescentar os novatos
E ressoar com encanto,
Entremeada a prantos,
A ladainha de todos os santos.
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Mas o que seria gravado
Na lápide a defini-la?...
Releu o que havia escrito
Em busca de inspiração.
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E... só então...
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Fez um balanço da vida.
Da vida longa, vivida
Na vida que não viveu.
Pondo tudo na balança
Viu o prato dos desacertos
Pendendo mais que os do bem.
Resolveu não ser a hora.
Pensou, refletiu, ponderou...
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Só iria se entregar
Quando amigos e descendência
Pudessem em sã consciência
Em epitáfio lavrar:
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“Aqui jaz nossa querença,
Mulher justa e aguerrida,
Foi tempero nesta vida
E morreu de tanto amar”.
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Citações: Livro dos Provérbios, 8; Salmo 23; I Carta de São Paulo aos Coríntios, 13; Apocalipse, 12.
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